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segunda-feira, 17 de novembro de 2014

[evento] Questão de gênero: emancipação e autodefesa das mulheres



O evento "Questão de gênero: emancipação e autodefesa das mulheres" pretende debater o inquietante elo entre o imediato e o histórico na questão da emancipação feminina. Para tanto, convidamos representantes da UnB e da UFMS para mediar este debate. Trata-se de assunto polêmico, no que vale o esforço de pensarmos as ações individuais e coletivas do "hoje" e do "amanhã", as relações nos ambientes públicos e privados, de homens e de mulheres, enfim, na sociedade. Como atuar nos âmbitos micro e macro para a superação, vista e sentida ainda hoje, da assimetria de gênero? Quais são e como pensam as diferentes vertentes do feminismo a este respeito? Mas com pretensão de superar o debate meramente teórico, o Evento debaterá as recentes experiências dos Comitês de Autodefesa das Mulheres construidos e em construção em várias cidades brasileiras. Tratam-se de experiências para formar politicamente e realizar seções práticas de autodefesa das mulheres. Pensando a proteção no dia-a-dia e em protestos coletivos, os Comitês realizam treinamento da impostura de voz, bem como o fortalecimento moral e psicológico de jovens e trabalhadoras. Mas então, como os Comitês de Autodefesa podem se transformar em mecanismos de emancipação das mulheres? Venham debater conosco!

Dia: 25 de novembro (terça)
Horário: 12h - 14h
Local: Auditório do IH (Subsolo do ICC Norte, UnB - Campus Darcy Ribeiro)


* Ao fim do debate, haverá uma breve oficina de Autodefesa para as interessadas.


segunda-feira, 29 de julho de 2013

“Caiu na Redes é… (estupro)”: A naturalização da violência contra as mulheres

violencia_genero

No último dia 24, durante as comemorações de aprovados no segundo vestibular de 2013 para a UnB, estudantes da Engenharia de Redes ergueram um cartaz no qual se lia “Caiu na Redes é… (estupro)“. A atitude vem gerando grande repercussão, desde acalorados debates nas redes sociais e a instauração de um processo de investigação pela Reitoria. Os dois alunos que aparecem na foto segurando o cartaz emitiram notas na qual se mostram “arrependidos” pela atitude de “mau gosto” (suas notas podem ser lidas em http://www.facebook.com/dce.unb) . É preciso tomar partido nesta discussão.

terça-feira, 30 de outubro de 2012

Carta de rompimento com o coletivo "Juntos Somos Mais"

Toda sorte de crítica já foi lançada sobre a Oposição CCI. Muitas delas, quando feitas de forma séria, sempre buscamos responder à altura - defender ou revisar nossa posição, se for o caso. Apesar disso, o que mais se ouve são críticas infundadas usadas para desmoralizar e afastar estudantes de sequer conhecer "com os próprios olhos" a Oposição CCI. Não é preciso dizer que nenhuma destas mentiras descaradas foram provadas pelos seus acusadores. Para a CCI, a disputa da consciência política, ou de "corações e mentes" como se costuma dizer, nunca se deu na base do coleguismo ou do rebaixamento de nossas bandeiras para agradar outros. A aproximação política não-sectária, o trabalho de base etc. é capaz de desvendar muitos mitos que são ditos. Prova particular disso é a carta pública lançada pela companheira Flores esclarecendo seus motivos de ruptura com o "Juntos Somos Mais" (uma chapa hegemonizada pelo PT que depois de perder as eleições de DCE virou um "grupo") e declarando seu apoio à Oposição CCI. Sem mais delongas, segue a carta integral abaixo:




Querid@s amig@s,
Acho que pra todos os militantes do grupo já é bem claro a quanto tempo estive distante do mesmo, e isso, desde às últimas eleições. Sempre fui uma militante independente de partidos, mas que ainda acreditava na disputa interna de grupos suprapartidários, entre outras estruturas. A questão não é a mera ordem organizacional dos partidos ou método programático, mas a percepção das relações de poder que sempre está em disputa e pra que modelo de Estado corrobora. Discordo do projeto de Estado que a maioria dos partidos tomam para si: O modelo desenvolvimentista de nação. Não tenho a ilusão que um país bem desenvolvido economicamente seja o vislumbramento de uma sociedade socialista. É muito mais o ocultamento da condição de superexploração d@s trabalhadores via transnacionais, por exemplo, mesmo que o mundo do trabalho não se esgote em sua complexidade, até porque o que produz pode ser ao mesmo tempo material e imaterial. De antemão, apesar de achar legítimo politicamente, afirmo que não é mais o modelo de militância que vislumbro pra mim daqui pra frente. Gostaria de deixar bem claro que não é nenhuma questão pessoal nem o questionamento da militância d@s companheir@s, com @s quais tive muitas vivências e experiências enriquecedoras, mas, sim, divergência político-ideológica. Até por isso, acho justo compartilhar sinceramente com o grupo a minha decisão.
Não obstante, venho comunicar o meu rompimento com o coletivo Junt@s Somos Mais e declarar meu apoio à CCI. Sim, é surpreendente, até pq não apoiei o coletivo nas eleições do CASO justamente por nunca ter entendido como o grupo construia o feminismo. Isso não é fruto de uma conversinha aqui outra ali ou de meras aparências, mas da formação política do grupo da qual participei, ao meu ver, muito qualificada e responsável com a política que propõe. Pude perceber que o sectarismo que eu tanto criticava na verdade era controverso. Antes o percebia como a pior estratégia em ações políticas pontuais, e apenas a crítica da construção oportunista ou vanguardista do grupo X ou Y no movimento estudantil. Porém, esse tempo distanciada da militância, muitas vezes tarefista, tive tempo pra refletir e me reformular politicamente. Entre essas reflexões, também fruto de mais estudo teórico ao qual me propus, está a questão que hoje é central pra entender um dos fatores contemporâneos que mais fragmentam a esquerda: A ideologia pós-moderna. Muito embora, pelo menos na antropologia, sua importância seja a preocupação com o lugar social das identidades, a forma como ela opera tanto no âmbito acadêmico como no movimento estudantil reforça um dilema central: A impossibilidade de conciliar alteridades com unidade política e leia-se de esquerda. O próprio avanço do capitalismo na história contribuiu para que as relações de produção do mundo do trabalho fossem fragmentadas e especializadas. A consequência na academia, por exemplo, é a não centralidade da categoria classe. Pra mim não é diferente também a individualização extrema das subjetividades.
No mais, nenhuma identidade existe em essência, mas em relação, e, segundo estratégias de se operar o poder. Na política em geral, muitas vezes percebo a utilização das identidades enquanto democracia instrumental. Isso é notável na forma como grupos apoiadores geralmente militam em movimentos sociais e neles sim há a importância central do protagonismo de sua base que se articula com uma identidade específica. Assim, evitamos cair em um vanguardismo cego. Na democracia instrumental, o empoderamento das alteridades que clamam por emancipação passa a ser apenas aparência muito útil ao capitalismo. Ele se apropria e muito dessas identidades para lançar novos mercados. Contudo, a única possibilidade de unidade política em meio a identidades tão fragmentadas é a classe. Se eu deixar de acreditar nisso, companheir@s, acredito que a luta da esquerda também possa estar desacreditada. Que nunca desacreditemos!!!
Flores.