QUEBRAR O CONSENSO GOVERNISTA:
Iniciando o segundo semestre de 2009 é necessário fazer uma avaliação séria sobre a configuração do Movimento Estudantil hoje na UnB e apontar as tarefas a serem cumpridas pelos estudantes proletários nesse próximo semestre.
A vitória esse ano de uma direção petista para o DCE (chapa “Pra fazer diferente”) e para a Reitoria nesse último período só vieram a ilustrar as críticas e análises que a Oposição CCI já vinha fazendo da derrota da ocupação em 2008 para o governismo e da incapacidade política da direção para-governista da ANEL (PSTU) de consolidar uma polarização clara com a UNE e reorganizar o Movimento Estudantil.
A política neo-liberal orquestrada pela Reitoria/DCE/Fundações privadas!
Desde o processo eleitoral da entidade esse ano e durante esse período de gestão do DCE pela chapa “Pra Fazer diferente”, fica evidente a ligação que existe entre o DCE e a Reitoria (ambas dirigidas pelo PT) enquanto agentes políticos da estratégia governista e neoliberal para a educação.
Agindo conjuntamente, a partir da linha teórica governista de suposto “desenvolvimento nacional” a partir da ampliação da taxa de lucro dos empresários para o aquecimento da economia, os governistas se tornam agentes efetivos do neoliberalismo e da burguesia que tem como objetivo a implementação de políticas e reformas tais como as parcerias público-privadas, o REUNI precarizando e reestruturando a universidade para a acumulação capitalista, as fundações parasitas ditas de “apoio”, o Pró-Uni que na prática transfere verba pública para as faculdades privadas, precarização e terceirização do trabalho, lei anti-greve, etc. Política desenvolvida na UnB pela Reitoria/DCE.
Podemos observar a tática orquestrada pela direção do DCE e pelo Reitor José Geraldo através das lutas pela assistência estudantil e contra as fundações privadas onde abertamente o DCE agiu como blindagem da reitoria e mediador entre os estudantes e esta, buscando sempre “boicotar e domesticar” as lutas, para que estas não colocassem em perigo o consenso governista da comunidade acadêmica perante a Reitoria.
No processo de luta contra as fundações, iniciado no final do primeiro semestre, ao contrário do que o DCE dizia de forma oportunista de que a reitoria iria barrar o re-credenciamento da Finatec, na última entrevista de José Geraldo (vide site unb) fica explícito seu posicionamento em defesa das fundações. Quando perguntado:
Ou seja, na verdade tal argumento falso foi utilizado pelo DCE, depois do correto impedimento do CAD (dia 18 de junho), para se contrapor e amortecer o avanço da ação direta e na prática caminhará para o re-credenciamento da Finatec. Tal fato demonstra que a política da Oposição CCI estava correta em caracterizar a reitoria enquanto agente do neoliberalismo e a necessidade de avançar na radicalização da ação direta (em oposição a política covarde de sensibilização dos conselheiros!) para quebrar o consenso governista e avançar na luta.
Os para- governistas da ANEL/PSTU/ “não vou me adaptar” mais uma vez na luta contra as fundações ficaram a reboque do governismo. Juntos com o DCE defenderam a não continuação da ação direta e impedimento dos CAD’s (que iriam discutir o re-credenciamento da Finatec), para apostar na sensibilização do conselheiros e no suposto posicionamento contrário do Reitor às fundações, legitimando um espaço democrático-burguês e viabilizando a política governista na UnB. A proposta do PSTU para a luta contra as fundações é novamente plebiscitos e abaixo-assinados furados e sem eficácia (vide plebiscito “contra o REUNI” e “contra o leilão da Vale”), expressando mais uma vez sua escolha pelo caminho legalista e reformista ao invés do caminho da luta classista e combativa.
Logo no começo desse segundo semestre, no final da primeira semana de aula, no dia 21/08 – sexta feira, a Reitoria chamou pela manhã uma “aula de inquietação” que não passa de um circo da reitoria para corroborar uma imagem supostamente progressiva . Já pela tarde organizou um Seminário: “Fundações de Apoio: necessidades e exigências” com a burocracia universitária e representantes da Finatec, Fubra, etc. com a linha clara de através do seminário avançar o processo de re-credenciamento da Finatec e dar legitimação para as fundações parasitas na universidade. No Seminário, o MEC, confirmou compromisso e meta da Secretaria de Educação de estar buscando dar o suporte jurídico/legal as atividades dos professores nas fundações. Isso deixa claro a articulação e sintonia da política neoliberal privatizando do Reitor Jose Geraldo e da conclusão do Seminário exposto em manchete no site da unb: “Fundações sim. Mas dentro da Lei.”.
Reconstruir um movimento estudantil sob escombros.
A Oposição CCI defende que os estudantes tomem pra si a responsabilidade de reerguer um forte movimento estudantil de caráter combativo, para enfrentar sem hesitação as políticas capitalistas/neoliberais para o ensino superior. Por isso conclamamos que os estudantes do povo, principalmente os calouros que ainda não se acomodaram com as visões pós-modernas e pequeno burguesas, venham e tomem seu espaço reconstruindo e dirigindo os C.A’s de seus cursos. Acreditamos que desde já onde se tenha forças organizem-se coletivos de curso centralizados pela Oposição CCI levando uma proposta de luta intransigente, organização, compromisso e politização aos Centros Acadêmicos. CA é pra lutar não para se drogar!
A idéia que domina vários CAs de que não precisamos de organização, ou que eleger coordenadores ou uma diretoria seria burocratização é falsa e só agremia porraloucas, nós defendemos uma política de organização pelo poder das bases estudantis que leve uma direção concreta a luta. Por isso propomos para os C.As: direção colegiada(com revogabilidade de mandatos) + GT´s abertos, assembléia geral do curso como órgão deliberativo regular; Para o DCE: diretoria colegiada, com conselho de delegados de base acima da diretoria e um Congresso Geral de Estudantes.
Só a política correta pode levar os estudantes à vitória.
Neste segundo semestre de 2009 a Oposição CCI defende que o estudantado deve se armar sob os seguintes pressupostos: a) Consolidar uma organização estudantil de base de caráter anti-governista, b) Combater a política de “frente única consensual” com os setores governistas da UNE, proposta conclamada pelos para-governistas do “coletivo não vou me adaptar/ANEL”, que deixa o movimento refém das sabotagens e do atraso político da burocracia estudantil, c) Ter uma política combativa de enfrentamento, pois ao contrário do que diz o DCE governista e seus satélites, a manifestação de impedimento ao CAD(Conselho de Administração da UNB) em junho do semestre passado, foi o que demonstrou nossa capacidade de mover as peças no tabuleiro, ainda que timidamente causando uma crise no “consenso José Geraldo”. Neste semestre temos de ampliar esta política de combate e não amortecê-la.
Nossa luta tomará contornos concretos a partir da aliança entre estudantes e trabalhadores da UnB sob uma direção classista e anti-governista para a luta. É necessário organizarmos um calendário de agitação e propaganda contra fundações e a política neoliberal do Governo Lula. A estratégia da ação direta, que se opõe a metodologia de abocanhar pequenos espaços entre a pequena e podre burocracia dos conselhos univesitária, deve dar a tônica de nossas lutas com piquetes, impedimentos de CAD, manifestações e ocupações.
Combater a política neoliberal da Reitoria e do DCE governista!
Fora fundações parasitas!








