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terça-feira, 10 de novembro de 2015

O GERMINAL nº 38 - Novembro de 2015


 

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Leia versão para impressão aqui 

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NENHUM C.A. SE MOVE



A reitoria, em um novo ataque aos estudantes, está tentando retirar o espaço físico dos Centro Acadêmicos! A desculpa da vez é que os CA’s são entidades privadas (!!) que estão se apoderando do espaço de uma universidade pública. Estranhamente a mesma acusação não é feita sobre os bancos existentes no campus.

A proposta atual da reitoria é criar um “CA4” colocando o Serviço Social, a Filosofia, a Geografia e a História no espaço que atualmente é ocupado pelo CAHIS. A outra proposta dada foi que os quatro cursos abandonem seus CA’s e fiquem com uma sala dentro de seus respectivos departamentos. Uma terceira proposta foi a ocupação de parte do Módulo 26 para dois CAs e a divisão do atual CAHIS para outros dois CAs.

Os CA’s são espaços essenciais para a mobilização política da comunidade acadêmica e também para momentos de confraternização dos estudantes. A retirada desses espaços é mais uma tentativa de acabar com as mobilizações estudantis contra os ataques do governo e da reitoria, bem como ceifar a liberdade de expressão e convívio dos estudantes.

O DCE Aliança pela Liberdade, que tenta criar uma cultura de apatia política dentro da UnB, não irá lutar ao lado dos estudantes pela permanência dos CA’s. Os estudantes não podem recuar frente a esses ataques. Os centros acadêmicos com luta foram ocupados e com luta serão mantidos! É necessário mobilizar os estudantes não só pela permanência do espaço físico, mas pela revitalização da vida política desses espaços!

Nenhum CA se move! Fora reitoria fascista!

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PM no Campus:
Não é segurança, é repressão!


No dia 22 de outubro, pudemos observar com clareza os objetivos da reitoria ao autorizar a atuação da PM dentro do campus: a repressão a qualquer tipo de manifestação da comunidade acadêmica! Neste dia ocorreu um ato organizado pela Articulação de CA´s contra os aumentos nas tarifas de ônibus e restaurantes comunitários, bem como contra os cortes na Educação, que são ataques diretos aos direitos dos estudantes, como os atrasos da bolsa permanência e os “atrasos” na abertura de novos editais, o que impede que estudantes de baixa renda possam se inscrever no programa.

O ato foi abordado de maneira truculenta ainda dentro do campus pela PM, que chegou atirando spray de pimenta nos manifestantes, empurrando fotógrafos que acompanhavam o ato... Armados com cacetes e FUZIS, os policiais ameaçaram o tempo inteiro os manifestantes, alegando que estes não poderiam “fechar” as vias da UnB.

Ficou claro de onde partiu a ordem dessa atuação, uma vez que alguns manifestantes fizeram uma denúncia na corregedoria da PM, que se manifestou dizendo que nem sabia do ocorrido, ou seja: Quem “acionou” e ordenou o batalhão foi o próprio REItor, Ivan Camargo. Apareceram no ato até viaturas do GTOP (Grupo Tático Operacional), grupo que geralmente é acionado para ocorrências com conflitos armados!

Não aceitaremos situações como esta dentro do campus! Foram milhares os estudantes que lutaram pelo direito à livre expressão e manifestação, para que hoje possamos nos posicionar politicamente frente à nossa realidade. Seguiremos lutando contra a precarização que nos é imposta, bem como pelo fim da PM, no campus e na sociedade!



Não nos amedronta a truculência policial: Cada confronto nos dá mais força! Fica o aviso.


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A “Articulação de CA’s e Estudantes Independentes da UnB” é um movimento de base preocupado em lutar, estudar e trabalhar pelas demandas estudantis e populares. Venha para reuniões e atividades! Conheça mais: www.facebook.com.br/articulacaounb


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Conheça o Comitê de Propaganda da RECC!
Leia a proposta do grupo n’O GERMINAL nº37
Acompanhe atividades no site e venha construir!



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Greves no DF, o que nós temos a ver com isso?



O Distrito Federal vive hoje um momento crítico. O povo trabalhador e os estudantes vêm sendo atacados por todos os lados. A nível nacional o Governo de Dilma/PT implementou o Ajuste Fiscal com corte de 70 bilhões do orçamento geral da União, afetando principalmente a Saúde e a Educação, fato que será responsável por um corte de quase 50% das verbas da UnB em 2016 (Campus).  Os efeitos locais dessa política são aplicados pelo Governador Rollemberg/PSB, que já em seu terceiro pacote de austeridade, anunciou em setembro o aumento absurdo das passagens de ônibus e a suspensão do reajuste de 32 categorias do funcionalismo público do DF.

Tendo em vista o caráter nacional e local dos ataques contra o povo, a burocracia sindical da CUT e CTB visando blindar o governo Dilma, foi incapaz de articular um movimento grevista unificado no serviço público federal, estadual e municipal, contra os cortes na educação, por exemplo. A greve das universidades federais definhou no isolamento e na desmobilização. Já no DF todas as condições estão dadas para uma greve geral frente ao “tarifaço” do GDF, pois os ataques são múltiplos, mas as mesmas burocracias sindicais pouco vêm fazendo para mobilizar suas bases, realizar piquetes, atos de rua e ocupações. Fato questionado por suas próprias bases.

Hoje mais do que nunca, os estudantes e trabalhadores, precisam ter claro que o Ajuste Fiscal é um ataque da classe dominante contra os direitos de todo o povo trabalhador e estudantes, em todas as esferas de sua vida e por tempo prolongado. A nossa resposta também precisa ser de classe e nosso trabalho hoje é romper o isolamento e construir mobilizações unificadas, com atos de rua e participação das bases. Por isso os estudantes da UnB precisam se somar as mobilizações gerais, se organizar dentro e fora da universidade através da Articulação de CA’s em oposição aos ataques da Reitoria e a cumplicidade Aliança pela Liberdade/DCE. 

Derrotar o aumento de tarifas do GDF! Não ao corte de verbas na educação! Construir mobilizações unificadas rumo a greve geral!

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Supexexploração das/os terceirizadas/dos da área de limpeza na UnB


A empresa Apecê, contratada pela UnB para cuidar das atividades relacionadas à limpeza das diversas regiões da universidade, recentemente aumentou a carga horária de trabalho dos/as trabalhadores/as sem uma justificativa convincente até o momento. Das suadas 40h semanais essas pessoas passaram a trabalhar cerca de 44h semanais, porém, sem nenhum aumento sobre o péssimo salário que já recebem, e ainda sobe ameaças constantes de demissão.

Tais medidas tomadas pela empresa citada e até aqui toleradas pela reitoria da UnB fortalecem um regime com características de pleno desrespeito e exploração da classe trabalhadora terceirizada já tão desvalorizada e mal remunerada. Terceirizados/as em sua maioria tem uma cor comum, por sinal, negra, e também habitam locais comuns no DF e entorno, regiões essas com uma série de problemas sociais, além de enfrentamento do transporte caríssimo e precário do Distrito Federal.

Estudantes advindos do povo e que lutam por esse denunciam a exploração das/os terceirizados/as da empresa Apecê na Universidade de Brasília e buscarão todas as formas possíveis no combate a tais medidas exploratórias, inclusive uma resposta esclarecedora da reitoria da universidade de Brasília.

NENHUM DIREITO A MENOS! COMBATER A EXPLORAÇÃO DA CLASSE TRABALHADORA!

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A Universidade é dos Estudantes!


Nos últimos meses, nós estudantes nos vemos num cerco que cada vez mais tem se fechado: Por um lado a Reitoria tem corrido para aprovar o Código Disciplinar Discente, um quadro de normas abusivas para en-quadrar os estudantes da UnB, por outro tem ameaçado os Centros Acadêmicos de História, Geografia e Serviço Social de desalojo, ou perca de espaço físico destes...

O código disciplinar que o reitor quer enfiar “goela abaixo” nas/os estudantes se tratada proibição do livre pensar e manifestar numa universidade federal! Já a política de perseguição aos Centros Acadêmicos, tem se demonstrado como um verdadeiro desrespeito a auto-organização dos estudantes.

De quebra, a reitoria ainda tem coagido, através de seus “assistentes sociais”, os moradores da Casa do Estudante, a CEU, com normas absurdas, onde até estender roupa no varal pode ser motivo para “advertência”, sendo que no acúmulo de 3 advertências, o estudante é expulso da CEU, assim perdendo direito ao programa de moradia!

Não podemos nos curvar a estas ofensivas autoritárias da reitoria! A organização dos setores perseguidos nesta universidade é urgente, uma vez que as instâncias burocráticas nunca beneficiam a democracia, ao contrário, em tudo favorece aos setores elitistas da UnB que querem a completa desorganização dos estudantes para conseguir implementarem suas políticas! Não deixaremos que nos roubem espaços históricos, bem como não nos calaremos diante dos abusos autoritários! Essa é a ordem do dia na UnB! 

Lutar para se estudar! Estudar para lutar! Avante estudantes do Povo! 


sexta-feira, 16 de outubro de 2015

[2007-2015] 8 anos de CCI. 8 anos d’O GERMINAL: um registro da história recente do movimento estudantil da UnB e do Brasil

Em 2015 a Oposição CCI completa 8 anos de luta e organização. Algumas gerações de lutadores já passaram, se formaram (acadêmica e politicamente) e continuam lutando nas trincheiras do povo junto à CCI agora no FOB. Neste tempo, editamos nosso Boletim aperiódico: O GERMINAL.
 
Embora seja uma modesta publicação, de limitada circulação, escasso fundo de autofinanciamento, neste oito anos tocamos em importantes acontecimentos políticos desta Universidade. Acreditamos que a história do movimento estudantil da UnB não pode passar longe da história das organizações políticas e estudantis que aqui militaram, e assim é com a Oposição CCI/RECC, e assim é com O GERMINAL.
 
Uma história recente do nosso movimento está registrado em nossa páginas, evidentemente com nossos pontos de vista, de interpretação e proposições: não podemos ser neutros quando a história é um trem em pleno movimento. Concordando ou não, mantemos nossa publicação e ela precisa ser conhecida/reconhecida.

Por isso, e aproveitando o chamado à construção de um Comitê de Propaganda da RECC (onde a concordância com nossas publicações é um requisito), lançamos todas as edições do boletim - desde suas primeiras edições quando sequer tinha nome. Desde a ocupação da reitoria de 2008; da nossa participação no Pólo Revolucionário da Conlutas; da implantação da paridade; das eleições de CAs e DCEs; das jornadas de junho; as greves e um longo etecetera: as páginas d'O GERMINAL registram a história recente do movimento estudantil na UnB e no Brasil.

Vida longa a Oposição CCI! Vida longa a'O Germinal!
Viva o movimento estudantil combativo, classista e independente!
Ir ao combate sem temer, ousar lutar, ousar vencer!
 
( Leia abaixo!!!)

domingo, 13 de setembro de 2015

O GERMINAL, nº 37 - Construir um Comitê de Propaganda da RECC

Ano VIII, edição nº 37 - Setembro de 2015


Leia a versão impressa d'O Germinal nº 37 aqui 

 

COMITÊ DE PROPAGANDA DA RECC


O mercado monopolizado

O marketing comercial invade nosso cotidiano. São inúmeros anúncios nas redes sociais, televisões, outdoors, e nem mesmo o íntimo de nossas vidas é poupado. Uma enxurrada de estímulos ao consumo e pontos de vista parciais dito neutros. E ainda achamos isso tudo normal?
O mercado de mídia corre na seguinte lógica: o capital investido vira produto e este comercializado retorna em lucro, e assim por diante. Entretenimento e comunicação só fazem sentido se se cumpre esta “lei do lucro”. E como toda comunicação, não possuí neutralidade: serve ao ponto de vista de seus proprietários.
Não obstante ser um “mercado”, a mídia é altamente monopolizada no Brasil. Globo, Sílvio Santos, Bandeirantes e Igreja Universal respondem por 70% de todo sistema, como televisão e jornais. E mesmo que digam ser a internet democrática, nela também fazem lucro (vide Google) e nem de longe o “blog” de um mortal como nós é comparado à irradiação dos oligopólios citados. Isto é um atentado à pluralidade.
Mas e se outras empresas “dividissem” o ramo? Ainda assim continuam de fora a emissão do ponto de vista dos estudantes-trabalhadores e sua classe por não deter estes meios de produção.

 

A mídia independente

A “disputa” com os oligopólios é ferrenha e desleal. É uma guerra irregular, mas nós temos nossas armas. São dezenas ou centenas ou milhares de iniciativas dispersas ou que servem a grupos independentes do mercado. Os boletins O Germinal e Avante!, da Oposição CCI e RECC, respectivamente; ou ainda a incipiente Rede de Mídia Classista (RMC), órgão do Fórum de Oposições pela Base (FOB), exemplificam isto.
Podemos adicionar diversas iniciativas culturais: o grafite, o rap, intervenções urbanas, rádios comunitárias, estêncil e por aí vai. São armas preferenciais da juventude e povo marginalizado da “grande mídia”. E estas formas de expressão cultural são também formas de comunicação.

 

Comunicação no movimento estudantil e popular

Enquanto somos bombardeados pela comunicação do capital, alguns colegas ainda reclamam do carro de som que anuncia a greve e assembleia dos servidores; de passagens em sala para informes estudantis; de cartazes de papel pardo feitos a mão; de grafites nos muros; dos panfletos distribuídos etc.
Estas e outras são todas formas de expressão e propaganda autônomas. Não são necessariamente os métodos que escolhemos. São os que nos sobram. Mas como não deveremos nada à lógica do capital, preferimos nos manter autônomos: em nossa política e em nosso financiamento. Temos apreço e utilizaremos vastamente cada uma destas “formas marginais”. Elas são fundamentais à todo e qualquer movimento estudantil e popular.
Mas não esperamos por meio desta propaganda superar a capacidade e alcance da “grande mídia”. E nem educar o povo (como se este fosse ignorante). Não mesmo. Mas por meio da propaganda e agitação pretendemos oferecer um ponto de vista classista e combativo e, sobretudo, mobilizar os estudantes e trabalhadores para a ação política coletiva e organizada por nossas demandas.
Se a propaganda das “ideias em si” não mudam a vida, a ação muda. E esta é a finalidade: romper a resignação e o conformismo gerado pela grande mídia, e incitar a perseverança e a rebeldia.
No futuro e agora, será esta ação política, coletiva, organizada, classista e combativa que derrubará o monopólio da mídia e democratizará a comunicação. Da mesma forma é este o meio que conquistará a universalização do ensino superior; o passe livre irrestrito; o fim da carestia, e toda reivindicação justa.
Os proprietários, governos e reitorias podem até não temer nossos boletins, blogs e grafites. Mas não ficarão de pé quando o povo rebelde manter-se nas ruas por suas demandas. Afinal, “quando os de baixo se movem, os de cima caem”. E este é o modesto papel que a RECC se propõe. É para isso que convidamos apoiadores, simpatizantes e todo estudante e trabalhador interessado para construir um Comitês de Propaganda da RECC.
VENHA CONSTRUIR!



Objetivos, critérios, organização e reconhecimento político do Comitê de Propaganda da RECC (CP-RECC):

 

A proposta de construir um Comitê de Propaganda tem como objetivos:

a) Criar um espaço orgânico, mas de menor responsabilidades e comprometimento político, para reunir periodicamente apoiadores e simpatizantes da RECC;
b) Diversificar os meios pelos quais se faz propaganda, priorizando alternativas como: grafite, jornal mural, mural de cartaz, lambe-lambe, panfletagens, estêncil, sticks, produção de vídeos, páginas em redes sociais, batalhas de rap, repente, camisetas, cds de gritos de guerra, aulas públicas, shows, cobertura jornalística, edição de jornais, livretos, aplicativos e outros a serem propostos;
c) Agregar jovens cultural e socialmente marginalizados no ambiente elitizado e hostil da universidade;
d) Agregar estudantes classistas das áreas de comunicação, jornalismo, computação, música artes e afins para aplicar projetos/laboratórios de propaganda militante e arte-ativismo;
e) Aumentar a incidência de ações de propaganda combativa no movimento estudantil, e possivelmente de agitação e autofinanciamento para manter os projetos;
f) Criar espaço pedagógico para aprendizado militante: a luta educa;
g) Criar condições favoráveis à transição de membros do CP às instâncias orgânicas do FOB aos que assim desejarem;
h) Massificar atividades centrais da RECC, como protestos, debates acadêmicos, formação de chapas etc.;

 

Os critérios de participação seriam:

i) Acordo total ou parcial com materiais de nossa imprensa militante: O Germinal e Avante!;
j) Disponibilidade de pelo menos 3 horas no mês para as atividades do CP;

 

O modelo organizativo seria:

k) Autonomia e flexibilidade táticas não-excludentes com as táticas e linha política Estratégica da Oposição CCI/RECC;
l) O CP, enquanto CP, aplica ações dentro da linha política da RECC;
m) Autonomia financeira de arrecadação, mas podendo apoiar ou ser apoiada financeiramente pela RECC/FOB;
n) Reuniões mensais, de até duas horas, para debater textos curtos, planejar e executar atividades;
o) Pelo menos uma atividades mensal de propaganda;
p) As reuniões ocorrem como espaço aberto a todos interessados;
q) As deliberações devem buscar sempre e preferencialmente o consenso, mas na impossibilidade deste, deve-se votar sobre a execução de propostas excludentes;
r) Participar de determinadas reuniões e plenárias da Oposição CCI/RECC, sem direito de voto mas com poder de fala;

 

Sobre reconhecimento político:

s) O CP não responde pelas ações e política da CCI/RECC das quais divirja;
t) O CP responde pelas ações e políticas por ele mesmo aplicado;
u) A CCI/RECC não responde pelas ações e políticas dos indivíduos do CP enquanto indivíduos;
v) A CCI/RECC responde pela ação coletiva do CP enquanto CP;
w) O CP assina como CP, mas pode propagandear materiais pela CCI/RECC produzidos;

A Oposição CCI considera estes os pontos fundamentais, e está aberta para dúvidas, propostas e críticas dos interessados. Avante!

Pela memória de Honestino Guimarães, Edson Luís, Ieda Delgado e Paulo de Tarso!




sexta-feira, 11 de setembro de 2015

O GERMINAL, nº36: “Carta aos Estudantes, Centros Acadêmicos e Organizações Estudantis e Políticas da UnB: construir a união do movimento estudantil pela base.”


Ano VIII, edição nº 36 - Setembro de 2015

Versão para impressão d’O GERMINAL Nº36

Carta aos Estudantes, Centros Acadêmicos e Organizações Estudantis e Políticas da UnB: construir a união do movimento estudantil pela base. 


“Sei que a luta será longa e árdua, mas acredito firmemente na força da atuação coletiva das massas” – Honestino Guimarães 


1 – As eleições para DCE (Diretório Central dos Estudantes) se aproximam e muitos são os estudantes que neste período renovam suas intenções e esperanças por um movimento estudantil mobilizado e crítico, em especial distante da experiência dos três anos de gestão “Aliança pela Liberdade/Estudantes pela Liberdade”, quer dizer, distante da ação pragmática e liberal; 


2 – Compartilhamos desta esperança, e sob pena de cair em incoerência entre nosso “querer” e “fazer”, acreditamos que a esperança deve-se realizar como esforços concretos para agitar e organizar lutas coletivas, dentro e fora da Universidade, dia após dia, durante todo ano: manter a “apatia” fora do período eleitoral é colaborar com a política liberal-pragmática; 


3 – Por esta razão, embora consideramos válido a disputa do DCE em determinados períodos, não podemos reduzir a tarefa de reorganizar o movimento estudantil e popular da UnB à mera participação em eleições, seja compondo chapas, as apoiando ou votando: a missão é mais árdua, exige paciência e persistência num trabalho coletivo; 


4 – Ademais, acreditamos que, na atual conjuntura do país e da UnB, disputar as eleições para DCE é não somente irrelevante para a conquista da gestão do DCE “hoje”, mas também irrelevante à conquista do DCE no médio prazo e irrelevante para reorganização do movimento estudantil como um todo, razão pela qual a Oposição CCI defende o Voto Nulo nestas eleições e chama os estudantes para outra linha de ação; 


5 – Apesar do grupo “Aliança pela Liberdade/Estudantes pela Liberdade” mobilizar o voto de uma parcela do pleito estudantil a seu favor, majoritário nas últimas eleições, a necessária derrota da política pragmática e liberal só ocorrerá pela mobilização, não de votos, mas de um movimento de massas superior: tanto em sua formação teórico-política coletivista quanto em sua militância prática de ação direta; 


6 – Reduzir ou priorizar nossa ação à conquista de votos, embora frequente, é um erro imediatista, e até as tentativas de “unir a esquerda” em uma única chapa (a exemplo da “Manifesta” em 2014), excetuando boas intenções de estudantes independentes, acabam por ser “uniões” passageiras ou oportunista entre forças políticas, que logo se desunem e geram refluxo geral: nossa ação deve ser estratégica, pensar no médio e longo prazo; 


7 – A união necessária não deve priorizar eleições ou “acordão” entre forças e partidos políticos, esta prática deve ser revista e dar lugar à luta pela União do movimento estudantil pela base, democrático, forte e atuante, única condição hoje capaz de dobrar a gestão liberal-pragmática (ou qualquer outra) do DCE: pela base podemos dar a direção política, sem estar na gestão, e é isso o que importa; 


8 – A União pela base será o melhor mecanismo de resistir às atuais investidas, por um lado, do Governo e do Congresso com o ajuste fiscal, a Agenda Brasil e aprovação de leis retrógradas e, por outro, às pressões liberais, conservadoras e militaristas pelo impeachment: duas faces de uma mesma moeda que atentam contra a liberdade e o bem-estar do povo, e que devem ser combatidas pela construção da Greve Geral, um instrumento de poder popular; 


9 – Mas como organizar pela base? A resposta deve vir da ação cotidiana, com criatividade e contornando as dificuldades, entretanto três medidas são básicas: i) fortalecer o movimento dos Centros Acadêmicos (CAs), atingindo os mais de 40 mil estudantes desta instituição e com vista a realizar um Congresso Estudantil da UnB em 1º/2016; ii) realizar alianças entre os movimentos estudantil, sindical e popular; e iii) nos organizar em agrupamentos políticos, preferencialmente coletivos combativos, não-eleitoreiros e não-governistas; 


10 – Os CAs precisam organizar dezenas e centenas de estudantes em cada curso, para que multiplicados na Universidade, formemos um movimento estudantil de centenas e milhares nas ruas. Como? Propagandeando as iniciativas em salas de aula, em boletins impressos, em jornais murais; discutindo as pautas em Seminários de Formação; deliberando as táticas em Assembleias; e organizando Protestos de ação direta sobre a Reitoria e o Governo; 


11 – A aliança entre estudantes, trabalhadores e comunidade deve ser o tripé da resistência e da efetivação da Greve Geral, para tanto sendo preciso romper as políticas corporativistas de cada categoria, e unificando pautas específicas através da pauta de maior unidade, qual seja: o combate ao Ajuste Fiscal e todas leis retrógradas contra a juventude e classe trabalhadora: MPs 664 e 665, Lei Antiterrorismo, Lei da Terceirização, Estatuto da Família, PEC 215, Redução da Maioridade Penal e outras; 


12 – Mas também cada estudante pode potencializar suas intenções se se organizar em grupos de maior afinidade política para coordenar suas ações, e embora reconheçamos o direito de adesão e ação dos Partidos, somos decididamente contrários sujeitar o movimento estudantil ao apoio de governos e eleições no Estado, razão pela qual nos agrupamos na Oposição CCI cujo meio de luta é a ação direta coletiva, independente e organizada;





Para concretizar estas intenções, chamamos os estudantes, Centros Acadêmicos e forças políticas à mobilizar a UnB, bem como nossos locais de moradia e trabalho, em torno do seguinte programa construtivo:

Plano reivindicativo: 



A – Combater o Ajuste Fiscal e a Agenda Brasil do Governo e do Congresso que penaliza os direitos sociais e os serviços públicos, em especial a vida dos trabalhadores e estudantes, a exemplo da revogação dos cortes na educação e na saúde, entre outros; 


B – Recompor a política de Assistência Estudantil na UnB: abertura do Edital; bolsas permanência para 100% da demanda; abertura e pagamento das bolsas de iniciação científica e pós-graduação; autonomia estudantil na gestão da CEU (Casa do Estudante Universitário); ampliação do RU (Restaurante Universitário) e revogação dos aumentos ao público externo; entre outros; 


Plano organizativo: 



C – Fortalecer o trabalho de base nos CAs e trabalhar para que a atual “Articulação de CAs” existente opere sob os desígnios da democracia, representatividade, combatividade e pautada nos interesses coletivistas, e não um mero centro de oposição eleitoral ao DCE; 


D – Construir o Congresso Estudantil da UnB, previsto no Estatuto do DCE, com eleições de representantes por cursos para ser realizado em 2016, e deliberar sobre as estratégias políticas do DCE-UnB neste órgão soberano de poder das bases estudantis; 


E – Realizar Assembleias, Seminários e Marchas Unificadas entre estudantes, terceirizados, técnico-administrativos, professores e moradores/movimentos comunitários (Ceilândia, Gama e Planaltina), com vista a construção de uma Greve Geral contra o ajuste fiscal do Governo e pela ampliação de direitos sociais e serviços públicos e gratuitos; 


F – Por fim, se organizar permanentemente, local e nacionalmente, a exemplo da Oposição CCI, da RECC (Rede Estudantil Classista e Combativa) e seus Coletivos por Curso, para os quais reforçamos o chamado aos estudantes-proletários que conheçam, se organizem e lutem em nossas trincheiras. Em especial, convidamos aos nossos apoiadores e demais interessados a construção de um Comitê de Propaganda da RECC na UnB; 


Pela memória de Honestino Guimarães, Edson Luís, Ieda Delgado e Paulo de Tarso!

Combater o liberal-pragmatismo: DCE e CA é pra lutar!


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quarta-feira, 18 de março de 2015

O GERMINAL nº 35 - Março de 2015

 

O GERMINAL

 

Boletim da Oposição Estudantil C.C.I. – Filiada à RECC/FOB

www.oposicaocci.blogspot.com | oposicaocci@riseup.net
Ano VIII – Edição Nº 35 – Março de 2015 – Desde 2007, na luta pela Universidade Popular!


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Leia a versão em pdf. CLICANDO AQUI.


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Vida nova, novas lutas… Sejam Bem vindos!


Desejamos as boas vindas  aos calouros que entraram para a Universidade de Brasília este ano! Vocês encontrarão muita novidade pela frente, muitas portas estarão abertas e muito conhecimento acessível ao alcance de vocês!

Para muitos um sonho que se realiza, para a maioria a negação do estudo e da possibilidade de encontrar um futuro emprego mais qualificado. Vitória para quem entrou, mas nem tudo são flores do lado de cá. Este ano entramos já com paralisação dos terceirizados que não receberam do Governo estadual, e uma possível greve nacional dos técnicos e servidores administrativos da UnB.

Fora isso, nos deparamos com todas as eternas dificuldades enfrentadas pelos estudantes de baixa renda, na luta por moradia, assistência estudantil, respeito. Muitas possibilidades se abrem quando entramos para uma universidade federal, mas devemos lembrar que nossos direitos foram adquiridos através das lutas que estudantes – como Honestino Guimarães, Ieda Santos Delgado e Paulo de Tarso Celestino – e servidores desta universidade travaram antes de nós. Mas  ainda há muito o que fazer, e não podemos retroagir em nossa luta!

Convidamos todos os calouros a engajarem-se no movimento estudantil da UnB, participarem, opinarem e fazerem avançar a luta por nossos direitos e também conhecer e juntarem-se à nossa organização, a Oposição CCI aos DCE da UnB, para lutarmos por um ensino gratuito,de qualidade, universal e popular. 

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Construir os Comitês de Autodefesa de Mulheres e Defender a Luta Histórica contra o Machismo!


Comitê de Autodefesa de Mulheres da UFMS torna-se referência na luta contra o machismo: https://www.facebook.com/comiteautodefesaufms?fref=photo

Vivemos em uma sociedade de cultura machista e uma estrutura de classes, onde a classe dominante oprime a classe dominada e impõe um cotidiano de violência, desprezo, exploração e humilhação as mulheres, principalmente as trabalhadoras, negras e indígenas.

O estado – e todo o seu aparato jurídico e militar – em nada contribuem para a real emancipação da mulher, pois a legislação e as políticas de amparo são apenas alegorias do “estado democrático de direito” sem real eficácia. Mas de qual maneira as mulheres podem se armar contra esse sistema de exploração-opressão? Construindo a sua autodefesa!

Foi em 8 de Março de 1857 que mulheres operárias foram queimadas numa fábrica em Chicago, por reinvindicar além de melhores condições de trabalho e salário, a igualdade de ambos aspectos frente aos companheiros de chão de fábrica. Estas companheiras empenharam suas forças pela libertação de gênero e de sua classe e é essa herança de lutas a qual não deixaremos ser apagada!

Nacionalmente temos construído os comitês de autodefesa de maneira independentes e voltados para estudantes e funcionárias/os, partindo  da necessidade de organizar e preparar as mulheres para lutar contra a violência machista, de raça e de classe. Os comitês vem promovendo treinos para as participantes e realizando  debates diversos sobre temas correlatos. Os comitês de autodefesa nesses moldes já vem ocorrendo em diversos lugares do Brasil como na UFRRJ, UFMS, UNESP, UFG e UFC..  Esta iniciativa se faz necessária também na  UnB!

Solidariedade de classe para combater o machismo! Mulheres na linha de frente pela emancipação integral da classe trabalhadora!

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Em tempos de “arrocho” geral, a resistência coletiva é a única saída


Professores da Oposição de Resistência Classista protestam contra cortes na educação durante assembleia do Sinpro-DF (fev/2015)
Professores da Oposição de Resistência Classista (ORC/FOB) protestam contra cortes na educação durante assembleia do Sinpro-DF (fev/2015)


O ano de 2015 começou com um verdadeiro estelionato. Eleita com a promessa de “não atacar direitos trabalhistas e sociais”, o governo de Dilma (PT/PMDB) faz exatamente o oposto: dificultou acesso ao seguro desemprego, abono salarial, pensão por morte e auxílio doença (MPs 664 e 665). Venderam “tucano” por lebre!

Na educação, a demagogia do governo não poupou esforços. Logo após anunciar o (enganoso) lema “Brasil: pátria educadora”, lançou também um corte de verba, onde o Ministério mais afetado será justamente o da Educação. A previsão é de cortar R$ 7 bilhões de seu orçamento anual. Este “ajuste fiscal” já gera impactos negativos.

Desde janeiro o MEC suspendeu o repasse de 30% da verba às universidades. Em diversas instituições, e também na UnB, bolsas de estudo e permanência foram atrasadas, oferta de vagas nos programas de assistência estudantil não acompanharam o aumento da demanda e trabalhadores terceirizados sofrem com o atraso de salários e ameaça de demissão.

Para piorar, o aumento do custo de vida sobe absurdamente. O aumento da luz, da gasolina, do supermercado, do aluguel anulam o pífio aumento do salário mínimo de 8,8%. No DF, o aumento da conta de água é a mais caro em 10 anos. E o governo Rollemberg (PSB) ainda ameaça aumento de tarifa no transporte.

Com medo de que os danos da crise capitalista cheguem no Brasil, os governos jogam a conta nas costas dos trabalhadores e estudantes. Mas esta conta não é nossa! E nós não vamos pagá-la! Aos estudantes trabalhadores, filhos de trabalhadores e que dependem dos programas de permanência, tempos de “vagas magras” se anunciam! Na universidade e nas ruas, só nos resta resistir e lutar!

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A “REI”toria de Ivan Camargo: uma pedra no caminho…


Ocupação da Reitoria da UnB em 2014. Todos os partidos e grupos reformistas debandaram. A ocupação foi mantida por estudantes e grupos independentes e combativos e que alcançaram o arquivamento dos processos administrativos!

A UnB é dirigida pela equipe de Ivan Camargo desde 2012. Sua gestão vem sendo alvo constante de conflitos com os estudantes e terceirizados. Vamos recapitular alguns episódios:
  1. No início de 2013, aprovou as “Regras de Convivência” que colocou na ilegalidade a realização autônomas de festas e eventos acadêmicos pelos estudantes;
  2. No 2º semestre de 2013, Ivan Camargo solicitou reintegração de posse da sala BT 260 ocupada por estudantes que reivindicavam assistência, efetivado pela Polícia Federal;
  3. Ainda em 2013, reativou do Conselho Diretor da FUB, órgão por onde passou os esquemas de corrupção do ex-reitor Timothy Mulholland que só caiu após a ocupação da reitoria em 2008;
  4. Durante sua gestão, centenas de trabalhadores(as) terceirizados foram demitidos ou perseguidos politicamente. Terceirizadas foram demitidas ilegalmente pelas empresas por estarem grávidas, sob a conivência da Reitoria;
  5. No 1º/2014, o Restaurante Universitário aumentou de R$ 5 para R$ 10 o valor da refeição à comunidade externa. Em paralelo, abriu uma seção “gourmet”, discriminando os usuários mais pobres;
  6. Também em 2014, Ivan Camargo abriu processo administrativo e ameaçou com processo civil e criminal 8 estudantes que participaram de “catracaços” no RU. Ao ocuparem a reitoria para arquivar os processos, os estudantes – que saíram vitoriosos – sofreram ameaça de reintegração de posse e corte de energia;
Estes episódios indicam o que foi e o que será a gestão Ivan Camargo: autoritária, repressora, elitista e privatista! Chega de “lero-lero”, daqui pra frente é só ação direta!

* * *

O que é a Oposição CCI?


A Oposição Combativa, Classista e Independente ao DCE-UnB surge em 2007. Ela não se opõe a uma gestão de DCE em particular, mas ao parlamentarismo estudantil como um todo. A CCI é uma organização de base com o objetivo de lutar pelas demandas básicas dos estudantes. A longo prazo lutamos pela construção de uma Universidade Popular, onde o povo tenha acesso livre e o conhecimento produzido seja voltado aos interesses do mesmo. Para isso acreditamos que é necessário reorganizar o Movimento Estudantil sob as bandeiras da ação direta, da unidade com os trabalhadores e de um programa anti-governista. Possuindo militantes em diversos cursos, nos organizamos nacionalmente através da RECC (Rede Estudantil Classista e Combativa) e do FOB (Fórum de Oposições pela Base).

Lutar para estudar, estudar para lutar!


sexta-feira, 21 de março de 2014



O GERMINAL
Boletim da Oposição Estudantil C.C.I.
www.oposicaocci.blospot.com  | oposicaocci@yahoo.com.br
Ano VII, nº32 - Março de 2014 - Desde 2007 na luta pela Universidade Popular



Quando o “novo” fica velho:
cotas, esquerda, Aliança e o CEB proto-Parlamentar[1]

Preto na universidade causa mesmo problema. Em pleno debate que se institui na UnB sobre retirada ou adição das cotas raciais às cotas sociais, o espaço do movimento estudantil parece não pertencer aos estudantes. O Conselho de Entidades de Base (CEB – reunião do todos os Centros Acadêmicos da UnB) convocado para 20 de março, dirigido pela gestão do DCE - Aliança Pela Liberdade, preferiu debater festas e ignorou as cotas. Poderiam ter fingido algum interesse no debate. Mas nem a presença significativa do movimento negro convenceu a Aliança. Vão ficar confinados na opnião “democrática 2.0”, mera virtualidade. Os pretos novamente tiveram que se retirar do espaço. Era que, presencialmente, discutir os investimentos, lucros e riscos do Bota Fora era mais importante.

Até aqui nada de novo. É o que a Aliança se propõe, é o que a Aliança faz. Mas seus métodos são cada vez mais aprimorados. Neste CEB, os Centros Acadêmicos nem tiveram a oportunidade de votar a pauta antes do início da sessão. Nem antes, nem depois. Durante a pauta das festas, a segunda fala de um colega do serviço social criticou que na oportunidade estávamos deixando de debater cotas e propôs a alteração da pauta. Uma questão de ordem que sequer foi considerada. Como se diz no jargão, a direção do CEB “atropelou”, “tratorou”.

Mas tudo que é ruim pode piorar. Como não foi debatido a pauta no início da sessão do CEB, ao término da primeira pauta – eleições do DCE – a Aliança passou imediatamente para o outro assunto de seu interesse: as “populares” festinhas terceirizadas. Neste ponto tudo fez sentido: festas e (re)eleições de DCE.

É compreensível. Talvez tenha aumentado, mas não seja significativo a presença dos pretos e pobres na universidade. Logo, para que discutir cotas? A Aliança é favorável ao mérito, e certamente consideram menos mérito ingressar na UnB por cotas. Então se a grande parcela dos estudantes é branca e de classe de renda média e alta, festas talvez seja mesmo uma demanda mais emergente deste “mundo acadêmico”. Ao fazê-las, mais votos deste público, da “clientela” desta gestão.

Mas o que foi debatido na pauta “eleições”? Composição da Comissão Eleitoral. Justo. Já que a atual gestão do DCE deveria ter encerrada ano passado. Dois acontecimentos aparentemente sem importância merecem destaque. Primeiro, antes do início da eleição dos membros titulares e suplentes da Comissão, um estudante das ciências sociais quis adicionar seu nome e foi sumariamente vetado, tanto pela direção do CEB quanto pelo plenário, que se manifestou contra ou se calou. A alegação foi que, regimentalmente, os nomes deveriam ter sidos propostos até o início da sessão do CEB. Porém, regimentalmente, também se fala que os “postulantes a membros da Comissão Eleitoral deveriam estar presentes”. Um estudante da Engenharia não estava, e a Aliança permitiu que seu nome permanecesse na lista da Comissão. Ignorou o regimento neste caso. Usou dois pesos e duas medidas. Porque?

Segundo, é o motivo da insistência da Aliança na gestão do DCE mesmo tendo encerrado seu mandato. Esta questão de ordem foi colocada no CEB, e ignorada. Foi proposto que a atual Comissão Eleitoral, uma vez eleita, assumisse inteirinamente o DCE a partir dali até a ocorrência da próxima eleição. Qual alegação da Aliança para inviabilizar até mesmo o debate desta vez? A ata da Comissão Eleitoral deveria ser protocolada e autenticada pelo Cartório de registros. Só depois da Ata ser considerada válida pelo cartório poderia iniciar o processo eleitoral e só assim entregariam a gestão. Mas o que isso significa? Que a deliberação dos estudantes está subordinada a tutela de uma instituição reconhecedora de firmas e contratos. Quer dizer, uma instância que em nada tem a ver com o movimento estudantil. Um ente externo perante o qual devemos prestar contas e submeter nossas deliberações e documentos. Como se o CEB não fosse legítimo em si mesmo para ratificar sua Ata de reunião. O cúmulo da ingerência. Um absurdo burocrático.

E a “esquerda”? Bem, ninguém se manifestou. Certamente estavam atônitos com as próximas eleições de DCE, nem mesmo crítica a terceirização das festas fazem agora. Todos aqueles partidos que a Aliança genericamente gosta de criticar – PT, PCdoB, PSTU, PSOL , todos presentes, inclui-se Honestinas –, nenhum destes afirmou oposição diante da preferência das festas em detrimento das cotas, da inclusão de um nome da lista da Comissão Eleitoral e da extensão por motivos burocráticos da gestão do DCE. O PT ainda se expôs ao ridículo ao falar que votou errado para um nome da Comissão e quis voltar atrás. É óbvio que todos, inclusive a direita, reconheceu o oportunismo. O CEB negou.

Parece que esta esquerda partidária-eleitoral, igualmente burocrática, andou ensinando e aprendendo com os liberais da Aliança. O que estes partidos fazem no movimento sindical, permitindo a tutela do Estado e do Ministério do Trabalho sobre o movimento dos trabalhadores, agora a Aliança reproduz com adaptações no movimento estudantil. A Aliança é o “petezinho” na UnB, tudo que fere seus interesses e o “governo central” – a Reitoria, eles blindam. Ao fim, ela fez do nosso movimento o que os partidos eleitoreiros tanto ensinaram nos últimos anos: autoritarismo e burocracia. A exemplo do CEB, transformou o movimento estudantil num proto-parlamento. O povo não tem voz. E os pretos e pobres sairam perdendo hoje, novamente. Até quando? Junho mostra o caminho: vai ser necessário uma insurgência na UnB!

Oposição CCI – Combativa, Classista e Independente ao DCE da UnB
7 anos na luta com democracia de base e ação direta




[1] A Aliança Pela Liberdade foi eleita em 2012 defendendo o “parlamentarismo estudantil”, proposta formalmente rechaçada pelo CEB. No entanto, na prática, transformaram as instâncias do movimento estudantil naquilo que conceberam como “parlamentarismo”. Para entender esta concepção e a crítica, leia O GERMINAL nº27, de novembro de 2012: www.oposicaocci.blogspot.com