quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Boletim “O Germinal” nº11, Agosto de 2009.


QUEBRAR O CONSENSO GOVERNISTA:

Rearticular pela base a oposição classista!

Iniciando o segundo semestre de 2009 é necessário fazer uma avaliação séria sobre a configuração do Movimento Estudantil hoje na UnB e apontar as tarefas a serem cumpridas pelos estudantes proletários nesse próximo semestre.

A vitória esse ano de uma direção petista para o DCE (chapa “Pra fazer diferente”) e para a Reitoria nesse último período só vieram a ilustrar as críticas e análises que a Oposição CCI já vinha fazendo da derrota da ocupação em 2008 para o governismo e da incapacidade política da direção para-governista da ANEL (PSTU) de consolidar uma polarização clara com a UNE e reorganizar o Movimento Estudantil.


A política neo-liberal orquestrada pela Reitoria/DCE/Fundações privadas!

Desde o processo eleitoral da entidade esse ano e durante esse período de gestão do DCE pela chapa “Pra Fazer diferente”, fica evidente a ligação que existe entre o DCE e a Reitoria (ambas dirigidas pelo PT) enquanto agentes políticos da estratégia governista e neoliberal para a educação.

Agindo conjuntamente, a partir da linha teórica governista de suposto “desenvolvimento nacional” a partir da ampliação da taxa de lucro dos empresários para o aquecimento da economia, os governistas se tornam agentes efetivos do neoliberalismo e da burguesia que tem como objetivo a implementação de políticas e reformas tais como as parcerias público-privadas, o REUNI precarizando e reestruturando a universidade para a acumulação capitalista, as fundações parasitas ditas de “apoio”, o Pró-Uni que na prática transfere verba pública para as faculdades privadas, precarização e terceirização do trabalho, lei anti-greve, etc. Política desenvolvida na UnB pela Reitoria/DCE.

Podemos observar a tática orquestrada pela direção do DCE e pelo Reitor José Geraldo através das lutas pela assistência estudantil e contra as fundações privadas onde abertamente o DCE agiu como blindagem da reitoria e mediador entre os estudantes e esta, buscando sempre “boicotar e domesticar” as lutas, para que estas não colocassem em perigo o consenso governista da comunidade acadêmica perante a Reitoria.

No processo de luta contra as fundações, iniciado no final do primeiro semestre, ao contrário do que o DCE dizia de forma oportunista de que a reitoria iria barrar o re-credenciamento da Finatec, na última entrevista de José Geraldo (vide site unb) fica explícito seu posicionamento em defesa das fundações. Quando perguntado:

“(...) A universidade precisa das fundações? Sim. As fundações integram o modelo de gestão. A União, por meio de seus poderes Legislativo e Executivo, estabeleceu um modelo de gestão que se apóia nas fundações.(...)”.

Ou seja, na verdade tal argumento falso foi utilizado pelo DCE, depois do correto impedimento do CAD (dia 18 de junho), para se contrapor e amortecer o avanço da ação direta e na prática caminhará para o re-credenciamento da Finatec. Tal fato demonstra que a política da Oposição CCI estava correta em caracterizar a reitoria enquanto agente do neoliberalismo e a necessidade de avançar na radicalização da ação direta (em oposição a política covarde de sensibilização dos conselheiros!) para quebrar o consenso governista e avançar na luta.

Os para- governistas da ANEL/PSTU/ “não vou me adaptar” mais uma vez na luta contra as fundações ficaram a reboque do governismo. Juntos com o DCE defenderam a não continuação da ação direta e impedimento dos CAD’s (que iriam discutir o re-credenciamento da Finatec), para apostar na sensibilização do conselheiros e no suposto posicionamento contrário do Reitor às fundações, legitimando um espaço democrático-burguês e viabilizando a política governista na UnB. A proposta do PSTU para a luta contra as fundações é novamente plebiscitos e abaixo-assinados furados e sem eficácia (vide plebiscito “contra o REUNI” e “contra o leilão da Vale”), expressando mais uma vez sua escolha pelo caminho legalista e reformista ao invés do caminho da luta classista e combativa.

Logo no começo desse segundo semestre, no final da primeira semana de aula, no dia 21/08 – sexta feira, a Reitoria chamou pela manhã uma “aula de inquietação” que não passa de um circo da reitoria para corroborar uma imagem supostamente progressiva . Já pela tarde organizou um Seminário: “Fundações de Apoio: necessidades e exigências” com a burocracia universitária e representantes da Finatec, Fubra, etc. com a linha clara de através do seminário avançar o processo de re-credenciamento da Finatec e dar legitimação para as fundações parasitas na universidade. No Seminário, o MEC, confirmou compromisso e meta da Secretaria de Educação de estar buscando dar o suporte jurídico/legal as atividades dos professores nas fundações. Isso deixa claro a articulação e sintonia da política neoliberal privatizando do Reitor Jose Geraldo e da conclusão do Seminário exposto em manchete no site da unb: “Fundações sim. Mas dentro da Lei.”.


Reconstruir um movimento estudantil sob escombros.

A Oposição CCI defende que os estudantes tomem pra si a responsabilidade de reerguer um forte movimento estudantil de caráter combativo, para enfrentar sem hesitação as políticas capitalistas/neoliberais para o ensino superior. Por isso conclamamos que os estudantes do povo, principalmente os calouros que ainda não se acomodaram com as visões pós-modernas e pequeno burguesas, venham e tomem seu espaço reconstruindo e dirigindo os C.A’s de seus cursos. Acreditamos que desde já onde se tenha forças organizem-se coletivos de curso centralizados pela Oposição CCI levando uma proposta de luta intransigente, organização, compromisso e politização aos Centros Acadêmicos. CA é pra lutar não para se drogar!

A idéia que domina vários CAs de que não precisamos de organização, ou que eleger coordenadores ou uma diretoria seria burocratização é falsa e só agremia porraloucas, nós defendemos uma política de organização pelo poder das bases estudantis que leve uma direção concreta a luta. Por isso propomos para os C.As: direção colegiada(com revogabilidade de mandatos) + GT´s abertos, assembléia geral do curso como órgão deliberativo regular; Para o DCE: diretoria colegiada, com conselho de delegados de base acima da diretoria e um Congresso Geral de Estudantes.


Só a política correta pode levar os estudantes à vitória.

Neste segundo semestre de 2009 a Oposição CCI defende que o estudantado deve se armar sob os seguintes pressupostos: a) Consolidar uma organização estudantil de base de caráter anti-governista, b) Combater a política de “frente única consensual” com os setores governistas da UNE, proposta conclamada pelos para-governistas do “coletivo não vou me adaptar/ANEL”, que deixa o movimento refém das sabotagens e do atraso político da burocracia estudantil, c) Ter uma política combativa de enfrentamento, pois ao contrário do que diz o DCE governista e seus satélites, a manifestação de impedimento ao CAD(Conselho de Administração da UNB) em junho do semestre passado, foi o que demonstrou nossa capacidade de mover as peças no tabuleiro, ainda que timidamente causando uma crise no “consenso José Geraldo”. Neste semestre temos de ampliar esta política de combate e não amortecê-la.

Nossa luta tomará contornos concretos a partir da aliança entre estudantes e trabalhadores da UnB sob uma direção classista e anti-governista para a luta. É necessário organizarmos um calendário de agitação e propaganda contra fundações e a política neoliberal do Governo Lula. A estratégia da ação direta, que se opõe a metodologia de abocanhar pequenos espaços entre a pequena e podre burocracia dos conselhos univesitária, deve dar a tônica de nossas lutas com piquetes, impedimentos de CAD, manifestações e ocupações.


Reorganizar os CA’s sob as bandeiras do classismo e da ação direta!

Combater a política neoliberal da Reitoria e do DCE governista!

Fora fundações parasitas!


3 comentários:

Felipe de Oliveira disse...

Estudantes proletários? Ciências Sociais tem estudantes proletários?!

Quando a gente passa lá pelo Caso, não é bem o que se vê, confesso.

Acho que toda a retórica apresentada aqui seria útil se estivéssemos em Paris, em 1871, ou na Rússia de 1917.

A cura para uma cefaleia é arrancar a cabeça? Acho que não.

Oposição C.C.I. disse...

Creio o Felipe não está tão bem informado. Você não pode julgar o curso por sua passagens no CASO e o ANTRO que aliás costumam ser ponto de uma jucnetude pequeno-burguesa que não busca a luta, e que por incrível que pareça tem o discurso igualzinho ao seu.
Bom, mas este não é ponto mais importante, segundo que nos dirigimos a todos os estudantes proletário da UNB, afinal temos atuação em CS, Biblioteconomia, Geografia, Economia, história, Química noturno, e não só em CS.

Você reproduz um discurso pronto, sem analisar a universidade, as correlações de forças e o programa das elites nacionais para o ensino superior e médio(Lei de inovação tecnológica, o REUNI, as FDP). Se quiser te indico nosso próprio blog, ou site do ANDES-SN.
As condições objetivas estão colocadas, a exploração(terceirização/precarização, mais valia está aí), a privatização do ensino superior etc. Enquanto existirem as condições objetivas, a propriedade privada, a luta dos deserdados e trabalhadores continua, quer vc queira ou não.

Gloriosos foram a Comuna de Paris e a Revolução dos Sovietes, mas os trabalhadores seguem acorrentados, a luta continua!

Oposição C.C.I. disse...

Creio o Felipe não está tão bem informado. Você não pode julgar o curso por sua passagens no CASO e o ANTRO que aliás costumam ser ponto de uma jucnetude pequeno-burguesa que não busca a luta, e que por incrível que pareça tem o discurso igualzinho ao seu.
Bom, mas este não é ponto mais importante, segundo que nos dirigimos a todos os estudantes proletário da UNB, afinal temos atuação em CS, Biblioteconomia, Geografia, Economia, história, Química noturno, e não só em CS.

Você reproduz um discurso pronto, sem analisar a universidade, as correlações de forças e o programa das elites nacionais para o ensino superior e médio. Se quiser te indico nosso próprio blog, o site do ANDES-SN.
As condições objetivas estão colocadas, a exploração(terceirização/precarização, mais valia está aí), a privatização do ensino superior etc. Enquanto existirem as condições objetivas, a propriedade privada, a luta dos deserdados e trabalhadores continua, que vc queira ou não.