quinta-feira, 6 de maio de 2010

O Germinal – Nº 15, Abril de 2010

Avançar a Greve Geral contra o Governo!


A Greve Unificada da UnB, iniciada no dia 9 de março pelos professores, já passa de um mês de duração. A assembléia realizada pelo movimento estudantil (no dia 16/03) que aprovou a participação na greve e que contou com cerca de 400 estudantes, confirmou a defesa dos posicionamentos que a Oposição CCI vinha fazendo desde o final de 2009: deflagração de greve estudantil e defesa da unificação, com pautas estudantis e com piquetes/ ação direta (ver boletim germinal nº 13 de novembro de 2009). A greve, pelo caráter agressivo do corte salarial (26%), conta com boa adesão de professores e servidores do quadro.

Apesar disso, o movimento grevista apresenta no seu interior uma série de problemáticas que se colocam como obstáculos ao avanço da luta atual. Os organismos de direção do movimento tal como a ADUNB (Thimotistas) , o DCE (PT-UNE) e o Sintfub (PT-CUT), hegemonizados claramente por forças políticas legalistas e governistas vem levando o movimento a confusão, defendendo aná lise errônea de que há uma contradição no Estado, entre o Ministério do Planejamento e o Governo Lula/Dilma, e que a tática para obter a URP em ano eleitoral é apostar na exigência de que Lula/Dilma defendam os trabalhadores da UnB.
Como já havíamos denunciado no boletim nº 13 a retirada da URP (gratificação salarial de professores e servidores instituída em 89) que já foi nacional e atualmente tem na UnB um de seus últimos bastiões, faz parte de um ataque global implementado na educação brasileira. Como veremos esses ataques tem ampla dimensão:


O Papel Burguês do PT (Lula e Dilma):



A intransigência e atraso do Governo Federal/Ministé rio do Planejamento em não pagar a URP demonstram o caráter estratégico de sua política de precarização do trabalho e da universidade pública. Esta e outras medidas fazem parte da Reforma Trabalhista Neoliberal que vem sendo implementada pelo Governo do PT conjuntamente á burguesia brasileira. Tem o objetivo de adequar o Brasil ao modelo imperialista de flexibilização trabalhista e competitividade internacional.

O Projeto de Lei 549/2009, é exemplo disso, já aprovado no senado federal visa congelar os salários dos servidores por 10 anos e reduzir drasticamente os custos públicos. Além disso, tramita na Câmara e no Senado Federal o PLP 248 e a PEC 341/09, medidas que instituem a demissão sem direito à ampla defesa no serviço público e a “regulamentação” do direito de greve.

Deste modo as recentes declarações do presidente Lula pelo pagamento da URP, não devem ser encaradas como uma faceta bondosa a ser aplaudida e sim como resultado de nossa luta. Não devemos aplaudir o patrão por conceder o que é nosso por direito. Aliás, pelo que vem se desdobrando nos trâmites da AGU (Advocacia Geral da União), os trabalhadores parecem estar sendo enrolados outra vez. Deste modo, a análise de que para vencermos a batalha da URP temos que apostar numa suposta “contradição” no governo, é uma formulação produzida pelos setores petistas do (Sintfub e DCE) que além de se apoiar em uma tática eleitoreira/ oportunista ela obscurece a natureza burguesa do Governo de Lula e seus ataques aos trabalhadores do campo e da cidade.


As Conseqüências do Reformismo na Greve da UnB:


No movimento estudantil, o DCE leva uma prática de sabotagem da greve não encaminhando seriamente as tarefas principais da greve (como iniciação de piquetes, panfletagens, divulgação de assembléias etc.) E no movimento sindical, vemos o corporativismo se revelar na secundarização realizada pela diretoria do Sintifub e Adunb à luta dos terceirizados e contratados, ocasionando no fato de que a maior parte dos trabalhadores de serviços da UnB, que são terceirizados, continua trabalhando, já que não foram incorporados à greve.

Apesar de uma pressão da base pela radicalização do movimento, causada pela ineficácia da espera legal ao STF, as diretorias continuam apostando em atos comportados: em carreatas organizadas pela polícia, juntamente com parlamentares do PT, métodos judiciais e principalmente apostando na mídia burguesa para “pressionar” os órgãos públicos. Este último método se apresenta extremamente problemático, pois além de não representar uma pressão real, coloca o movimento refém do jogo burguês legalista, defendido pela mídia, que paralisa o avanço da luta combativa dos trabalhadores, levando-nos a derrota.

A linha estratégica governista das direções foi explicitada no ato na CONAE (Conferência Nacional de Educação), no dia 29/03, que contou com uma saudável ação combativa de ocupação da sala de eventos do Ulisses Guimarães. Mas na qual os pronunciamentos traidores dos diretores sindicais se colocaram a apoiar esta mesma conferência “tripartite” (governo, empresários e trabalhadores) , que vem legitimando vários ataques a educação, como a implementação do Novo ENEMbular.

Fica claro durante esse período de greve que a estratégia eleitoral da direção do DCE/PT e sua política de freio e boicote para as lutas materiais (tal como a greve unificada na UnB) faz parte de sua linha reformista que reforça o paralelismo na luta. Esta política paralelista se da com o reforço de “lutas” de cunho democrático-burguê s/nacional- desenvolvimentis ta (“Fora Arruda/Ética na política”, “Petróleo é nosso”, etc.) ao mesmo tempo em que desestabiliza e enfraquece as lutas e econômicas/materiais . Isso faz com que os trabalhadores não acumulem força na base e os deixa refém das lutas legalistas para apoio de legendas eleitorais, como o PT. Para além da verborragia vazia do DCE defendendo a “massificação” e “radicalização” da greve (sic), fica claro aos estudantes sinceros que seus reais compromissos com o Governo e com a política burguesa impossibilitam que tal direção encaminhe a luta para a vitória. Muito maior do que a fala comprometida e apodrecida dos diretores do DCE, a realidade nos mostra que a greve estudantil está sendo boicotada. O paralelismo reformista sujeita as lutas materiais/econô micas ao corporativismo, ao pacifismo e a derrota.

Construir uma greve geral na educação:


Deste modo, ao contrário das diretorias que pretendem fragmentar e parcializar as lutas, visando não fazer um enfretamento estratégico com o Governo Lula e os pacotes educacionais capitalistas, a Oposição CCI aponta que para os estudantes e trabalhadores da educação superarem a atual condição meramente reativa da luta, e passarmos a uma contra-ofensiva ao governo e ao empresariado, é necessário que unifiquemos a luta da URP à luta contra o PL 549/2009, contra a terceirização e as fundações privadas nas universidades. Visando a construção de uma greve geral na educação e no serviço público, acumulando forças através de um combativo movimento nacional de oposição sindical, popular e estudantil.

Para a continuidade e ampliação da luta na UnB é necessário termos claro que a polarização é entre os Trabalhadores x Estado (Lula e MPOG) e Empresariado, por isso devemos acumular nossas forças mantendo a greve e não acreditando em promessas dos poderosos. Queremos medidas concretas!
Não aos ataques da Burguesia e de Lula ao ensino! Construir a Greve Geral na Educação!


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Por que não queremos a polícia na UnB

Foi no dia 10 de outubro de 1973 que o estudante de Geologia da UnB e líder estudantil, Honestino Guimarães, foi morto e “desapareceu” nas mãos dos militares brasileiros. Fatos como esses e muitos outros, como o assassinato do estudante secundarista Edson Luís em 28 de março de 68, marcam com sangue a história do movimento estudantil no Brasil. Uma história de longo combate aos ataques a educação e de luta de vida ou morte contra a polícia do Estado Brasileiro a serviço das elites nacionais e internacionais.

Esses foram militantes heróicos a qual devemos relembrar a todo o momento sua bravura na luta do povo. Uma de suas grandes bandeiras foi exatamente a luta pela expulsão da repressão burguesa nos campus das universidades brasileiras, que conseguiu relativa vitória com o veto a entrada da PM nos campus a partir dos anos 80. Estes estudantes e trabalhadores estavam cientes do papel que a polícia cumpre na sociedade capitalista e na luta de classes: a repressão, o assassinato aos trabalhadores e estudantes (nas favelas, no campo, nas greves e nas escolas), e a defesa de um Estado corrupto dos grandes proprietários.

Apesar disso, atualmente vemos grupelhos da direita (o que já era esperado) e da dita “esquerda” exigirem a polícia militar no campus da UnB. A diretoria do DCE/PT é um dos maiores pilares desta política, que no segundo semestre de 2009 apoiaram a proposta de participação do DCE no comitê de segurança pública do GDF e a presença da PM no campus. Desta forma, sujam a história do movimento estudantil, que lutou por independência na organização dos estudantes e trabalhadores. Mais timidamente, vemos os para-governistas/ reformistas do PSTU defendendo os sindicatos de policiais.

Os movimentos de ocupação de reitoria ocorridos no Brasil inteiro durante os anos de 2007 e 2008, tem muito a nos ensinar sobre a repressão policial. A perseguição política, o jubilamento, o espancamento e a prisão de estudantes feitos pela PM ou Polícia Federal foram a resposta dada a luta combativa e justa dos estudantes. A recente luta na USP em junho de 2009, contra as demissões e contra a parceria privada de curso a distância na universidade, confrontou brutalmente o choque dentro dos limites do campus.

Nós defendemos que a questão de segurança deve ser garantida pelos próprios estudantes e trabalhadores da universidade e através de um conjunto de reivindicações: a) Melhor iluminação do campus e dos caminhos que ligam a L2, b) maior contratação de funcionários na UnB, c) que os CA’s, espaço de luta dos estudantes, expulsem os traficantes e condenem o uso de drogas ilícitas nas dependências físicas do mesmo e d) que o movimento estudantil e sindical criem espaços próprios de discussão, julgamento e execução de medidas de segurança.
A política do DCE é a política burguesa, pois defendem implicitamente que os problemas estruturais da educação estão resolvidos, bastam ser disputados aqui e ali os programas postos, dado que o seu partido (PT) ocupa o cargo central do Estado. Mas os problemas da educação estão longe de ser solucionados, e reservam aos estudantes proletários uma dura e violenta batalha pela derrubada do domínio burguês sobre a universidade. Ser contra a polícia no campus universitário é não conciliar com o inimigo de classe, é lutar contra a repressão ao Movimento Estudantil e Sindical, é tomar partido na luta de classes em defesa do povo pobre e trabalhador.

Fora Polícia Militar da UnB! Fora DCE Burguês! Pro uma universidade sob controle dos trabalhadores!

sábado, 24 de abril de 2010

CONCLAT: Avanço ou Retrocesso?

Nos dias 3 e 4, 5 e 6 de junho será realizado em São Paulo o II Congresso da CONLUTAS (Coordenação Nacional de Lutas) e o CONCLAT (Congresso da Classe Trabalhadora), respectivamente. A Oposição CCI/Rede Estudantil Classista e Combativa, juntamente com setores combativos do movimento sindical organizados na CONLUTAS, preparam sua intervenção para enfrentar mais uma traição aos trabalhadores perpetrada pelo atual campo para-governista (PSOL e PSTU).

A política de unidade com os governistas (vale/petróleo é nosso, redução taxa de juros etc), a aceitação envergonhada da reforma sindical de Lula e por conseqüência do Sindicalismo de Estado, a dissolução da Conlutas/Conlute, e manobras cupulistas/eleitoreiras entre correntes do PSOL (APS, CSOL etc) e PSTU selarão a fusão retrógrada entre INTERSINDICAL e CONLUTAS.

Por isso a Oposição CCI apóia a tese “Em defesa de uma Central de Classe”, contra a fusão e o reformismo que conduzirá os trabalhadores brasileiros a derrotas. Convocamos também os estudantes trabalhadores a participarem da plenária paralela pró-movimento nacional de oposição sindical, popular e estudantil que ocorrerá durante os dias dos congressos.


Organizar operários, camponeses e estudantes em um único instrumento de luta, através da democracia de base e ação direta contra o Estado e o Capital!

Construir uma Central de Classe!



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* Para ler a tese "Em defesa de uma Central de Classe", abra o link:


domingo, 21 de março de 2010

Cartaz em solidariedade de classe!

A grande maioria da mão-de-obra da UnB se dá através da terceirização e precarização das relações trabalhistas. No início deste ano, a perseguição política levou a demissão de cerca de 150 trabalhadores do Hospital Universitário - HUB, sendo que a lista de tais demissões é formulada pela Prefeitura da UnB e grande parte destes trabalhadores eram os bravos lutadores que estavam a frente da greve no final do ano passado pelo direito mais básico pelo 13º sálário.

segunda-feira, 8 de março de 2010

O GERMINAL - Nº14, Março de 2010


Editorial:


A Oposição Estudantil CCI - Combativa, Classista e Independente ao DCE da UnB, saúda todos calouros, parabenizando-os pela difícil conquista que é superar o afunilamento elitista de ingresso nas Universidades Públicas. Achamos importante os novos estudantes tomarem parte não só nos assuntos acadêmicos mas também nas lutas do Movimento Estudantil (ME), uma vez que nossas tarefas e batalhas vão justamente no sentido de melhoria das Universidades, combatendo o que as precariza. (Acompanhe o texte seguinte.) Assim, chamamos os calouros a estarem participando das Assembléias Estudantis e da tarefa de reorganização dos Centros Acadêmicos (CA's) e Movimentos de Curso.

Para isso, a Oposição CCI se articula nacionalmente através da Rede Estudantil Classista e Combativa (RECC), pólo aglutinador de entidades de base que se opõem à UNE e ao governismo. Compreendemos ser necessário romper organizacionalmente com esse setor, uma vez que não passa de um braço do Governo Lula/PT em meio aos estudantes, servindo como escudaria direta para que programas de cunho neoliberal, como REUNI e ProUni, venham se implementando. A RECC e a CCI se apóiam no princípio da ação direta, ou seja, mobilização pelas próprias forças dos estudantes, rechaçando a via parlamentar e eleitoral, que durante a história só nos mostrou o caminho reformista das derrotas.

Una-se à Oposição CCI!
Pela reorganização do Movimento Estudantil! Abaixo a UNE pelega!



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Avançam os ataques neoliberais aos estudantes e trabalhadores! Organizar a resistência ativa!

Para esse início de 2010, se faz necessário apresentar aos calouros e estudantes de forma geral a atual conjuntura política que vive a UnB.

As universidades “públicas” no Brasil, desde o início do governo neoliberal de Lula/PT, vem sofrendo vários ataques que visam adequar (à maneira do Banco Mundial) o ensino superior à nova fase de reestruturação produtiva e aos interesses dos grandes capitalistas. Essa política de reestruturação é um projeto amplo e profundo, que engloba diversos níveis de ensino (fundamental, médio, superior), atingindo assim a educação brasileira como um todo. Atualmente, essas políticas, formuladas no PDE (Plano de Desenvolvimento Educacional), estão a todo vapor nas universidades e escolas de todo o país.

Sendo assim, devemos entender que a reestruturação da universidade pública brasileira vem como um conjunto de políticas que visam um determinado fim: privatizar a educação, produzindo conhecimentos científicos e mão-de-obra barata para as empresas. A Universidade forma uma elite de pesquisadores, que trabalharão em condições precarizadas para atender as empresas, e ao mesmo tempo cria um grande número de vagas e grandes escolões superiores. Apesar de o governo implementar a Reforma Universitária de forma fragmentada, dividida em vários programas como o REUNI, PROUNI, ENEM, ENADE, Fundações de direito privado, todas elas estão interligadas formando um ataque nítido à classe trabalhadora.

Na UnB, essa política neoliberal mantêm sua aplicação com a gestão populista do Reitor José Geraldo/PT e seus braços de apoio nas direções governistas do DCE/Une e SINTFUB/Cut. Como denunciado anteriormente pela Oposição CCI e como vem ocorrendo, a reestruturação da universidade ataca tanto os alunos (com falta de salas, falta de professores, reformulação do currículo, falta de verba etc.), quanto os trabalhadores (com fim da dedicação exclusiva, aumento de carga horária, contratos temporários, terceirização, corte salarial, corte de direitos trabalhistas etc.). Ano passado tivemos um longo período de mobilizações que surgiram diante dos diversos problemas enfrentados pelos estudantes e servidores dentro da Universidade, problemas que vem se agravando ano após ano. As principais lutas foram contra o recadastramento das Fundações de Direito Privado - parasitas e corruptas -, as ocupações de CA's pela falta de espaço, a greve dos três setores (estudantes, funcionários e professores) pela URP e as mobilizações pelo 13º para os precarizados do HUB que, graças às direções pelegas das entidades dos três setores, não resultaram em vitórias e continuam na ordem do dia para o 1º/2010.

No final do 1º semestre de 2009 tivemos um momento importante na luta contra as fundações com a implosão do Conselho Administrativo (CAD), que votaria o re-credenciamento da FINATEC (ver boletim nº11). Porém, a política legalista e pelega de “sensibilização dos conselheiros”, com base num suposto posicionamento do Reitor contrário às fundações (sic) anunciado pelo DCE/PT e pela “oposição” oportunista do PSTU, só nos apontam o caminho das derrotas, já que o próprio Reitor em declarações pregressas e em entrevista à Agência de notícias da UnB –SECOM (datada de 30/12/09) afirma claramente: “No caso das fundações, qual foi o princípio que prevaleceu no final de 2009? A recriação das fundações a partir de critérios determinados pelo próprio Consuni.”. Ou seja, o que está colocado pela Reitoria/DCE/PT não é um posicionamento contrário a parasitagem das fundações e sim uma defesa de sua legalização. Em meio a toda falácia governista, a UnB (em 27 de novembro de 2009) re-credenciou a Fundação de Apoio ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico do Hospital Universitário de Brasília (Fahub) e, recentemente, a FINATEC (envolvida nos escândalos de corrupção em 2008) exigiu o recredenciamento para “sair do vermelho”, o que indica para esse ano de 2010 a necessidade de se organizar desde já a agitação e propaganda em defesa da ação direta contra as fundações privadas.

Ainda ano passado a luta dos trabalhadores contra a retirada da URP (que representa 26% dos salários!) encontrou sérias barreiras no sindicalismo corporativista expresso nas direções do SINTFUB e ADUnB, que desmobilizaram as categorias em nome da espera dos trâmites jurídicos deixando o movimento refém da legalidade-política burguesa (prova disso é a deflagração da greve apenas no final de novembro, posicionamento contra piquetes etc.) e, juntamente com o DCE, visando blindar a política da reitoria, fizeram mesas conjuntas e atos com o reitor/PT. O salário dos professores e funcionários já são baixos, segundo dados da própria SECOM: “Só em 2009, de 586 convocados 248 já desistiram da UnB por conta dos salários baixos” e o MPOG ainda quer cortar gastos. No caso dos servidores, mais de 500 estão sem receber a URP desde o mês de novembro do ano passado, porém as primeiras assembléias do ano demonstram a continuidade do legalismo e do corporativismo das direções sindicais do SINTFUB e ADUnB, tal como já era de se esperar.

Outro fato que ocorreu no final do ano de 2009, paralela a luta da URP, foi a greve dos trabalhadores precarizados do HUB. Tais trabalhadores, que não possuem os direitos mais básicos, se lançaram em greve em defesa do 13º salário (atropelando a direção do Sintfub) no mês de dezembro. Em panfleto defendendo a greve, a Oposição CCI pontuou que: "O avanço das terceirizações e da flexibilização dos direitos trabalhistas é elemento constitutivo da política neoliberal implementada pelo Governo Lula e pelos capitalistas. A forma como isso pode ser observado na UnB é que a maioria esmagadora da mão-de-obra da universidade se dá através de terceirização ou contrato direto da UnB (contratos sem carteira-assinada, sem férias, 13º etc.).” Não conseguindo obter o 13º por conta da afirmação de ilegalidade para com o tipo de contrato (direto pela UnB/ contratados como pessoa jurídica, os chamados “precarizados”), os “precarizados” perderam na reivindicação mas acumularam na sua experiência de organização. Já no dia 15 de Janeiro deste ano, em um processo de terceirização de 493 postos de trabalho antes exercidos pelos “precarizados” do HUB, cerca de 100 trabalhadores foram demitidos (20%!), sendo que tais demissões estão também motivadas pela perseguição política à greve ocorrida no final de 2009. É necessário mais do que nunca a solidariedade de classe com a luta e as reivindicações dos precarizados e terceirizados, fração mais explorada da classe proletária da UnB.

O estudante proletário precisa seguir um caminho de luta!

Tendo feito um panorama geral das lutas na UnB, é importante que se reafirme a trincheira de classe e as convicções dos estudantes organizados na Oposição CCI. Diante uma conjuntura de ofensiva por parte da burguesia, na qual o Governo Lula/PT e seus apêndices no movimento sindical (CUT) e estudantil (UNE) tem a missão histórica de garantir a reestruturação produtiva via “Reformas Neoliberais”, se coloca como tarefa central para trabalhadores e estudantes: transformar as lutas específicas e econômicas em combate político e global contra as reformas neoliberais aplicadas a nível federal (tal como a retirada da URP!) pelo Governo Lula/PT; rompendo e combatendo o governismo e o reformismo (combatendo as direções do SINTFUB, ADUnB e DCE) caminhando para reorganização de nossa classe.

Por isso a Oposição CCI aponta para esse turbulento começo de ano: a) Pela defesa da Greve Unificada de toda a classe trabalhadora da UnB (professores, servidores e estudantes) contra o corte salarial da URP e pela incorporação das principais pautas do Movimento Estudantil (fim das fundações privadas, pela assistência estudantil, contra o Reuni) e dos trabalhadores precarizados e terceirizados (contra as demissões, pela incorporação no quadro efetivo); b) Em defesa da combatividade nas lutas, com ocupações de órgãos públicos, marchas e fechamentos de rua, piquetes e greve unificada; c)Pela construção de um movimento de oposição classista e combativo na base estudantil e sindical, de caráter anti-governista (contra a CUT e UNE) que combata as direções pelegas da ADUnB, SINTFUB e DCE que ficam a reboque da legalidade e da política burguesa, que só leva as derrotas e conquistas rebaixadas.

Pela greve unificada e combativa!
Nenhuma ilusão nas direções pelegas e governistas!
ABAIXO AS DEMISSÕES NO HUB!
Nem ENEM, nem vestibular: Acesso Livre Já!


terça-feira, 26 de janeiro de 2010

CONVOCATÓRIA para o debate do Movimento Estudantil Classista e Combativo!

Participe do debate organizado paralelo ao FSM:


“As tarefas da Luta Estudantil Combativa para 2010.”


- Local: Escola Técnica Parobé, Avenida José

Loureiro da Silva, 945, Porto Alegre-RS

- Hora:14h

- Dia: Quinta-Feira (28/01/10)




As tarefas dos estudantes combativos para o início de 2010 os chamam a analisar dois eventos de grande importância no encadeamento das políticas da burguesia brasileira para a contenção das massas trabalhadoras no país: 1)As Eleições e 2) o Fórum Social Mundial. A primeira tem importância vital na manutenção do Estado Burguês e suas instituições corruptas e assassinas, ditas democráticas. Os escândalos de corrupção em Brasília (Arruda – DEM), no Rio grande do Sul (Yeda - PSDB), no Senado Federal (Sarney – PMDB), ou os massacres no campo e nas favelas, são apenas alguns indícios de uma estrutura e de um jogo de cartas marcadas que deve ser combatida e não disputada pelos estudantes e trabalhadores. Já o FSM, se apresenta como uma grande nova artimanha burguesa, que tem a fachada das ONG’s e partidos como o PT, PC do B e etc, objetivando a construção de um suposto capitalismo humano, tem o papel de acorrentar os trabalhadores nas dinâmicas assistencialistas e parlamentares, impedindo assim o avanço da luta independente e classista.


Enquanto isso nas universidades e escolas brasileiras, os filhos da classe trabalhadora continuam suportando os ataques neoliberais e sendo ensinados a esperar as migalhas de uma cidadania falida. Projetos como o Movimento Todos Pela Educação, que reune grandes empresas, multinacionais e o governo federal avançam a todo vapor, concedendo direitos e verbas a iniciativa privada para atuar no ensino médio público, como foi o Tele Curso da Fundação Roberto Marinho criado nas escolas do DF, MT(dentre outros). Nas universidades a adequação aos novos modelo de acumulação burguesa se dão com aumento e a regularização das fundações de direito privado (afundadas em corrupção), as metas de precarização do REUNI , as empresas junior’s, a terceirização e outros exemplos que não faltam. Mas que não foram suficientes para organizar um processo de resistência nacional com ação direta como foi visto no Chile em 2006.


Ao final de 8 anos de Governo Lula grande parte destes pacotes neoliberais foram implementados ou estão em andamento. A UNE e as correntes governistas que a dominam a 2 décadas, PC do B, PT, PDT etc tiveram função central na fragmentação da resistência dos estudantes, cumprindo papel de braço do governo e serviçais da aliança com a burguesia brasileira realizada por seus partidos. Já o PSOL, que a muito demonstrou seu oportunismo na sabotagem da CONLUTAS através da construção da Intersindical e na defesa da FOE/UNE, nestas eleições sai do armário de vez e anuncia uma possível aliança com o burguês Partido Verde. O PSTU que se auto-anuncia na sua candidatura independente, não pode esconder que durante esses anos subordinou as únicas iniciativas anti-governistas e independentes a uma suposta infalível unidade e consenso com o mesmo PSOL e com a burocracia sindical e estudantil da UNE, CUT, CTB, Força Sindical e etc, nos atos e frentes unificadas.


Portanto, a reconstrução de um movimento estudantil classista e combativo no Brasil não pode estar a reboque e sob a direção dos partidos governistas e para-governistas. A estratégia do movimento estudantil de uma reconstrução desde a base, deve estar pautada na construção de oposições que defendam de forma intransigente um programa classista, combativo e anti-governista. Da mesma forma que a ação direta estudantil proletária e a democracia operária devam se tornar elementos centrais de nossa estratégia e organização. Só a partir daí poderemos reconstruir nossas entidades de base. Desta forma, não podemos esperar muita coisa da recém criada ANEL, do seu apoio a parlamentares, de seus acordos rebaixados de cúpulas com a FOE/UNE e da sua estratégia central para o próximo período que é a defesa de projetos de lei.


Por isso, a Rede Estudantil Classista e Combativa, o Grêmio Parobé e demais organizações políticas, fazem um chamado aos estudantes sinceros que estão insatisfeitos com o quadro atual do Movimento Estudantil, a virem se organizar conosco e discutir a construção do embrião que vise culminar na edificação de um movimento nacional de oposição sindical, popular e estudantil.

Em defesa da Ação Direta Estudantil Proletária!

Conquistar na Luta o Passe Livre e a Assistência Estudantil!

Nem ENEM nem vestibular, Livre Acesso Já!

Convocam:

Rede Estudantil Classista e Combativa

Grêmio Parobé

União Popular Anarquista

Luta Marxista

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Panfleto de apoio aos trabalhadores do HUB

CONTRA A TERCEIRIZAÇÃO E A PRECARIZAÇÃO DO TRABALHO!

O avanço das terceirizações e da flexibilização dos direitos trabalhistas é elemento constitutivo da política neoliberal implementada pelo Governo Lula e pelos capitalistas. A forma como isso pode ser observado na UnB é que a maioria esmagadora da mão-de-obra da universidade se dá através de terceirização ou contrato direto da UnB (contratos sem carteira-assinada, sem férias, 13º, etc.)

Em meio a uma greve dos três segmentos (servidores, professores e estudantes) em defesa da URP, os trabalhadores terceirizados e contratados (ambos precarizados!) do Hospital Universitário de Brasília (HUB) vêm protagonizando um processo de mobilização em defesa dos direitos mais básicos, tal como o 13º salário.

Desde o início do processo de mobilização um dos principais entraves para o avanço da luta é a direção governista/CUTista do SINTFUB. A direção do sindicato se utiliza de um discurso pseudo-responsável e “em defesa da ordem” como um instrumento para desmobilizar e não organizar a luta de fato, freando-a. Os exemplos das constantes postergações da greve e o não comparecimento na organização da paralisação da última sexta (04/12) são provas disso.

Tendo em vista a linha política dos governistas de manter o “consenso José Geraldo” na UnB, fica claro o motivo pelo qual a direção do SINTFUB busca não entrar em conflito direto com a reitoria, já que entraria em conflito com a política neoliberal do Governo Lula aplicado pelo Reitor José Geraldo/PT. Portanto, a oposição estudantil ao DCE da UnB reafirma a linha que apontamos durante a greve dos terceirizados (abril/2009) em nosso boletim nº8, dizendo que os trabalhadores “devem superar o divisionismo e se organizar em único sindicato, o SINTFUB. Ao mesmo tempo construindo uma oposição sindical a direção pelega da CUT, mobilizando a categoria para a luta pela ação direta e avanço nas conquistas como o aumento salarial, o cumprimento dos direitos e a contratação de todos os terceirizados [e contratados!] no quadro efetivo.”

PELO PAGAMENTO IMEDIATO DO 13º SALÁRIO!

Construir um movimento de oposição sindical-popular-estudantil!

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

O Germinal - Nº 13, Novembro de 2009

Unificar a Greve e as Pautas de Luta!

Para enterder o processo:

Neste mês de novembro os trabalhadores da UnB foram surpreendidos mais uma vez pelo inaceitável corte da URP (Unidade de Referência de Preços), gratificação incorporada pela luta dos servidores no ano de 1991 referente a perdas salariais que aconteceram em 1989, que atualmente representa 26,05% do salário. A ação foi movida pelo TCU (Tribunal de Contas da União) na qual alega a inviabilidade do pagamento da URP aos trabalhadores contratados nos anos recentes (cerca de 500). As direções sindicais têm esperado em vão as ações judiciais promovidas pelo STF.

Após uma breve exposição dos fatos é necessário realizar uma análise mais aprofundada da situação. Ao contrário do que afirmam as direções da ADUNB, SINTFUB e DCE, a Oposição Combativa Classista e Independente (CCI) ao DCE entende que este corte de salários está alçado em uma política neoliberal para a educação superior. Os cortes de gratificações semelhantes a URP foram realizados a nível nacional em diversas outras universidades, além do mais, as condições de trabalho vem sendo atacadas em diversas frentes como vemos na UnB com o avanço da terceirização, quebra da isonomia salarial, perdas de gratificações, aumento do contrato de professores temporários em detrimento dos efetivos etc.

Dessa forma, esta política ditada através dos órgãos federais (TCU etc) compõe uma parte do todo integrado que é o programa para educação do Governo Lula/PT alicerçado a burguesia nacional, que vem precarizando e atingindo vários aspectos da universidade mas que abre a possibilidade da luta unificada

Os limites da Luta:

Mas os estudantes e trabalhadores precisam ter claro que este movimento nasce de forma limitada onde as direções tanto sindicais como estudantis são governistas como é o caso de DCE/PT e Sintifub/CUT ou pior são de centro-direita como a direção da ADUNB. Onde os dois primeiros visarão blindar o Reitor(José Geraldo – PT) e o governo, e a direção da ADUNB fazer uma oposição oportunista ao reitor para juntamente com antigos setores thimotystas calcar um cargo nas próxima eleições.

Independente destas diferenças burocráticas, estes setores apresentam uma política comum para a luta: a adequação a legalidade burguesa, o coorporativismo e a burocratização dos processos de mobilização.Os efeitos dessa política podem ser percebidos de forma clara: O atraso da greve e a espera pelo STF nesses meses são exemplos disso, o que jogou a mobilização para um período ruim na véspera de férias; a proposta de realização da assembléia dos 3 setores mediada pelo Reitor é outro exemplo, assim como, o posicionamento da direção da Adunb na última assembléia(24/11) em recuar sua proposição para uma paralisação de 3 dias e não a greve por tempo indeterminado até a conquista da URP.

A conseqüência desta política da burocracia estudantil e sindical é a derrota para o movimento. Que não responde aos ataques estratégicos desferidos a educação superior pelo governo Lula e leva a mobilização ficar a reboque das instâncias legais que paralisam a luta ou promovem conquistas rebaixadas e superficiais.

A Política Combativa:

Nós acreditamos que apesar deste quadro é possível recuperar a URP com a luta combativa dos trabalhadores, assim como achamos mais que necessário ampliar e unificar as pautas de Luta de todos os setores proletários da universidade.

Por isso a Oposição CCI defende: 1º Avançar a luta com Ação Direta: ocupações dos órgãos responsáveis (TCU, Reitoria, MEC etc), marchas e fechamento de ruas, piquetes na entrada dos prédios do campus, construção da greve unificada entre estudantes professores e técnicos administrativos. 2º Incorporação das pautas prioritárias dos estudantes e terceirizados- (Fim do REUNI, ampliação da assistência estudantil, fim das fundações privadas e incorporação dos terceirizados ao quadro efetivo). 3º Fortalecer e Construir um Movimento de Oposição na Base Estudantil e Sindical: Nós acreditamos que a luta não avançará através de comitês consensuais da burocracia, pois esta é incapaz de abrir um processo real de luta política anti-governista. Desde já se faz necessário construir e fortalecer as oposições, único meio capaz de reorganizar nossa classe.



Viva a Ação Direta Proletária!

Una-se a Oposição Classista Combativa e Independente ao DCE-UnB

domingo, 18 de outubro de 2009

Boletim "O Germinal" nº 12, Outubro de 2009

TODO APOIO AS OCUPAÇÕES DOS CA’s! ABAIXO O REUNI!

No atual semestre , a Universidade de Brasília vem presenciando diversas ocupações de centros acadêmicos (CA’s) e diretórios acadêmicos (DA’s). Muitas ocupações começaram de maneira espontânea e independente. Porém com o passar do semestre, outros cursos que sofriam de falta de espaço em seus departamentos e lutavam por um espaço mais digno para seus CA’s, perceberam a oportunidade e também começaram a ocupar salas, já que suas reivindicações não eram ouvidas.

Cada curso que está ocupando uma sala (CASESO, CACOMP, CADIN, CALET, CACIF, CAAMB) ou está em processo de ocupação, possui suas particularidades na luta por espaço dentro da UnB. Muitos deles lutavam há anos por um espaço físico de interação e organização estudantil que comportasse a demanda de alunos dos cursos, que cresce a cada semestre. Na maioria dos casos, os espaços cedidos pela Universidade eram insuficientes, como são os casos dos cursos de Serviço Social, Biblioteconomia e Arquivologia.

Mas por que será que tantas ocupações estão ocorrendo logo agora e de maneira conjunta? Qual foi a causa comum desse movimento? Apesar de muitos cursos não terem percebido, ou debatido seriamente sobre isso, o que se tem por trás dessas ocupações é um embate, intencional ou não, contra o Reuni, pois este é incompatível com uma Universidade que pretenda ter espaços de socialização e organização estudantil, já que desestrutura a função da Universidade, tornando-a apenas em um centro de profissionalização e de ensino de má qualidade, sem extensão e sem pesquisa. A falta de espaço para convívio e atuação política dos estudantes na própria Universidade era um efeito esperado e desejado pelo governo, como já foi denunciado em outras edições de “O Germinal”.

Contudo, nem todos os Ca’s que atualmente ocupam uma sala colocaram em suas pautas uma crítica ao Reuni. Como é o caso de Ciências Ambientais, um curso novo criado nesse último semestre. Mesmo sendo este vítima dessa expansão que fere a autonomia universitária e que cria cursos sem ter ao menos um local planejado para um CA: somente vai superlotando departamentos já existentes, como é o caso também da Museologia, que foi inaugurado sem CA e em um departamento pequeno (CID) que já abriga dois cursos que há anos espera a construção de uma nova faculdade (FACE).

O CASESO foi o primeiro a tocar na questão do Reuni, e logo recebeu repressão da reitoria, que ameaçou chamar a polícia, além de ter se utilizado do site para distorcer informações e colocar a comunidade acadêmica contra a ocupação legítima. Pode-se perceber que, sem unificação das pautas e apoio mútuo, o movimento corre sério risco de sofrer repressões, diante da fragmentação.

- O comitê consensual: as ocupações reféns do DCE pelego!

Com a possibilidade das ocupações iniciarem uma campanha anti-Reuni, através do CASESO, a direção do DCE, segmento da Reitoria petista no movimento estudantil da UnB, apressou-se a se pronunciar e a criar instrumentos para impedir a possibilidade das ocupações se tornarem em uma luta de caráter abertamente anti-governista, contra o Reuni e a Reitoria. A convocação de um CEB no mesmo horário e dia em que as ocupações se reuniriam de forma independente para debater suas pautas e aprofundar o debate político foi um exemplo disso.

No CEB do dia 01/10, que teve como pauta as ocupações, a direção do DCE (PT) apresentou sua linha de afastamento do debate político. O centro da argumentação do governismo se encontrava na suposta defesa das ocupações, porém , apontando claramente a defesa do Reuni, reafirmando a possibilidade de “disputar o Reuni por dentro”. Tal argumentação do DCE, tendo em vista a estrutura de aplicação do Reuni por decretos, metas, e por conseqüência, a imposição e quebra da autonomia universitária, significa na prática: 1)manter uma blindagem ao Reitor e a política neoliberal do Governo Lula; 2)assegurar a continuidade da aplicação da Reforma Universitária (sendo o Reuni parte dela) que visa e reestruturação das universidades federais brasileiras sob o marcos das exigências do capitalismo; 3) no atual processo de ocupações de CA’s poderá levar a derrota a luta dos estudantes e a perda das atuais conquistas no longo prazo, já que, a reivindicação justa por maiores e melhores espaços de organização estudantil é incompatível com o programa do Reuni, que visa dobrar o número de estudantes sem fazer o mesmo com a infra-estrutura universitária.

A oposição Combativa Classista e Independente ao DCE-UnB aponta então que, a tarefa dos estudantes para se ter uma luta conseqüente e vitoriosa pelas pautas específicas das ocupações é transformá-las em combate aberto e geral contra o Reitor governista e a política implementada pelo mesmo de reestruturação produtiva da universidade, através do Reuni, fundações privadas, etc. Porém, a linha política hegemônica no atual processo de luta, não é outra senão a governista, representada pela direção do DCE, onde o corporativismo e o legalismo burguês, sob o discurso de manter a “unidade do movimento” e as “pautas consensuais” (política de rebaixamento de pautas), demonstram-se as principais armas para a vitória dos governistas e verdadeiras camisas de força para o avanço da ação direta estudantil.

O ponto ápice de consolidação de tal política foi a criação de mais um “comitê consensual” das ocupações, que representa uma reedição da política frentista, que tem como objetivo e conseqüências práticas: a subordinação da luta político-organizativa estudantil ao “denominador comum” que existirá entre os ditos anti-governistas, ou melhor, para-governistas (PSTU e Psol) e governistas (PT e PCdoB), onde obviamente as questões profundas, como o combate ao Reuni, não entrará nas “pautas consensuais”. Ficando assim o movimento, em nome da suposta “unidade”, claramente refém da política neoliberal do DCE/Reitoria, sendo que, esse “comitê das ocupações” mesmo que pressionado pela ação direta e pela demanda estudantil concreta não levará a luta até suas as últimas conseqüências: Reorganizar a oposição de base ao Reuni e ao Governo Lula/Reitoria!

Diante desse processo de lutas a Oposição CCI defende: 1) A defesa do método de ação direta estudantil em contraposição ao legalismo burguês e a via burocrática; 2) Que a unidade concreta entre as ocupações deve ser através do combate geral contra o Reuni e a política neoliberal do Governo Lula/Reitor José Geraldo; 3) Pela intransigência classista na luta, combatendo a conciliação através de mesas de negociação com a Reitoria, patrões e governo; 4) Contra a política frentista que deixa a luta refém dos pelegos do DCE; 5) Pela polarização e combate claro aos governistas da UNE/DCE, visando à fortificação das oposições anti-governistas e classistas, único método capaz de reorganizar o movimento estudantil.

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ELEIÇÕES NAS CIÊNCIAS SOCIAIS: Pstu tem um "caso" com os governistas!

Nos dias 20 e 21 de outubro ocorrerão as eleições para o CA de sociologia (CASO) e o CA de antropologia (ANTRO) da UnB. As chapas que disputam à direção do CASO são: LutaSociais (Oposição CCI) e Caso Contigo (PSTU, FOE-UNE e DCE/PT); Já as que disputam a direção do ANTRO são: Antro Ativo (UJS e FOE-UNE) e “I Will Survive” (independentes). Esta eleição vem nos mostrando como a luta e as discussões são pedagógicas para os estudantes, por isso, é necessário fazer uma breve análise deste processo, respondendo os questionamentos e refutando as calúnias.

Um discurso que perpassa todas as chapas (exceto a chapa LutaSocias) é o jargão pós-moderno do “pluralismo”, segundo o qual as mesmas devem se abster da disputas e das polêmicas programáticas em nome de um “CA plural e não-normativo”(sic). Nós, da Oposição CCI, afirmamos que o “pluralismo” defendido pelas chapas nada mais é que uma máscara para a garantia da aplicação da linha pequeno-burguesa e governista, ou seja, da manutenção das coisas tal como já estão. Somente a partir do combate e da disputa política é que o Movimento Estudantil pode avançar qualitativamente, caso contrário permanecerá afundado no fanfarrismo e na despolitização e sem um programa que dê conta de responder aos desafios colocados para os estudantes e trabalhadores, ou seja, sem um programa anti-governista.

O PSTU, compondo a mesma chapa que o DCE/PT, no último debate (14/10), sob o discurso de que é necessário saber “dialogar com a base” se contentou em apresentar a proposta de “debater posteriomente“ o REUNI (já que setores dentro da chapa o defendem), não ter posição sobre as Fundações de Direito Privado e se manteve mudo perante a UNE e a reorganização do ME combativo, acusando de sectária a chapa LutaSociais que apresentou um programa claro: anti-governista e classista. Fica evidente que o “saber dialogar com a base”, apresentado pelo PSTU, é na verdade mais uma fraseologia vazia para justificar sua política de subir no aparato a qualquer custo e de frente-única programática com os governistas do DCE/PT.

Entendemos que é necessário sim defender a intransigência classista, o que significa: se manter firme nos postos de combate da classe trabalhadora, não se vender ao governismo e ao pós-modernismo burguês por crachás da entidade de base e, sobre tudo, em tempos de ataque brutal aos trabalhadores e aos estudantes (tal como feito pela Reforma Universitária de Lula/PT), a intransigência significa defender um programa concreto para combater tais ataques e reorganizar de fato nosso movimento.

Se não bastasse o frentismo, no mesmo debate das chapas (14/10), uma militante do PSTU fez uma acusação mentirosa contra a Oposição CCI, acusando um ex-militante da Oposição, Glauco Luiz, de compor a gestão do CAHIS com uma militante do PT. A isso nós respondemos que: 1°) A eleição do CAHIS foi realizada no início de 2007 e a CCI foi formada no final do mesmo ano (vide 1º boletim de setembro), portanto a gestão não era uma coalizão CCI/PT, tal como fez entender a acusação; 2º) A própria criação da CCI, chamada pelo Glauco, foi resultado também da avaliação negativa de tal gestão e da adoção da linha que hoje defendemos. 3º) A tal militante do PT, atualmente é do PSTU, ou seja, ambos romperam e modificaram suas linhas políticas. Isto revela aos estudantes o nível do cretinismo político que este partido chegou para fugir do debate e da realidade: sua incapacidade de construir um programa independente da UNE e de combate às Reformas Neoliberais do governo Lula.

Fomos questionados sobre outros dois pontos fundamentais: 1º) a democracia dentro do C.A, no qual distorcendo nossas visões fomos acusados de querer impor/fazer uma ditadura contra os estudantes de CS; esse é o preço que se paga por se ter um programa concreto e disputar com o governismo e os grupo de amigos, ambos burocráticos e anti-éticos. Respondemos: a) estamos em processo eleitoral no qual a base decide qual da chapas, que estão no mesmo patamar de disputa, ganharão o pleito; b) defendemos a radical democracia estudantil e proletária na UnB, com a dissolução dos Conselhos Universitários e a estrutura departamental antidemocráticos pela construção de Conselhos Comunitários, assim como no C.A defendemos que a base decida por uma chapa e um programa, combinado com o poder das assembléias e a revogabilidade de mandato. 2º) A discussão de “minorias” foi outro ponto de divergência. Em nossa visão devemos organizar e unificar em uma mesma Centra de Classe o movimento sindical, popular e estudantil, organizar e unificar os movimentos das mulheres e negros trabalhadores, assim como os movimentos indígenas combativos. Já os setores pós-modernos da CS não acreditam na unidade dos explorados/trabalhadores, nem na centralidade da luta de classes, não vêem que os setores burgueses e privilegiados nunca levarão a luta de emancipação integral até as últimas conseqüências, ao contrário, trairão esta luta e a levarão para a legalidade que só garante direito e cumprimento aos ricos.

O caminho correto nem sempre é o caminho mais fácil, e a ação política com sinceridade e seriedade muitas vezes é atacada pelo oportunismo calunioso e o infantilismo pequeno-burguês. Porém, mais do que nunca, reafirmamos que, ao contrário da tática de se adaptar às condições políticas atrasadas que estão dadas, sustentar um programa classista, mesmo que em certos momentos se tenha que caminhar “contra a correnteza” (atuando como minoria), é o caminho correto a se seguir para avançar a consciência da base.

AVANTE A LUTA ESTUDANTIL CLASSISTA E COMBATIVA!

PELA CONSTRUÇÃO DA UNIVERSIDADE POPULAR!

JUNTE-SE A OPOSIÇÃO CCI!


domingo, 4 de outubro de 2009

A ocupação do CACIF no atual contexto de lutas.

OCUPAÇÃO DO CENTRO ACADÊMICO DE CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO

CARTA DE APOIO ÀS OCUPAÇÕES DE CENTROS ACADÊMICOS DA UNB


No dia 28 de Setembro, segunda-feira, os estudantes dos cursos de Biblioteconomia e Arquivologia ocuparam a sala 148 do ICC Sul para que esta seja o novo espaço de um Centro Acadêmico integrado dos cursos do Departamento de Ciência da Informação e Documentação: CACIF (Centro Acadêmico de Ciência da Informação). Tanto o CABIBLIO (CA de Biblioteconomia), quanto o CAARQ (CA de Arquivologia) vinham lutando por um espaço digno para os CA’s nas últimas gestões, já que o espaço improvisado no departamento não comportava mais o grande número de alunos, prejudicando o convívio e a organização política dos estudantes de ambos os cursos.


A sala 148, local onde funcionava um antigo laboratório de química, estava totalmente inutilizada. A escolha por uma sala no ICC vem do fato de que não foi possível conseguir um espaço no departamento dos cursos (o CID), que, agora abrigando um novo curso (Museologia), mostra-se cada vez mais insuficiente para a crescente demanda de alunos. Um exemplo disso é o laboratório de informática do departamento que está desmontado desde o início do semestre, prejudicando disciplinas que precisam ser ministradas com microcomputadores, à espera de reformas do Reuni que tão cedo não ocorrerão, tendo em vista a falta de verba e estrutura da UnB como um todo.


A ocupação do CACIF é uma entre as várias que estão ocorrendo na Universidade nesse momento. Todas elas confrontam, com ou sem intencionalidade, com o atual reforma universitária, o Reuni. O Reuni, projeto do governo Lula em vigor desde 2007, que nesses últimos semestres vem sendo implementado na UnB, duplicando ou aumentando vagas, inaugurando novos cursos, sem dar a mínima estrutura para tal reforma, é, sem dúvida, o grande motivo da superlotação e do sucateamento do ensino. Esses efeitos resultam, entre outras coisas, na falta de espaço para a atuação e o convívio dos alunos dentro da própria Universidade. Tal projeto do governo traz uma falsa ilusão de democratização do ensino superior, juntamente com o Prouni e novo Enem, mas na verdade possui um caráter nitidamente neoliberal e antidemocrático de formação de obra barata, crescente terceirização e privatização do ensino, além de colocar a Universidade pública e o conhecimento e tecnologia gerados por ela a serviço dos grandes empresários, tornando a formação universitária em uma mera formação voltada para a lógica de mercado.


Dentro do Reuni, não há espaços para disputa, ou diálogo como pretende o DCE. Tal idéia serve somente enganar os estudantes. Os estudantes de Direito estão sentindo isso na pele: a duplicação de vagas do curso foi feita de maneira autoritária, pelo simples fato de o Reuni se basear em metas que precisam ser cumpridas a qualquer custo. Não há lugar para diálogo: a ruptura com essa expansão que prejudica docentes, funcionários e estudantes (mas, “ironicamente” colabora com os lucros das empresas privadas) é a única arma que os estudantes possuem. Todas as vias legalistas desse projeto já estão comprometidas e definidas: o caráter neoliberal do Reuni é fixo e desejável pelo governo.


Importante ressaltar que o Reuni recebe pleno apoio da reitoria e do DCE. E este, mesmo apoiando da boca para fora as ocupações, na prática não consegue polarizar de maneira efetiva com a reitoria e apoiar a luta dos estudantes contra o Reuni, que nesse momento vem representada pelas atuais ocupações. A ocupação do CACIF, por exemplo, não teve apoio objetivo do DCE, que tratou de maneira cínica o CABIBLIO, demonstrando a traição do DCE em relação aos alunos. Apesar de no discurso o DCE falar que o movimento estudantil deve ser “ator central” das decisões sobre a Universidade, continua acreditando em conselhos antidemocráticos como via para conseguir as reivindicações estudantis.


Já a reitoria nos últimos dias ataca de maneira desleal os estudantes de Serviço Social, desmoralizando o movimento estudantil ao distorcer e modelar informações no site da UnB para colocar a comunidade do seu lado, ou seja, a favor do governo Lula e da política do PT. Felizmente, alunos de diversos CA’s (CASESO, CACIF, CADIN, CACOMP, etc.) continuam mobilizados, não aceitando de forma passiva a precarização em massa que os projetos governamentais vem causando na UnB, mesmo com a atuação envergonhada do DCE frente à reitoria.


Por tudo isso, o CACIF entende que todas as ocupações possuem pautas semelhantes e o momento é oportuno para confrontar as reformas danosas que estão sendo implementadas pelo Reuni. Entendemos também que a união entre os CA’s que estão em processo de ocupação é primordial. Os CA's ocupados devem criar pautas unificadas, além de uma rede de apoio mútuo e resistência. Tais medidas precisam ser tomadas para a própria sobrevivência do movimento e para possuir um caráter anti-Reuni na UnB, já que a DCE não consegue tomar tal postura por estar atrelado até o pescoço com a reitoria e as políticas governamentais.


CENTRO ACADÊMICO É ESPAÇO DE ORGANIZAÇÃO ESTUDANTIL! OCUPA E RESISTE!

TODO APOIO ÀS OCUPAÇÕES DE CA’S! PELA UNIFICAÇÃO DAS PAUTAS E RESISTÊNCIA CONJUNTA ÀS REFORMAS GOVERNAMENTAIS DE MASSIFICAÇÃO E PRECARIZAÇÃO DO ENSINO SUPERIOR!

FORA REUNI! COMBATER A POLÍTICA NEOLIBERAL REPRESENTADA PELA REITORIA E REPRODUZIDA PELO DCE PELA AÇÃO DIRETA!

Alexandre Pimeta, aluno de Biblioteconomia, ocupante do CACIF e membro da Oposição CCI