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quarta-feira, 16 de setembro de 2015
sexta-feira, 11 de setembro de 2015
O GERMINAL, nº36: “Carta aos Estudantes, Centros Acadêmicos e Organizações Estudantis e Políticas da UnB: construir a união do movimento estudantil pela base.”
Carta aos Estudantes, Centros Acadêmicos e Organizações Estudantis e Políticas da UnB: construir a união do movimento estudantil pela base.
“Sei que a luta será longa e árdua, mas acredito firmemente na força da atuação coletiva das massas” – Honestino Guimarães
1 – As eleições para DCE
(Diretório Central dos Estudantes) se aproximam e muitos são os
estudantes que neste período renovam suas intenções e esperanças por um
movimento estudantil mobilizado e crítico, em especial distante da
experiência dos três anos de gestão “Aliança pela Liberdade/Estudantes
pela Liberdade”, quer dizer, distante da ação pragmática e liberal;
2 – Compartilhamos desta esperança,
e sob pena de cair em incoerência entre nosso “querer” e “fazer”,
acreditamos que a esperança deve-se realizar como esforços concretos
para agitar e organizar lutas coletivas, dentro e fora da Universidade,
dia após dia, durante todo ano: manter a “apatia” fora do período
eleitoral é colaborar com a política liberal-pragmática;
3 – Por esta razão,
embora consideramos válido a disputa do DCE em determinados períodos,
não podemos reduzir a tarefa de reorganizar o movimento estudantil e
popular da UnB à mera participação em eleições, seja compondo chapas, as
apoiando ou votando: a missão é mais árdua, exige paciência e
persistência num trabalho coletivo;
4 – Ademais, acreditamos que,
na atual conjuntura do país e da UnB, disputar as eleições para DCE é
não somente irrelevante para a conquista da gestão do DCE “hoje”, mas
também irrelevante à conquista do DCE no médio prazo e irrelevante para
reorganização do movimento estudantil como um todo, razão pela qual a
Oposição CCI defende o Voto Nulo nestas eleições e chama os estudantes
para outra linha de ação;
5 – Apesar do grupo
“Aliança pela Liberdade/Estudantes pela Liberdade” mobilizar o voto de
uma parcela do pleito estudantil a seu favor, majoritário nas últimas
eleições, a necessária derrota da política pragmática e liberal só
ocorrerá pela mobilização, não de votos, mas de um movimento de massas
superior: tanto em sua formação teórico-política coletivista quanto em
sua militância prática de ação direta;
6 – Reduzir ou priorizar
nossa ação à conquista de votos, embora frequente, é um erro
imediatista, e até as tentativas de “unir a esquerda” em uma única chapa
(a exemplo da “Manifesta” em 2014), excetuando boas intenções de
estudantes independentes, acabam por ser “uniões” passageiras ou
oportunista entre forças políticas, que logo se desunem e geram refluxo
geral: nossa ação deve ser estratégica, pensar no médio e longo prazo;
7 – A união necessária
não deve priorizar eleições ou “acordão” entre forças e partidos
políticos, esta prática deve ser revista e dar lugar à luta pela União
do movimento estudantil pela base, democrático, forte e atuante, única
condição hoje capaz de dobrar a gestão liberal-pragmática (ou qualquer
outra) do DCE: pela base podemos dar a direção política, sem estar na
gestão, e é isso o que importa;
8 – A União pela base
será o melhor mecanismo de resistir às atuais investidas, por um lado,
do Governo e do Congresso com o ajuste fiscal, a Agenda Brasil e
aprovação de leis retrógradas e, por outro, às pressões liberais,
conservadoras e militaristas pelo impeachment: duas faces de
uma mesma moeda que atentam contra a liberdade e o bem-estar do povo, e
que devem ser combatidas pela construção da Greve Geral, um instrumento
de poder popular;
9 – Mas como organizar pela base?
A resposta deve vir da ação cotidiana, com criatividade e contornando
as dificuldades, entretanto três medidas são básicas: i) fortalecer o
movimento dos Centros Acadêmicos (CAs), atingindo os mais de 40 mil
estudantes desta instituição e com vista a realizar um Congresso
Estudantil da UnB em 1º/2016; ii) realizar alianças entre os movimentos
estudantil, sindical e popular; e iii) nos organizar em agrupamentos
políticos, preferencialmente coletivos combativos, não-eleitoreiros e
não-governistas;
10 – Os CAs precisam organizar
dezenas e centenas de estudantes em cada curso, para que multiplicados
na Universidade, formemos um movimento estudantil de centenas e milhares
nas ruas. Como? Propagandeando as iniciativas em salas de aula, em
boletins impressos, em jornais murais; discutindo as pautas em
Seminários de Formação; deliberando as táticas em Assembleias; e
organizando Protestos de ação direta sobre a Reitoria e o Governo;
11 – A aliança entre estudantes,
trabalhadores e comunidade deve ser o tripé da resistência e da
efetivação da Greve Geral, para tanto sendo preciso romper as políticas
corporativistas de cada categoria, e unificando pautas específicas
através da pauta de maior unidade, qual seja: o combate ao Ajuste Fiscal
e todas leis retrógradas contra a juventude e classe trabalhadora: MPs
664 e 665, Lei Antiterrorismo, Lei da Terceirização, Estatuto da
Família, PEC 215, Redução da Maioridade Penal e outras;
12 – Mas também cada estudante
pode potencializar suas intenções se se organizar em grupos de maior
afinidade política para coordenar suas ações, e embora reconheçamos o
direito de adesão e ação dos Partidos, somos decididamente contrários
sujeitar o movimento estudantil ao apoio de governos e eleições no
Estado, razão pela qual nos agrupamos na Oposição CCI cujo meio de luta é
a ação direta coletiva, independente e organizada;
Para concretizar estas intenções,
chamamos os estudantes, Centros Acadêmicos e forças políticas à
mobilizar a UnB, bem como nossos locais de moradia e trabalho, em torno
do seguinte programa construtivo:
Plano reivindicativo:
A – Combater o Ajuste
Fiscal e a Agenda Brasil do Governo e do Congresso que penaliza os
direitos sociais e os serviços públicos, em especial a vida dos
trabalhadores e estudantes, a exemplo da revogação dos cortes na
educação e na saúde, entre outros;
B – Recompor a política
de Assistência Estudantil na UnB: abertura do Edital; bolsas permanência
para 100% da demanda; abertura e pagamento das bolsas de iniciação
científica e pós-graduação; autonomia estudantil na gestão da CEU (Casa
do Estudante Universitário); ampliação do RU (Restaurante Universitário)
e revogação dos aumentos ao público externo; entre outros;
Plano organizativo:
C – Fortalecer o
trabalho de base nos CAs e trabalhar para que a atual “Articulação de
CAs” existente opere sob os desígnios da democracia, representatividade,
combatividade e pautada nos interesses coletivistas, e não um mero
centro de oposição eleitoral ao DCE;
D – Construir o
Congresso Estudantil da UnB, previsto no Estatuto do DCE, com eleições
de representantes por cursos para ser realizado em 2016, e deliberar
sobre as estratégias políticas do DCE-UnB neste órgão soberano de poder
das bases estudantis;
E – Realizar
Assembleias, Seminários e Marchas Unificadas entre estudantes,
terceirizados, técnico-administrativos, professores e
moradores/movimentos comunitários (Ceilândia, Gama e Planaltina), com
vista a construção de uma Greve Geral contra o ajuste fiscal do Governo e
pela ampliação de direitos sociais e serviços públicos e gratuitos;
F – Por fim, se
organizar permanentemente, local e nacionalmente, a exemplo da Oposição
CCI, da RECC (Rede Estudantil Classista e Combativa) e seus Coletivos
por Curso, para os quais reforçamos o chamado aos estudantes-proletários
que conheçam, se organizem e lutem em nossas trincheiras. Em especial,
convidamos aos nossos apoiadores e demais interessados a construção de
um Comitê de Propaganda da RECC na UnB;
Pela memória de Honestino Guimarães, Edson Luís, Ieda Delgado e Paulo de Tarso!

terça-feira, 8 de setembro de 2015
segunda-feira, 13 de abril de 2015
Universidade pública e a sorrateira privatização
Publicamos abaixo texto produzido e lançado pela Chapa 3 "UnB aberta pra quebrada" durante eleições para DCE em 2014. O texto reflete integralmente a opinião da Oposição CCI. Em tempos de cortes na educação, políticas de austeridade e gastos sociais, é bom ficarmos atentos para as formas de privtização do ensino público. Boa leitura!!
* * *
Universidade pública e a sorrateira privatização
Ocorreu nesta terça-feira (06) o terceiro debate entre chapas
para DCE. Entre tantos destaques, um nos chamou atenção. Ao ser indagada
sobre o tema, a chapa 4 “Manifesta” (PT, PSOL, PSTU, Honestinas e adjacentes) foi categórica: “nós não somos contra financiamento privado da universidade pública nem contra empresas juniores“.
No afã de ganhar votos, nem mesmo se deu conta de que sua roupagem
deveria ser de uma chapa de esquerda – segundo ela própria, “O projeto alternativo à Aliança“.
Mas se esqueceram do “bêabá” político: quem defende a privatização da
universidade é a direita! Assim, sinalizam que a grande “oposição de
esquerda” a Aliança não representa mais do que mudanças cosméticas no
DCE. Redigimos a posição da chapa 3 “Unb aberta pra quebrada” sobre
financiamento privado, fundações de apoio e empresas juniores para que
não sobre dúvidas aos estudantes o que é de fato um projeto de
universidade popular (e não privatizada!).

Hoje, muitos administradores, professores e estudantes reconhecem a
iniciativa privada como solução dos problemas da pesquisa universitária.
Reclamam da burocracia nas licitações e contingência de recursos. Mas
não se fala que a proliferação das fundações privadas ditas de apoio
coincide com a desobrigação do Estado de financiar e manter seus
serviços públicos, a exemplo do ensino superior. Esta estratégia ganha
corpo no fim da década de 80 e se desenvolve na década de 90 até os dias
atuais, quando a maioria das fundações são cadastradas nos ministérios.
É a partir da contenção do financiamento das instituições públicas de
ensino superior (corte de gastos para pagamento do superávit primário,
por exemplo) que as fundações privadas surgem como “salvadoras da
pátria”. Quer dizer, uma ação mesclada do Estado que, ao se
desresponsabilizar do obrigatório sustento das universidades, as entrega
de mãos beijadas à iniciativa privada, atropelando a função pública
dessas instituições entregando suas estruturas a exploração privada. Ou
seja, o poder político cria o “vácuo” e o poder econômico “surge” como
única alternativa. Mas nada disso é natural ou imutável. É fato que a
função publica da universidade e das suas respectivas sub instituições
são alvo de precarizações para sua posterior substituição.
No caso das fundações privadas ditas de apoio, com a Finatec na UnB,
estas acumulam uma série de problemas: se utilizam do corpo docente,
espaço físico e credibilidade das instituições para desenvolverem
pesquisas que, ao fim, reservarão o direito de propriedade intelectual
para si (patentes); embora ilegal, há inúmeros casos de geração de
lucro; ao concederem remuneração extra para professores, estes criam
vínculo corporativo e defendem as fundações para fins particulares,
esvaziando as reivindicações coletivas da categoria; ofertam cursos
pagos nas instituições, mesmo sendo inconstitucional; captam recursos
públicos e fazem sua gestão dispensando licitação, o que permite graves
casos de desvio de finalidades ou subcontratação de atividades que não
atendem as exigências; minoram recursos públicos que poderiam ser
repassados à própria universidade.
Em suma, a mercantilização do conhecimento promovida pelas fundações
privadas ditas de apoio compromete a liberdade acadêmica. Ela direciona a
formatação de cursos, currículos, pesquisa e do corpo docente e
administrativo, para atender aos interesses do mercado em detrimento dos
anseios da maioria da sociedade.
Alguns setores, entre a “esquerda” e a “direita”, na ilusão de
dominar a sanha empresarial, defendem o “controle social” das Fundações –
composição de 50% + 1 na direção das mesmas pelo corpo universitário.
Esta medida acredita poder moralizar e controlar o exercício das
fundações. Na prática, porém, os aludidos “controladores” não podem
sacrificar a engrenagem das fundações, sendo eles mesmo desmoralizados
pela prática empresarial. Este controle social não passa de um
“cosmético de esquerda”.
Por isso o movimento estudantil e sindical deve lutar articuladamente
para viabilizar 1) a ampliação do recursos públicos geridos diretamente
pela nossa fundação pública – a FUB, 2) bem como a democratização de
sua gestão; 3) pressionar pela melhoria do serviço público, com
contratação e treinamento de pessoal, dando celeridade para atender
demandas de recursos para pesquisas; 4) cancelar os vínculos com
fundações e empresas privadas, resgatando todo patrimônio (intelectual e
físico) obtido as custas da UnB; 5) travar um forte combate ideológico
contra o empreendedorismo, exemplificado pelas empresas juniores,
defendendo as consultorias populares nos cursos como alternativa para a
aplicação da ciência, técnicas e conhecimento. Nem fundações, nem
empresas privadas são filantrópicas: seu objetivo é privatizar os
potenciais da universidade. E as empresas juniores reproduzem esta
ideologia pro-mercadológica. A universidade, porém, deve atender ao povo
trabalhador, e não aos interesses mercantis. Fora parasitas!
Fora fundações e burguesia da UnB!
Por uma universidade popular, a serviço da classe trabalhadora!

quarta-feira, 8 de abril de 2015
Pelo combate ao liberal-pragmatismo da gestão do DCE! DCE é pra lutar!
É sempre bom relembrar: atuação em 2011 da Chapa 7 “Democracia e Ação Direta”
![]() |
Eleições do DCE de 2011!!! Logotipo da “Chapa 7″
|
Corporativismo, apoliticismo e apartidarismo
Muito se argumenta, durante o período eleitoral do DCE, que parte expressiva do movimento estudantil centra sua atenção em assuntos externos à universidade, alheios às mais prementes demandas estudantis e aos interesses particulares da universidade. O distanciamento entre as demandas pragmáticas e as pautas do movimento se agravaria, costumam dizer, pela intromissão de partidos políticos que instrumentalizariam o movimento estudantil para realizar seus fins particulares.
Por trás de tal visão, reside um profundo corporativismo acerca da natureza e limites da luta estudantil. Não é possível, no entanto, separar problemas da educação de uma realidade social mais ampla, que produz as condições, os meios e os fins do sistema educacional. Não há visão mais ingênua do que crer que as contradições da UnB não correspondem a uma expressão particular das contradições sociais às quais estamos submetidos. Desse modo, por trás de problemas aparentemente triviais existe uma longa cadeia de conflitos sociais que determinam o modelo educacional existente. Engajar-se nesses conflitos significa, de igual modo, engajar-se pela defesa da educação pública.
Vistos de um panorama mais amplo, portanto, não há um conflito entre as lutas “externas” e demandas específicas e pragmáticas. Não se engaja em lutas mais amplas em detrimento das lutas setoriais – pelo contrário, são nas lutas mais gerais que se realizam de forma plena, universal, nossas lutas contra a precarização cotidiana com a qual convivemos.
Contra o apartidarismo, podemos dizer que não se faz política no vácuo. Mesmo estudantes que crêem se engajar de modo apartidário acabam, no curso prático de suas atuações, por endossar uma visão política-ideológica qualquer, encontre ela referência partidária ou não. A existência de correntes políticas organizadas não esvazia o movimento, como costuma dizer, mas sim o enriquece – é por meio do conflito entre visões divergentes que se dá o processo dialético de construção de uma atuação política mais ampla e efetiva. Parte da aversão dos estudantes por partidos se dá não pela existência dos partidos em si, mas pela atuação destes, em especial na subordinação dos interesses do movimento aos fins eleitorais burgueses que almejam. Nós da Chapa Democracia e Ação Direta repudiamos veementemente a submissão do M.E. às instâncias políticas do Estado capitalista através de seu uso eleitoral, mas não somos contrários à existência de organizações políticas e partidos não-eleitorais que façam uma disputa política no rumo do movimento.
A Ação Direta
O método de luta compatível com um programa classista e combativo é a Ação Direta. O que pretendemos dizer com Ação Direta? Sucintamente significa tomar o destino nas suas próprias mãos, não o delegando a terceiros. Na luta de classes, a Ação Direta diz respeito a atuações política da classe trabalhadora exercida através da democracia proletária e não sendo mediada pelo parlamentarismo “democrático” do Estado capitalista.
É por meio do seu protagonismo que estudantes e trabalhadores são capazes de transformar sua própria realidade e a sociedade que os circundam. Isso não significa que a Ação Direta seja um fim em si mesmo, mas sim que é um método privilegiado de luta, que exerce a solidariedade entre os oprimidos e que rompe com os limites da ação política imposto pelo Estado.
Dentro da UnB, um dos meios utilizados pela Reitoria para desmobilizar os estudantes, quando apresentamos determinada reivindicação, é através de mesas/comissões de enrolação ou audiências públicas. Estas buscam conciliar posições contrárias e na maioria das vezes as demandas estudantis simplesmnete não são atendidades. A última gestão governista do DCE foi também uma das principais patrocinadoras destes meios burocráticos que não trazem avanço para as lutas. Os estudantes da FCE quando ocuparam a Reitoria mostraram o poder da Ação Direta.
Democratização do ensino superior e luta de longo prazo
Se o movimento estudantil pretende romper o corporativismo e ver-se enquanto agente de transformações sociais mais amplas terá que necessariamente articular suas pautas mais imediatas com uma visão geral sobre o modelo de educação que pretende construir. E não há outro sentido que o curso das lutas estudantis deve tomar que não seja o da democratização do ensino superior.
O Movimento Estudantil deve visualizar, em cada uma de suas lutas específicas, um encadeamento prático e lógico que leva a um crescimento qualitativo e quantitativo de sua atuação em direção à universalização do ensino superior público. Isso não significa que um DCE pode implementar o fim do vestibular em uma data específica, mas sim que pode dar um encaminhamento de suas lutas nessa direção. É o devir do movimento estudantil da nossa geração se engajar nessa tarefa histórica. Caso nós não o façamos, estaremos andando em círculos, subtraindo do M.E. qualquer capacidade transformadora revolucionária.
Atualmente o ensino superior no Brasil exclui a grande maioria da juventude brasileira, onde apenas cerca de 15% dos jovens entre 17 e 24 anos estão nas universidades e faculdades (privadas ou públicas). Ou seja, a grande massa do povo trabalhador e seus filhos que sustentam através de seu trabalho e impostos a nação brasileira estão excluídos desta esfera de ensino. Em nossa visão o ensino superior não deve ser um privilégio e sim um direito e deveria ser democratizado através do fim do vestibular, já que cotas são positivas, porém limitadas. Outros países como a Argentina mostram que esta realidade é possível.
Não podemos também nos imobilizar em virtude de problemas técnicos referentes ao fim do vestibular. Precisamos confluir nossas diversas lutas no sentido do fim do vestibular. As condições técnicas e orçamentárias que tornarão isso possível não nos são possíveis saber de antemão; elas apenas serão factíveis no desenlace das nossas mobilizações.
Nossa proposta de luta se refere a uma estratégia de longo prazo que não pode ser implementada imediatamente. Propomos um norte que guie nossas lutas cotidianas. Contra todos aqueles absorvidos no pântano do comodismo, da “briga por esmolas”, e do “imediatismo pragmático”, respondemos: nosso caminho é longo, árduo e duro – mas é o caminho da luta, e não o da resignação.
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sexta-feira, 3 de abril de 2015
POR UM NOVO MOVIMENTO ESTUDANTIL: Construir as Oposições nos locais de estudo
POR UM NOVO MOVIMENTO ESTUDANTIL: Construir as Oposições nos locais de estudo
O período de eleição de um Grêmio Estudantil, Centro Acadêmico
(CA) ou Diretório Central dos Estudantes (DCE) é quase sempre
acompanhado por certo entusiasmo das chapas e maior interesse político
dos estudantes. Apesar disso, diferente do que muitos pensam e fazem, a
construção do Movimento Estudantil (ME) não se resume ao período
eleitoral e nem tem neste seu momento mais importante. Pretendemos com
este artigo discutir alguns equívocos, vícios e politicagem que
impregnam o ME e sugerir a importância daquilo que chamamos de “Política
de Oposição” para a construção de um novo ME.
A Política Eleitoreira
A política eleitoreira é uma velha conhecida do povo. Em resumo, é o
vale-tudo para se vencer determinadas eleições. Bastante praticada nas
eleições estatais, ela também é reproduzida no interior do Movimento
Estudantil, sobretudo pelos próprios partidos eleitorais – mas não
somente e nem necessariamente. A política eleitoreira pode ser definida
também como um “parlamentarismo estudantil”, e leva sempre a um fim
imediato: uma entidade estudantil fraca e superestrutural, que não
atende aos interesses da luta coletiva.
Visto a “olho nu”, a principal característica dos grupos e militantes
que praticam a política eleitoreira é a contradição entre seu
entusiasmo “político” nos períodos eleitorais e seu “sumiço” no restante
do ano. Durante eleição, acordam cedo e aparecem colando cartazes,
distribuindo panfletos ou passando em salas pra ganhar nosso voto, mas
difícil é vê-los com o mesmo entusiasmo antes das eleições, e pior, às
vezes nem mesmo os vemos depois de vencê-las. Também assumem
característica burocrática, quer dizer, só os vemos “lutar” na internet,
nas mesas de negociação ou nos ofícios entregue junto às autoridades.
Alguns grupos eleitoreiros tentam se autojustificar. São aqueles que
falam quase que tão somente em “crise de direção” ou de nossa
“representação” em outros espaços. O problema é que acabam confundindo direção com diretoria e representação com participação. Para nós, diretoria e representação significam apenas cargos oficiais de determinada entidade e suas opiniões, votos ou assinaturas em outros espaços; direção e participação
significam o sentido do movimento real para onde caminha o conjunto de
estudantes daquela entidade, é portanto ação e vontade democrática e
coletiva.
Mas os parlamentaristas agem como se, ao vencerem as eleições de uma
entidade, estivessem solucionando o movimento real dos estudantes. E
querem este “aparato” a todo custo. Assim, nos iludem para se iludir que
estão avançando politicamente, na melhor das hipóteses; e na pior, nos
iludem de má fé para poderem dar projeção política aos seus interesses
exclusivos, com a possibilidade de sentarem em mesas de negociações com
autoridades de nossas escolas ou dos governos, para acumularem
assinaturas em panfletos, para ter votos em entidades falidas (como a
UBES, UNE e ANPG), ou para autolegitimarem outras entidades forçosamente
criadas (como a ANEL). Fazem da crise de direção mera “crise de
diretoria”. Não passam de “aparatistas”.
A Política de Oposição
A Política de Oposição levada à frente pela RECC condena estas
práticas. A primeira diferença é sua ação permanente, quer dizer, sua
incidência no dia a dia do local de estudo e não somente um esforço
concentrado nos períodos eleitorais. Assim, um grupo de Oposição não se
reduz a uma “chapa de oposição”, pois isto reforçaria a política
eleitoreira. Nos opomos não a uma gestão específica, mas à concepção
parlamentarista de Movimento Estudantil.
Construímos uma Oposição para criar um foco de referência e
aglutinação combativa dos estudantes que queiram reorganizar o ME de
baixo para cima. Isso também significa ir acabando com o estranhamento
dos estudantes ao próprio ME. A Política de Oposição se define,
portanto, como um trabalho de base, de formiguinha, de buscar uma
organização estudantil solidificada em cada local de estudo. Deixar a
prática de fazer “pelos estudantes” para fazer “com os estudantes”.
Ainda assim, as eleições podem e devem ser disputadas, mas não como
uma estratégia permanente e sim como ação tática. E como toda tática, é
uma opção flexível à conjuntura. A estratégia maior que orienta nossa
tática é o fim da subordinação da educação ao mercado, e, portanto o fim
do capitalismo e seu Estado. É necessária uma sólida organização de
massas para este enfrentamento. Uma Oposição pode, fora da diretoria de
uma entidade, provocar esta direção de luta, mas não se esquece de que
deve resolver outra crise que nenhuma diretoria em si resolve – a crise
de organização, pois as formas de interação coletiva e os métodos de
luta têm peso decisivo para nossas vitórias.
O novo nasce da negação
Para construir um novo ME, precisamos rejeitar as práticas
eleitoreiras e parlamentaristas em seu interior. Já basta de
protodeputados usando nossas entidades como trampolins eleitorais para
suas carreiras políticas. Já basta de miniburocratas que usam estrutura,
verba e assinatura das nossas entidades para se autolegitimarem,
alheios à vontade da base. Isto não é Movimento Estudantil. A massa
estudantil precisa lutar contra a precarização do nosso ensino e a
consequente precarização de nossa força de trabalho. Precisamos derrotar
o projeto capitalista que lucra sobre a educação e explora nosso
trabalho e para tanto precisamos de uma luta classista e combativa,
através da união e organização pela base. Por isso convocamos todos os
estudantes do povo a construírem a RECC através das Oposições por local
de estudo!
Nem UNE governista e nem ANEL burocrática!
Reconstruir o Movimento Estudantil Nacional através das Oposições Por Local de Estudo!
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RECC
segunda-feira, 30 de março de 2015
PM? Não, obrigado! Fora repressão!
Publicamos abaixo texto produzido e lançado pela Chapa 3 "UnB aberta pra quebrada" durante eleições para DCE em 2014. O texto reflete integralmente a opinião da Oposição CCI. Boa leitura!!
Em tempos que setores de extrema-direita vem a público querendo a volta do regime militar no Brasil, é preciso ter clareza sobre o papel desempenhado pelo militarismo, mesmo em tempos "pós-ditadura". Existe ainda hoje um continuísmo do regime que sobreviveu pela manutenção de leis durante a reformulação da Constituição de 1988 e nos subterrâneos do aparelho repressivo de Estado, a exemplo da ABIN, antigo SNI. E no plano "sensível, é a lei do cassetete e da bala de borrachada polícia o poder de sustentação do regime capitalista. Vivemos, enfim, uma ditadura velada, que mata a juventude pobre e negra nas periferias, encarcera e tortura. Na verdade, a virada da ditadura para uma democracia burguesa não passou de um transação negociada que garantiu privilégios aos militares e reacionários.
* * *
PM? Não, obrigado! Fora repressão!
O debate da polícia no campus precisa
ser enfrentado diretamente. Eis a postura da chapa 3 “UnB aberta pra
quebrada” a respeito do tema. Boa leitura e aguardamos o debate!

A desigualdade de classes da sociedade funda a ganância e a
violência, que se reproduz no interior das universidades. Não ocorrem
roubos, sequestros e assaltos por excelência e exclusividade na UnB. Seu
padrão de ocorrência, entretanto, pode seguir tendencialmente um
perfil: concentração de crimes contra a propriedade nas zonas de maior
concentração de renda. E a universidade apresenta este “atrativo”, por
ser ainda elitizada. O “mapa da criminalidade” da gestão da Aliança pela
Liberdade confirma: a maioria da “violência” é contra propriedades, e –
felizmente – não contra pessoas. Contraditoriamente, muitos adeptos da
ideia de PM no campus rejeitam a presença do Detran por identificarem
estes como limitantes da “liberdade” de locomoção com seus veículos
particulares – um ultra egoísmo.
Reivindicar a PM no campus é enxugar gelo. Ou
seja, a desigualdade de classes é produtora de delitos; e agir sobre
delitos é agir contra a consequência, estendendo a causa. A polícia age,
por excelência, reprimindo os delitos, especialmente crimes contra a
propriedade e a ordem institucional – seja ela qual for. Manter a “ordem
pública” é manter a opressão política e a exploração econômica do
“homem pelo homem”, causa da violência primeira em nossa sociedade. A
função da polícia, portanto, é restrita, senão nula ou contrária a
própria liberdade e segurança dos indivíduos e grupos de “minoria”.
Registra-se, por exemplo, que a polícia brasileira domina os ranking das
mais violentas do mundo. Operam assassinatos e toda sorte de abuso de
poder, especialmente nas periferias e contra seus membros identificados
em outros espaços urbanos. Os recentes casos de assassinatos de
Amarildo, Antônio e Cláudia são reincidentes diários.
A pequena burguesia, ou de renda média, literalmente compra a ideia
do enclausuramento, pois por ele pode pagar. Quanto mais grades, muros,
câmeras, catracas, seguranças particulares e policiais, em tese, menos
suscetível a violência está. Se preocupa exclusivamente com seus bens ou
ideal de propriedade, enquanto se desresponsabiliza da sociedade que o
cerca. Mas ao virar as costas para as causas da criminalidade, se tornam
co-responsáveis pelos crimes. O povo continua refém da insegurança
causada pelas contradições do capitalismo – a exemplo do tráfico etc. –,
mas não pode pagar por segurança nem contar com a polícia em vários
casos.
As Jornadas de Junho demostraram o papel da polícia em última
instância: salvar o Estado e o capitalismo contra as rebeliões
populares. Toda forma de especialização para reprimir está sendo
viabilizado em função dos megaeventos e megaobras, como a Copa e a
hidrelétrica de Jirau. Técnicas, armamentos, “carta branca” jurídica e
apelo midiático: o povo é colocado por antecipação como inimigo interno
em potencial, pouco importando seus interesses. A repressão age muitas
vezes a esmo, mesmo contra manifestações pacíficas. A polícia trabalha
como uma herdeira da ditadura no submundo da democracia burguesa,
impondo a lei do “porrete”.
Ser contra a polícia no campus não é ser contra a paz. Absolutamente,
não! A proposta da criação de um batalhão universitário, por outro
lado, manteria o status superior de tratamento que supostamente merece o
ser “acadêmico” diferentemente dos reles mortais. Na universidade,
imediatamente, precisamos reivindicar 1) um plano de ocupação dos campi,
com valorização de uso dos espaços vazios (áreas recreativas, de
estudo, de esporte etc.), 2) corte do mato alto, 3) projeto de
calçamento, 4) reforma na iluminação, 5) ampliação do transporte, 6)
treinamento da segurança para além da guarda patrimonial e 7) construção
de comitês de auto-defesa (de mulheres e homossexuais, por exemplo).
Mas, sobretudo, é preciso mesclar UnB e periferia, através da 8)
extensão universitária e 9) do acesso livre na UnB, e não torna-las
antagônicas, quase inimigas como é hoje. Negar a polícia no campus é,
enfim, entender que polícia é sinônimo de guerra: são os soldados do
Estado capitalista para conter seu inimigo interno, o povo. E nós
declaramos guerra contra a guerra! Pois queremos a paz, justiça e
liberdade para todas as quebradas! Fora PM do mundo!
Recua polícia, recua: é o poder popular que está na rua!
Por uma UnB aberta pra quebrada!

sexta-feira, 20 de março de 2015
Quem influencia o “apartidarismo” da Aliança pela Liberdade?
Publicamos abaixo texto produzido e lançado pela Chapa 3 "UnB aberta pra quebrada" durante eleições para DCE em 2014. O texto reflete integralmente a opinião da Oposição CCI. Boa leitura!!
Fora liberais-pragmáticos!
* * *
Quem influencia o “apartidarismo” da Aliança pela Liberdade?
A
“Aliança pela Liberdade” se apresenta como apartidária, plural e
preocupada com as demandas do dia-a-dia da universidade, ditas técnicas
ou operativas. Opõem-se ao que classificam como pautas externas, vistas
como ideológicas e ilegítimas. Ela se coloca, assim, como que “neutra
politicamente”. Entretanto, entre os membros da “Aliança”, dentre os
quais alguns fundadores, há pessoas que fazem parte da rede estudantil
internacional “Estudantes pela Liberdade”. Esta rede tem como
referencial teórico-ideológico o liberalismo político e econômico, a
exemplo da escola austríaca de economia, posição acessível no sítio da
entidade (www.epl.org.br). A
rede “Estudantes pela Liberdade” possui um verdadeiro manual para
organizar os estudantes e uma forte coesão teórico-ideológica, a qual
não é vista nem mesmo entre determinados partidos políticos (!). Possuem
forte relação com institutos acadêmico-políticos de viés liberal, a
exemplo do instituto Mises, o Mises Brasil, o instituto Millenium, entre
outros.
A questão é, qual motivo leva a “Aliança pela liberdade” camuflar
sistematicamente sua estreita relação com grupos de igual ou maior
influência que partidos políticos? O que faz um militante do grupo
“Estudantes pela Liberdade”, que possui forte coesão ideológica e um
projeto liberal de sociedade, atuar no interior da “Aliança” se não vê
neste a possibilidade de orientar ou ter contemplado suas respectivas
posições políticas?
Responde a “Aliança” que ela possui independência interna frente a
referida rede internacional e seus institutos, que sua posição não segue
um projeto liberal e que se pautam exclusivamente pela demanda dos
estudantes da UnB etc etc. Ora, estão tentando subestimar nossa
inteligência. A defesa da iniciativa privada, da terceirização, da
meritocracia, do empreendedorismo é a própria posição liberal, que não é
consenso entre a “pluralidade” que alegam defender. A “Aliança” se
projeta na UnB aproveitando da forte recusa ao modos operandi
oportunista dos partidos eleitoreiros no Brasil. Mas organizações como o
Instituto Millenium não precisam disputar eleitoralmente as eleições
estatais para ter influência sobre governos, empresários e o próprio
movimento estudantil. O modus operandi destas organizações supracitadas
se revela audacioso e desleal: orientando politicamente distintas
frentes da sociedade, em cada qual aparentam possuir um projeto
corporativo ao setor, porém todos estes coordenados pela
“intelectualidade orgânica” liberal para forjar as bases de seu projeto
global que é – como dizem – o “capitalismo selvagem”.
Os que dizem querer pensar somente a universidade imediatamente
acabam por deixar “intacta” (na melhor das hipóteses) a ordem social
desigual que cria, mantém e para a qual se destina a própria academia.
Ideologicamente, servem ao “partido da burguesia”, por mais que se digam
apartidários. Nós da chapa 3 “UnB Aberta pra Quebrada” não somos
contrários à articulação entre chapas e “outros grupos” – nossas
relações externas e nosso projeto são ditos abertamente. Criticamos
política e metodologicamente a relação com partidos eleitorais ou
quaisquer grupos defensores do status quo. Apesar da ferrenha oposição
que fazemos a submissão do movimento estudantil às instâncias políticas
do Estado capitalista através de seu uso eleitoral, não somos contrários
à existência de organizações políticas e partidos não-eleitorais que
façam uma disputa política no rumo do movimento. Antes de sermos levados
por ideias fáceis e cultivadas pelo senso comum, é dever do estudante
pesquisar, criticar e opinar. Este é o motivo que nos leva ao combate
incessante contra o modo de produção capitalista. Estudantes do povo,
agremiem-se conosco!
“Estamos convencidos de que liberdade sem socialismo é privilégio e injustiça, e que socialismo sem liberdade é escravidão e brutalidade”. Mikhail Bakunin.
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Eleições ao DCE
quarta-feira, 7 de maio de 2014
Eleições DCE: para combater os liberais e a pelegada, apoie e vote chapa 3 - UnB aberta pra quebrada
A Oposição CCI realizou um chamado público para construção de chapa para eleições do DCE e neste processo formalizamos a Chapa 3 - UnB aberta pra quebrada! Diante da paralisia do movimento estudantil em se forjar sujeito de suas ações e da política pró-mercadológica e meritocrática da gestão Aliança pela Liberdade, não haveria outro caminho a não ser lhe opor um programa da esquerda combativa. A Jornada de Junho e o espírito de combatividade popular visto desde o ano passado, principalmente entre a juventude, nos obriga a trazer este mesmo espírito para a universidade, organizando a revolta em nosso local de estudo. Chamamos todos os estudantes da UnB, apoiadores e simpatizantes da Oposição CCI, a conhecerem nosso programa de chapa e tomar partido nestas eleições. E o mais importante, continuar lutando conosco no dia-a-dia, pois movimento estudantil é muito mais que eleições de DCE!
segunda-feira, 7 de abril de 2014
Formação de chapa para eleições do DCE-UnB
Reuniões para discussão do programa e organização de chapa:
>> 08/04 (ter) - 12h
>> 10/04 (qui) - 18h
>> 14/04 (seg) - 18h
>> 16/04 (qua) - 12h
Local: Mezanino do ICC Norte
Os últimos dois anos foram marcados pelo burocratismo e apatia política do DCE nas mãos da direita liberal - Aliança pela Liberdade (do capital, diga-se de passagem). Nos anos anteriores, as gestões do PT e antes do PSTU e PSOL tiveram responsabilidade por iniciar a sedimentação dos debates rebaixados e senso comum através de reivindicações pragmáticas e atuações burocráticas nos conselhos superiores. A política da Oposição CCI sempre foi encarar as eleições de DCE ou mesmo de CAs como táticos, e não estratégicos, pois é possível construir um movimento estudantil a despeito das estruturas de entidades, avançando pela base - é o que fazemos a sete anos. Mantemos esta política. No entanto, compreendemos que este ano é crucial atuarmos nas eleições de DCE para realizar uma contra-propaganda da direita, do governo e dos reformistas em geral. Uma contra-propaganda baseada na organização por cursos em vista a construção positiva de uma universidade a serviço dos trabalhadores. Por este motivo, convocamos especialmente os estudantes-trabalhadores e vinculados aos programas de assistência estudantil, os moradores da periferias do DF e do Entorno, os camaradas que ousaram sair às ruas nas Jornadas de Junho: vamos organizar pela base um movimento estudantil aliado às causas populares e de combate contra as injustiças do Estado e capitalismo! Este ano temos o dever de trazer a revolta popular contra a copa e a farsa eleitoral ao nosso local de estudo e fazê-la generalizar por todo DF e Entorno.
Compareça às reuniões de formação de chapa!
Traga sua experiência, proposições políticas e disposição para lutar!
Organizar um movimento contra a direita e a pelegada!
Construir a greve geral contra a copa do mundo!
quarta-feira, 7 de novembro de 2012
O GERMINAL Nº27 - Edição Especial 5 anos de CCI
Leia nesta edição:
- Editorial especial 5 anos de CCI;
- A consulta “paritária” para a reitoria, o avanço da direita e os desafios dos estudantes da UnB;
- Parlamentarismo Estudantil: “Quando a solução para o doente é a eutanásia".
LEIA AQUI a versão em pdf.
* * *
O GERMINAL
Boletim
da Oposição Estudantil C.C.I.
www.oposicaocci.blospot.com
|
oposicaocci@yahoo.com.br
Nº27
-|Novembro de 2012 -| Edição Especial 5
anos de CCI
EDITORIAL
Em
comemoração aos 5 anos da Oposição CCI, lançamos esta edição especial de O
GERMINAL. Não haveria momento mais oportuno do que este para realizar uma
profunda reflexão sobre a situação ímpar na UnB da “maré” direitista que a
tomou. Tal momento nos reconduz às nossas tarefas fundacionais e à confiança de
que a força coletiva dos estudantes pode mudá-lo.
Pedimos
licença e desculpas pela extensa análise que apresentaremos. Mas é necessário
acabar com o mito de que “toda esquerda fala a mesma coisa”. E para isso temos
que fugir dos textos panfletários: é o que buscamos fazer nesta edição.
Queremos provocar cada estudante para tomar responsabilidade em parte do
problema que vive o Movimento Estudantil, identificando “quem é quem” e
avançando conosco no debate/resolução desta conjuntura amorfa na UnB.
Surgida
em meados de 2007, a Oposição CCI entendia como tarefa do momento lutar contra
a Reforma Universitária Neoliberal do governo Lula/PT, atuando como um germe no
interior do Movimento Estudantil para sua reorganização pela base em unidade
com a classe trabalhadora. Hoje, em fins de 2012, esta exigência permanece
atual.
Batizada
de forma a caracterizar nossos princípios, meios e metas, a sigla "C.C.I." postulava, já desde nosso
primeiro boletim, o norte político que nos balizaria até os dias de hoje:
"Combatividade: Mobilizar
as bases no sentido da ação direta, das greves, mobilizações de massas, ações
radicalizadas em lugar de ir a reboque do parlamento burguês", "Classismo: Unificar a luta dos estudantes proletários
com a luta dos trabalhadores, dar ao movimento estudantil seu papel de classe"
e "Independência: Que o
movimento estudantil seja independente de governos e patrões, partidos, que
possua fóruns de deliberação democrática direta."
Com
este mesmo norte, analisamos a UnB de 2012, que nas respectivas eleições da
ADUnB, DCE e Reitoria foi tomada pelos grupos de direita. Eleições estas, como
de CAs e DCE, que sempre participamos com a seguinte política: de que ganhá-las
a qualquer custo pode gerar mais prejuízos, e que é preferível defendermos
integralmente nossas bandeiras e posições, ainda que assim percamos, pois só
dessa forma somos capazes de construir uma sólida referência programática na
Universidade.
A
Oposição CCI decidiu, neste ano, não concorrer às eleições para DCE. Apesar de
não negarmos sua importância, as eleições nunca foram um fim em si mesmo para
nós. Mesmo destituídos de aparatos, somos capazes de disputar corações e mentes
do estudantado e a direção do Movimento Estudantil. Os problemas do ME não se
resolverão de forma meramente eleitoral: ao contrário, a (falta de) qualidade
da “esquerda” tem sido um problema
crônico. Nosso trabalho agora estará voltado aos cursos e à luta pela
assistência estudantil, liberando energia para construir referências de um
programa classista e combativo, combatendo imperiosamente a ideologia liberal e
pós-moderna e as políticas governista e paragovernista.
A
seguir, apresentamos textos que discutem o que representa a atual vitória da
direita na Reitoria através da eleição do Ivan Camargo? E a proposta do grupo
Aliança Pela Liberdade de instituir um "DCE parlamentarista" , que
diabos estão falando? E, nessa conjuntura, para onde ir e o que fazer? Uma Oposição
intransigente parece-nos cada dia mais necessária...
Boa
leitura! E todos à luta!
VIVA OS 5 ANOS DE LUTA E ORGANIZAÇÃO DA
OPOSIÇÃO CCI!
JUNTE-SE CONOSCO NAS TRINCHEIRAS DOS
ESTUDANTES DO POVO!
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Teses
terça-feira, 30 de outubro de 2012
Carta de rompimento com o coletivo "Juntos Somos Mais"
Toda sorte de crítica já foi lançada sobre a Oposição CCI. Muitas delas, quando feitas de forma séria, sempre buscamos responder à altura - defender ou revisar nossa posição, se for o caso. Apesar disso, o que mais se ouve são críticas infundadas usadas para desmoralizar e afastar estudantes de sequer conhecer "com os próprios olhos" a Oposição CCI. Não é preciso dizer que nenhuma destas mentiras descaradas foram provadas pelos seus acusadores. Para a CCI, a disputa da consciência política, ou de "corações e mentes" como se costuma dizer, nunca se deu na base do coleguismo ou do rebaixamento de nossas bandeiras para agradar outros. A aproximação política não-sectária, o trabalho de base etc. é capaz de desvendar muitos mitos que são ditos. Prova particular disso é a carta pública lançada pela companheira Flores esclarecendo seus motivos de ruptura com o "Juntos Somos Mais" (uma chapa hegemonizada pelo PT que depois de perder as eleições de DCE virou um "grupo") e declarando seu apoio à Oposição CCI. Sem mais delongas, segue a carta integral abaixo:
Querid@s amig@s,
Acho que pra todos os
militantes do grupo já é bem claro a quanto tempo estive distante do mesmo, e
isso, desde às últimas eleições. Sempre fui uma militante independente de
partidos, mas que ainda acreditava na disputa interna de grupos
suprapartidários, entre outras estruturas. A questão não é a mera ordem
organizacional dos partidos ou método programático, mas a percepção das
relações de poder que sempre está em disputa e pra que modelo de Estado
corrobora. Discordo do projeto de Estado que a maioria dos partidos tomam para
si: O modelo desenvolvimentista de nação. Não tenho a ilusão que um país bem
desenvolvido economicamente seja o vislumbramento de uma sociedade socialista.
É muito mais o ocultamento da condição de superexploração d@s trabalhadores via
transnacionais, por exemplo, mesmo que o mundo do trabalho não se esgote em sua
complexidade, até porque o que produz pode ser ao mesmo tempo material e
imaterial. De antemão, apesar de achar legítimo politicamente, afirmo que não é
mais o modelo de militância que vislumbro pra mim daqui pra frente. Gostaria de
deixar bem claro que não é nenhuma questão pessoal nem o questionamento da
militância d@s companheir@s, com @s quais tive muitas vivências e experiências
enriquecedoras, mas, sim, divergência político-ideológica. Até por isso, acho
justo compartilhar sinceramente com o grupo a minha decisão.
Não obstante, venho
comunicar o meu rompimento com o coletivo Junt@s Somos Mais e declarar meu
apoio à CCI. Sim, é surpreendente, até pq não apoiei o coletivo nas eleições do
CASO justamente por nunca ter entendido como o grupo construia o feminismo.
Isso não é fruto de uma conversinha aqui outra ali ou de meras aparências, mas
da formação política do grupo da qual participei, ao meu ver, muito qualificada
e responsável com a política que propõe. Pude perceber que o sectarismo que eu
tanto criticava na verdade era controverso. Antes o percebia como a pior
estratégia em ações políticas pontuais, e apenas a crítica da construção
oportunista ou vanguardista do grupo X ou Y no movimento estudantil. Porém,
esse tempo distanciada da militância, muitas vezes tarefista, tive tempo pra
refletir e me reformular politicamente. Entre essas reflexões, também fruto de
mais estudo teórico ao qual me propus, está a questão que hoje é central pra
entender um dos fatores contemporâneos que mais fragmentam a esquerda: A
ideologia pós-moderna. Muito embora, pelo menos na antropologia, sua
importância seja a preocupação com o lugar social das identidades, a forma como
ela opera tanto no âmbito acadêmico como no movimento estudantil reforça um
dilema central: A impossibilidade de conciliar alteridades com unidade política
e leia-se de esquerda. O próprio avanço do capitalismo na história contribuiu
para que as relações de produção do mundo do trabalho fossem fragmentadas e
especializadas. A consequência na academia, por exemplo, é a não centralidade
da categoria classe. Pra mim não é diferente também a individualização extrema
das subjetividades.
No mais, nenhuma identidade
existe em essência, mas em relação, e, segundo estratégias de se operar o
poder. Na política em geral, muitas vezes percebo a utilização das identidades
enquanto democracia instrumental. Isso é notável na forma como grupos
apoiadores geralmente militam em movimentos sociais e neles sim há a
importância central do protagonismo de sua base que se articula com uma
identidade específica. Assim, evitamos cair em um vanguardismo cego. Na
democracia instrumental, o empoderamento das alteridades que clamam por
emancipação passa a ser apenas aparência muito útil ao capitalismo. Ele se
apropria e muito dessas identidades para lançar novos mercados. Contudo, a
única possibilidade de unidade política em meio a identidades tão fragmentadas
é a classe. Se eu deixar de acreditar nisso, companheir@s, acredito que a luta
da esquerda também possa estar desacreditada. Que nunca desacreditemos!!!
Flores.
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segunda-feira, 28 de novembro de 2011
O GERMINAL - nº 24, Novembro/Dezembro de 2011 - Avaliação das eleições para DCE da UnB
ERRATA: 500 exemplares do boletim O GERMINAL Nº24 em versão impressa que já foram ou serão distribuidos não possuiam as duas notas de rodapé, notas estas contidas no original e que podem ser lidas no texto e versão para download abaixo.
DIANTE DA DIREITA NO DCE:
FORTALECER A OPOSIÇÃO DE ESQUERDA, COMBATIVA, CLASSISTA E INDEPENDENTE
1 – O CRESCIMENTO DO SETOR COMBATIVO DO MOVIMENTO ESTUDANTIL
DA UNB
A formação da “Chapa 7 – Democracia e Ação Direta” é produto do crescimento orgânico da Oposição CCI nos últimos 2 anos e dos coletivos de curso (LutaSociais, Território Livre e Pedagogia em Luta), elemento que possibilitou a formação de uma chapa com a defesa da RECC e seu programa. As comissões de propaganda assentadas no trabalho de base nos cursos foram uma tática correta comprovada pelo grande número de votos que conseguimos nestes. Assim, alcançamos o 2° lugar nas urnas da ala norte (geografia, filosofia e história), do ceubinho (ciências sociais e serviço social), e letras. Agradecemos todos aqueles(as) que nos apoiaram, tanto na UnB quanto fora, em especial o Sindicato dos Trabalhadores da CAESB (SINDÁGUA), e convocamos todos estes camaradas a continuarem na luta conosco.
Sem fugir aos debates estratégicos para o Movimento Estudantil (M.E.) e para a educação, pode-se dizer que a Chapa 7 foi a única chapa que combateu abertamente o governismo/UNE e as posições da direita (se posicionando contra a presença da polícia militar no campus e a privatização da universidade via fundações privadas e cursos pagos), assim como defendeu a centralidade da luta contra a reforma universitária do Governo Lula/PT (que tem sua continuidade com o novo PNE 2011-2020) através da ação direta de estudantes e trabalhadores.
2 – PORQUE A RAZÃO DA VITÓRIA DA DIREITA NÃO FOI
MECANICAMENTE A "ESQUERDA DIVIDIDA"?
Com a vitória da chapa direitista nas eleições do DCE uma série de debates foram levantados sobre a fragmentação dos setores da “esquerda”, este debate foi especialmente puxado pelo PSTU/Anel (Chapa 2) em um panfleto intitulado “Esquerda se fragmenta e entrega o DCE nas mãos da direita conservadora”. Os principais argumentos defendidos foram: 1º) A ocupação da reitoria de 2008 foi vitoriosa e que a partir dela “uma nova etapa se abriu” na UnB; 2º) A não unificação da “esquerda” ocorreu pelo sectarismo das chapas 5 e 7 e esta foi a principal causa da vitória da direita; 3º) Uma chapa unificada da esquerda “teria conseguido, juntas, mais votos que separadas”. Achamos necessário responder a estas questões por estarem sendo amplamente reproduzidas neste período pós-eleitoral.
Quanto ao último argumento exposto pelo PSTU, realmente temos de concordar que uma tal chapa unificada provavelmente teria sim maior quantidade de votos. Porém, o que devemos entender é precisamente a visão oportunista deste partido quanto à “reorganização” do M.E.. Para o PSTU, o avanço ou retrocesso do M.E. é analisado sob uma ótica matemática de conquista de entidades (no caso o DCE) e nunca o da sustentação de uma luta a médio/longo prazo de combate às práticas e formas organizativas burocratizadas e reformistas.
Entendemos que “ganhar” a direção de uma entidade como o DCE não garante a modificação imediata e mecânica rumo ao avanço político e organizativo de base. No atual momento em que convivemos em um meio pouco ou fracamente dotado de uma política classista e, quando muito, capaz apenas de apresentar lutas reativas, portanto também desorganizado, neste momento nossa principal e imediata tarefa é outra: é persistir na formação política coletiva de cada curso, impulsionar experiências de luta e gerar estrutura organizativa democrática em cada CA, ou seja, na base, operando portanto de baixo para cima na reorganização do M.E. É o trabalho duradouro de organização e politização de base, via Oposição, nossa tarefa primeira. Tal trabalho de reorganização é impensável para os partidos eleitoreiros (PT, PCdoB, PSOL e PSTU), “prisioneiros” de uma visão pragmática e imediatista, a de “ganhar” as direções a qualquer custo.
Porém, longe de tal “corrida pelo aparato” ser uma especificidade somente do PSTU/Anel, ela foi uma prática de quase todas as chapas. Podemos dizer que os “rachas” na última gestão governista do DCE (que formaram as chapas 1, 4 e 6), as quais se distinguiam apenas em propostas secundárias e nos “mascotes” da campanha, tiveram apenas motivações burocráticas que escondiam suas semelhanças programáticas: a defesa dos programas de precarização da educação brasileira (REUNI, ProUNI, PNE, etc.) e a mesma concepção de DCE. Tivemos também na chapa 3 uma aliança entre o que há de mais reacionário no movimento estudantil: a UJS (que é direção há duas décadas da UNE), juventude do DEM e um grupo claramente fascista. Para esses oportunistas, vale tudo pela direção da entidade!
Quanto ao segundo questionamento feito pelo PSTU, sobre o sectarismo dos “grupos de esquerda”, afirmamos que esta acusação tenta reunir harmonicamente grupos com métodos, estratégias e programas de luta bem diferentes, ao menos em relação à Oposição CCI. A formação de uma chapa sem coesão interna suficiente poderia criar mais problemas do que resolvê-los, poderia em momentos críticos da luta estudantil ficar paralisada. Não aceitamos, portanto, a provocação de que a Oposição CCI contribuiu para a vitória da direita. Como demonstrarmos, é precisamente a política vacilante da esquerda eleitoreira que criou as condições para a vitória da direita, e é somente com um grupo coeso que se oponha não apenas a esta ou aquela gestão, mas que se oponha a política hegemônica, que conseguiremos verdadeiramente transformar o DCE da UnB em uma entidade combativa e de massas.
Por fim, o PSTU retoma o debate da ocupação da reitoria de 2008 (a do caso “Finatec”) para tentar explicar o atual momento de refluxo. Porém, é sobretudo na sua defesa acrítica da “ocupação vitoriosa garantida pela esquerda unificada” que reside uma de suas principais fragilidades e sua incompreensão das verdadeiras tarefas a serem cumpridas no atual momento.
A vitória da direita liberal significa o fim de um ciclo que se inicia com a ocupação da reitoria em 2008. Após esta ocupação, a Oposição CCI foi um dos únicos grupos a identificar que os partidos governistas e sua política saíram fortalecidos daquele processo¹. O PSOL e o PSTU, então na direção do DCE, buscando aliança com a UNE e PT ficaram incapacitados de aplicar a política correta: transformar a reivindicação imediata “contra a corrupção” em greve geral contra as Fundações Privadas, contra o REUNI etc. Como não o fizeram, garantiram o fortalecimento do governismo e o esvaziamento político daquela ocupação. Tal esvaziamento político e dependência da UNE representou a abdicação da luta contra o REUNI e contra as Fundações e, por fim, contribuiu para encorpar a “condenação das pautas externas”. Tal foi o efeito prático desta “esquerda unificada”².
A crítica de que os grupos estudantis se preocupam com “pautas externas” à universidade (concepção fortalecida pós-ocupação de 2008) e a crítica às assembleias como sendo antidemocráticas, “antiquadas” e etc., foram a concepção geral que garantiram a vitória do PT para o DCE em 2009 e em 2010, e a prática corporativista foi amplamente aplicada nestas últimas gestões. Na presente eleição do DCE (2011) vimos o aprofundamento e “radicalização” deste corporativismo e apoliticismo através da campanha da direita. O que estes pretensos “acadêmicos” não compreendem é que não podemos separar os problemas da educação das causas mais amplas e sociais que as produzem, e que somente através das mobilizações gerais e sociais que poderemos de forma plena combater a precarização cotidiana que a somos submetidos.
3 – O GOVERNISMO É A ANTESSALA DA DIREITA REACIONÁRIA
Quando dizemos que o governismo é a antessala da direita estamos querendo dizer que o discurso corporativista que despolitiza as lutas, o pragmatismo que busca “resultados” imediatos dentro dos Conselhos antidemocráticos da universidade, a negação das assembleias gerais e das mobilizações de massas como os verdadeiros meios de exercício da democracia de base (e sua substituição por reuniões fragmentadas) foi a concepção de M.E. amplamente defendida pelas últimas duas gestões do DCE (PT) e que tem na vitória da direita apenas uma continuidade “radicalizada” desta concepção.
Um fato importante a ser trazido novamente à tona para entender a interseção das concepções de M.E. dos governistas e da direita, é recapitular a formação da Aliança pela Liberdade (atual gestão do DCE) , grupo fundado após a ocupação de 2008. A “Aliança” nasce de um racha da UEI (União de Estudantes Independentes, que se posicionou contra greves de professores e funcionários e contra a ocupação da reitoria), porém, a outra parte deste racha vai compor exatamente a gestão “pra fazer diferente” da Articulação do PT (2009).
Nas eleições para o DCE em 2010 a chapa de reeleição “Amanhã Vai Ser Maior” (PT) prosseguiu sua campanha, por exemplo, em defesa de “novos meios” de articulação dos estudantes e “contra a quadradice das assembleias”. Quanto a isso podemos dizer que cumpriram seu programa de mandato: não divulgando assembleias, não organizando as lutas e reivindicações estudantis! Ironicamente, quando a direita toma posse com um programa de “parlamento estudantil” (proposta essa que trocaria as assembleias gerais por representações difusas dos CA's) os governistas histericamente tentam se diferenciar desta proposta quando no fundo é de sua “irmã gêmea” que estão falando.
As últimas duas direções governistas do DCE aplicaram a política da direita-neoliberal por outros meios, assim como o próprio PT cumpre seu papel de privatização e precarização da educação em escala nacional. Nestes dois últimos anos, para além dos discursos “triunfantes”, o que vimos foram derrotas para os estudantes e vitórias para a direita: recredenciamento da FINATEC, silêncio total frente à precarização das condições de estudo via REUNI, Polícia Militar patrulhando o campus etc.
4 – SOMENTE UMA OPOSIÇÃO COESA E ARMADA COM UM
PROGRAMA CLASSISTA E COMBATIVO PODERÁ SUPERAR O ATUAL MOMENTO!
A defesa exaustiva da “pluralidade” agiu como meio de garantir uma cortina de fumaça sobre as posições políticas das chapas, e demonstrou sua utilidade em favorecer um debate superficial e sem grandes conflitos, onde quase todas as chapas “pareciam falar as mesmas coisas”. As chapas de “esquerda” também se concentraram na “política pragmática do papel higiênico” e fugiram dos debates mais polêmicos (como polícia no campus, posicionamento sobre a UNE, REUNI, etc.) com vistas a não perderem votos. Na compreensão da Oposição CCI, o discurso “pluralista” e “tolerante”, que abdica das grandes polêmicas com a direita e com o governismo, tem sido historicamente o principal responsável por acobertar diante da base estudantil as posições mais atrasadas e reacionárias criando um consenso absolutamente nefasto.
A forma que nós estudantes devemos reagir à vitória da direita nas eleições do DCE não deve ser através de uma crítica passiva ou pelo ceticismo. Devemos tornar impossível a aplicação do programa da direita de privatização e elitização da Universidade e do DCE, devemos opor ao aburguesamento e ao “Parlamento Estudantil” a mobilização coletiva dos estudantes em assembleias gerais, fóruns de luta dos CA's, manifestações, ocupações e greves. Será no vazio da participação de cada estudante do povo que a direita se fortalecerá.
Devemos admitir que vivemos uma crise de organização e direção do M.E., e a simples tomada de aparatos não as resolvem. A tarefa é, portanto, rediscutir o modelo organizativo, que deve ser pela base (com militantes/coletivos impulsionando a luta em cada CA), refletir sobre os desastres dos métodos de conciliação com a Reitoria, adotando os combativos, bem como rediscutir em cada base as influências nefastas do governismo, do corporativismo etc. Com a crise que vivemos, a vitória imediata possível seria tão somente a de uma direção sem base. A tarefa de "vitória", para nós, é, portanto, de médio prazo, colocando a base para ter um papel ativo na luta.
Mais do que nunca, reafirmamos que, ao contrário da tática de se adaptar às condições políticas atrasadas que estão dadas, sustentar um programa classista, mesmo que em certos momentos se tenha que caminhar “contra a correnteza” (atuando como minoria), é o caminho correto a se seguir para avançar a consciência e organização estudantil. E que a única estratégia que poderá derrotar o atual DCE é de uma Oposição coesa, preparada para as batalhas prolongadas, como um núcleo duro que jamais cede, e articulada aos estudantes nos cursos. Por isso convocamos todos os estudantes de esquerda a construírem conosco a Oposição CCI ao DCE!
Una-se à Oposição Combativa, Classista e Independente!
Pela reorganização do Movimento Estudantil pela base!
_______________________
[1] - Vide Germinal nº 6 no blog: www.oposicaocci.blogspot.com/O_GERMINAL_nº_6
[2] - O rebaixamento dos paragovernistas (PSOL e PSTU) chegou a tal ponto, que frente às eleições para Reitor pós-ocupação de 2008, o PSOL apoiou a candidatura de José Geraldo (PT) e o PSTU se manteve “imparcial”.
[2] - O rebaixamento dos paragovernistas (PSOL e PSTU) chegou a tal ponto, que frente às eleições para Reitor pós-ocupação de 2008, o PSOL apoiou a candidatura de José Geraldo (PT) e o PSTU se manteve “imparcial”.
* * *
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