quinta-feira, 30 de setembro de 2010

O GERMINAL nº 18 - Setembro/Outubro de 2010


REUNI e Vestibular 2010:
Precarização e elitização da Universidade

Nós da Oposição Combativa, Classista e Independente ao DCE gostaríamos de saudar e parabenizar os novos estudantes ingressos na universidade que conseguiram passar pelo filtro social elitista que é o vestibular. Nós sabemos da dificuldade para um estudante proveniente do sistema público conseguir passar pelo vestibular e garantir sua vaga no escasso ensino superior de qualidade. É bem sabido que a imensa maioria dos estudantes do ensino médio público não consegu
e entrar nas universidades públicas e são, por conseqüência, jogados diretamente no mercado de trabalho e/ou nas universidades privadas, verdadeiras "escolonas de terceiro grau" que existem somente para alimentar os volumosos lucros dos capitalistas do ensino. A luta pela universalização do ensino público superior é, portanto, uma pauta que diz respeito a todos os filhos dos trabalhadores, tanto àqueles que conseguiram vencer as barreiras de classe, quanto aos demais estudantes excluídos de uma educação superior pública. Nós da Oposição CCI nos dispomos a organizar os estudantes para a luta pelo fim do vestibular, pelo acesso livre e contra todas as formas tácitas e explícitas de privatização e sucateamento da educação. Para tanto, é necessário que nós estudantes nos aliemos às demais lutas dos trabalhadores, dentro e fora da universidade, e que, somando-as às nossas, sejamos capazes de aglutinar forças para conseguir nossas demandas.

Nesse aspecto, o quadro sobre a expansão da UnB é preocupante. De um lado, temos a monumental propaganda governista sobre a suposta democratização do ensino superior promovida pelo REUNI (programa de reestruturação e expansão das universidades federais), do outro, vemos cotidianamente a precarização da universidade e a manutenção de sua elitização. Quanto a isso, os dados falam por si só: no 1º vestibular de 2010, apenas 393 calouros, dos mais de 3700, eram oriundos de escola pública; neste segundo semestre, das 3.958 vagas abertas, somente 4% delas foram preenchidas por alunos que estavam cursan
do o 3º em escolas públicas, isto é, apenas 154 estudantes[1] - a despeito de que o REUNI já vem sendo implementado há cerca de dois anos, o que só demonstra a falácia do discurso governista da “democratização” do ensino superior. Além disso, os recursos que são passados pelo governo federal à UnB são conhecidamente insuficientes para suprir as necessidades da expansão de vagas. É por isso que vemos o aumento de professores substitutos em detrimento dos professores efetivos e concursados, cujo trabalho mais flexível, não-exclusivo e barato se torna um dos instrumentos para conseguir que as universidades se adequem às metas meramente propagandistas do REUNI. Em relação ao corpo de funcionários, o processo é semelhante: o aumento de funcionários terceirizados, vivendo em um regime de trabalho semi-escravo, assim como o corte salarial de 26,05% de professores e funcionários do quadro[2] também é parte integrante da reestruturação promovida pelo Governo neoliberal de Lula/PT.


A Privatização da Universidade e as Fundações

Enquanto a reestruturação transcorre, a universidade se torna cada vez mais dependente das famigeradas e parasitárias Fundações Privadas ditas “de apoio”. Os estudantes mais cientes da história recente da UnB podem facilmente se lembrar delas: foi um caso de desvio de finalidade (e de fortes indícios de corrupção) envolvendo a Finatec, no começo de 2008, que levou à ocupação da reitoria e à queda do então reitor Timothy Muholland. Apesar de todo o rebuliço que se seguiu a esse fato, pouco se fez em relação à existência das fundações. Os defensores da privatização sorrateira da universidade argumentam que os recursos captados pelas fundações são imprescindíveis para o fomento às pesquisas e ao desenvolvimento tecnológico ligado à iniciativa privada. O que nós vemos, no entanto, é que as fundações pouco fazem além de manusear majoritariamente verbas públicas, sem nenhuma forma de controle e fiscalização, e destiná-las aos fins que melhor correspondem aos interesses de lucro dos diretores das fundações e empresas privadas a elas associadas, à revelia da comunidade acadêmica e das necessidades do povo. É por isso que as fundações são inerentemente corruptas e servem às políticas neoliberais que visam a privatização dos espaços público de produção e difusão do conhecimento.


Reorganizar o Movimento Estudantil para a luta classista e combativa!

Em face desse quadro, como se encontra o movimento estudantil? A atual gestão do DCE, Amanhã Vai Ser Maior, reeleita no final do semestre passado, é hegemonizada por membros do PT, o que a torna uma gestão governista, isto é, correia de transmissão das políticas neoliberais do Governo Lula/PT e palanque de promoção de candidaturas petistas. Isso se evidencia no posicionamento do DCE sobre o REUNI: ao invés de combatê-lo, busca disputá-lo dentro dos marcos institucionais - o que é, por si só, impossível, tendo em vista este se tratar de um decreto que não permite que hajam alterações em seu corpo fundamental. No que tange as fundações, o DCE/PT possui um posicionamento dúbio e oportunista, ora sendo retoricamente contrário à sua permanência, ora se omitindo covardemente sobre o assunto, como nas eleições de DCE passadas. A base de sustentação dos governistas é, por isso, C.A´s despolitizados que se resumem a produzir festas faraônicas e que em nada têm contribuído para tocar as lutas estudantis. É por isso que defendemos que os C.A´s devem ser prioritariamente entidades de organização e luta política dos estudantes, e não locais de promoção festas (usado até como trampolim empresarial) e uso de drogas.

Para reorganizar o Movimento Estudantil não basta conquistar essa ou aquela direção de CA ou DCE por meio de acordos escusos e “orgias parlamentares”, como é prática recorrente das organizações governistas (PT e PCdoB) e dos para-governistas (PSOL e PSTU). Para que a luta estudantil consiga ser vitoriosa é necessário derrotar o reformismo por meio de oposições estudantis combativas, que defendam a democracia estudantil e os métodos de ação direta, tais como ocupações, fechamento de rua, greves etc. É importante que se tenha um programa anti-governista, transformando cada luta específica da base estudantil numa trincheira contra as Reformas Neoliberais do Governo Federal/PT. Para além dos escândalos oportunistas nos acusando de “fratricidas” (sic) ou sectários (sic), a luta anti-governista é a única capaz de unificar estudantes e trabalhadores da educação em uma greve geral contra-ofensiva ao Governo e aos capitalistas do ensino. Grande parte das derrotas, sofridas pelas lutas estudantis nesses últimos anos, se deram em decorrência da hegemonia governistas, da conciliação para-governista ou da não compreensão de tal questão.

Convocamos os estudantes desejosos de construir um movimento estudantil que não seja refém de parlamentares, a fim de lutar pela universidade pública, universal, de qualidade e a serviço da classe trabalhadora, a entrar em contato conosco e encampar a luta por uma verdadeira universidade popular, quebrando o muro que atualmente separa a classe trabalhadora de suas aspirações. Ousar lutar é ousar vencer!


NEM ENEM, NEM VESTIBULAR: ACESSO LIVRE JÁ!
PELA EXTINÇÃO DAS FUNDAÇÕES PARASITAS DE APOIO AOS EMPRESÁRIOS!
FORA REUNI E A PRECARIZAÇÃO DO ENSINO SUPERIOR!
EM DEFESA DA REDE ESTUDANTIL CLASSISTA E COMBATIVA – RECC!


_________________
Notas:
[1] Tais informações podem ser pesquisadas no sítio do Correio Braziliense, em matérias publicadas nos dias 06/03 e 16/09/2010.
[2] Apesar da pequena “vitória” do movimento grevista de professores e funcionários: manter o pagamento da URP até o julgamento pela corte do Supremo, ambas as categorias estão reféns da justiça burguesa que ainda pode cortar os salários.

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Solidariedade Internacional


Nota de solidariedade à luta dos estudantes argentinos


"O segredo da vitória é o povo."
Marighella

“Contra a intolerância dos ricos, a intransigência dos pobres.
Não se deixar esmagar, não se deixar cooptar. Lutar Sempre!”

Florestan Fernandes



Nas últimas semanas os estudantes argentinos têm dado um exemplo de organização, combatividade e classismo ao conjunto dos estudantes da América Latina ao defenderem a educação pública dos ataques do governo Macri e Kirchner. Essa capacidade política dos secundaristas e universitários de Buenos Aires se manifesta através da ação direta com as ocupações e tomadas de escolas e faculdades sob controle estudantil, que até o momento são 30. Essa capacidade de mobilização que dura mais de um mês está sendo constantemente sabotada através da criminalização das ocupações pelo governo e a mídia burguesa. Essa criminalização da ação direta estudantil objetiva criar uma base legal para potencializar a repressão do aparelho policial de Estado e desarticular a luta em seu elo principal que são as ocupações, deixando a combativa juventude portenha sem um instrumento de pressão política sobre o governo.


O auge das mobilizações ocorreu no ultimo dia 16 de Setembro, quando ocorreu uma grande mobilização em homenagem aos desaparecidos na "Noite do Lápis", nome da operação militar que ocorreu a exatos 34 anos durante o periodo da ditadura Civil-Militar Argentina. Essa operação torturou e matou 6 estudantes secundaristas, deixando outros tantos feridos, que lutavam em defesa do Passe-Livre estudantil.Estima-se que a manifestação do ultimo dia 16 contou com cerca de 40 mil manifestantes entre estudantes e trabalhadores, na aliança operária-estudantil, nas ruas de Buenas Aires. Lutando em defesa da Educação Publica contra o Governo Kirshiner e prefeito Macri.


Nós, estudantes secundaristas e universitários brasileiros, pertencentes a coletivos de curso, oposições de base e grêmios agrupados nacionalmente na Rede Estudantil Classista e Combativa (RECC), nos solidarizamos com a luta da juventude argentina na defesa de seus direitos. Nesse momento na Argentina está se mostrando na luta de classes a vitalidade política e a potência popular das organizações de base, da aliança operária-estudantil nas assembléias unitárias com os trabalhadores da Kraft-Terrabusi, Roca, Paraná Metal e Felfort, e o poder de fogo da ação direta. Na velocidade que está se dando a luta e o acúmulo de forças que se desenha não tardará para surgirem dos setores pelegos saídas burocráticas e conciliadoras. Enviamos desde o Brasil nossas saudações classistas aos estudantes argentinos na torcida para que não capitulem aos meios legalistas e corporativos que tanto retrocedem a luta. A vitória dos estudantes da Argentina será uma vitória de todos os estudantes latinoamericanos. A melhor maneira de se solidarizar com a juventude portenha nesse momento é levar para as bases do movimento estudantil brasileiro o exemplo de organização e luta dos camaradas argentinos. Desde já dizemos, nenhum passo atrás, AVANTE!



Brasil, 27 de setembro de 2010.
Rede Estudantil Classista e Combativa - RECC

domingo, 26 de setembro de 2010

Festival de Filmes: OUTUBRO PROLETÁRIO

A Oposição Combativa, Classista e Independentes ao DCE da UnB, o Coletivo LutaSociais! e o Coletivo Território Livre, gostariamos de conviá-los para o segundo ano do festival de filmes proletários na UnB. Assim como em 2009, ao passarmos clássicos como OUTUBRO, ELES NÃO USAM BLACK TIE e GERMINAL, que discutem temas como a histórica Revolução Russa, greves do resurgente movimento sindical no ABC paulista na década de 80 e a intensa exploração dos trabalhadores das minas de carvão na França do século XIX, voltamos este ano com outros clássicos e importantes documentários que tratam, também, dos diversos problemas do proletariado em sua luta e organização contra a polícia, o Estado, o machismo e o reformismo.

Compareçam ao Festival de Filmes:

OUTUBRO PROLETÁRIO
Todas as quartas d
o mês de outubro ao 12h no CASO

Confiram cartaz com a programação:

Abaixo a cultura empresarial, festiva e opressora na Universidade e nos CA's!
Viva a cultura de resistência dos povos oprimidos e o ambiente saudável para Estudar e Lutar!

Campanha Nacional: NÃO VOTE! LUTE!

A RECC, através das oposições, coletivos e militantes que a constroem, vem realizando nacionalmente a campanha de propaganda para denunciar a farsa eleitoral do Estado capitalista, que vende ilusões de melhorias via migalhas para o povo, ao mesmo tempo em que mantém intacta a ordem social de exploração sobre os trabalhadores. Apontamos, assim, que a luta política do povo pobre, estudantes e trabalhadores, deve se dar de forma independente, separada dos espaços e organizações da burguesia, pois somente assim é possível lutar com uma política própria de nossa classe por mudanças reais, sem nos comprometer nas trincheiras do inimigo.



segunda-feira, 30 de agosto de 2010

O GERMINAL, nº 17 - Avaliação da Oposição CCI ao processo Eleitoral para DCE da UnB


Eleições para DCE da UnB – 2010


VITÓRIA DOS GOVERNISTAS: AMANHÃ VAI SER DERROTA


Encerraram as eleições para DCE. Novamente a Chapa hegemonizada politicamente pelo PT conseguiu a maioria dos votos, emendando o segundo ano de mandato dos governistas no órgão de representação dos estudantes de nossa universidade. A vitória é, sem sombra de dúvidas, resultado do árduo trabalho da gestão anterior, agora reeleita: muitas festas organizadas na UnB, criação de consensos com setores burgueses e direitistas da universidade, irresponsabilidade com lutas fundamentais como o claro boicote a greve deste 1º semestre, o não enfrentamento com a Reitoria nem com o governo Lula e seus projetos Neoliberais. A rede estudantil de apoio da gestão anterior, marcada pelo respaldo de muitos CA’s farristas e burocráticos da UnB assim como das Empresas Juniores, constituiu certamente uma base para a reeleição da Chapa 1 – Amanhã Vai Ser Maior.



O processo eleitoral foi marcado pela baixa participação dos estudantes, que pode ser verificado em última instância pelo número de votantes, que decaiu significativamente das eleições passadas, atingindo menos de 3800 dos cerca de 30 mil estudantes matriculados. Apesar disto não deslegitimar o processo, pois se atingiu o quorum previsto, é sim um fator negativo para o Movimento Estudantil de uma forma geral que, ao contrário do delírio dos governistas da Chapa 1, parece não ter acumulado muito em lutas no último período. Isto é resultado, primeiro, do nível elevado de despolitização, desinteresse e desorganização do conjunto dos estudantes cuja última gestão “Pra Fazer Diferente” é peça ativa, acrescido aos problemas imediatos na má divulgação dos debates entre chapas, por exemplo.



Por outro lado, o alto número de integrantes que certas chapas possuíam, não representava participação ou mobilização de fato. Pior que isso, muitas pessoas inscritas nas chapas nem sequer possuíam concordância política ou até desconheciam o programa da mesma, isto quando certos nomes não foram incluídos sem a devida permissão dos indivíduos. Quer dizer, um claro oportunismo! As chapas que dispararam nesta corrida de inscrição de laranjas foram as chapa 1 – do PT, UJS, PV, já mencionada e a 3 – “Quem Sabe Faz a Hora”, do PSTU, PSOL e PCB, com 53 e 79 membros, respectivamente. E mesmo a Chapa 4, do PCO, ainda que tivesse um número baixo de membros, não escapou deste tipo de formação, utilizando do apelo da amizade, e não necessariamente da concordância política, para adesão de membros na chapa: a barganha do coleguismo! Dessa forma foi unânime entre as chapas 1, 3 e 4 o modo aparatista, oportunista e burocrático pelos quais se formaram para disputar o DCE.



Vale, por último, fazer uma menção à chapa 5 "Aliança pela Liberdade" e o fortalecimento da direita na universidade. Utilizando-se de um discurso supostamente apolítico e anti-partidário, a chapa 5 conseguiu iludir muitos estudantes ao defender um "pragmatismo responsável" em detrimento da política estudantil usual que, segundo eles, está historicamente ligada a assuntos externos à universidade, legando a segundo plano os assuntos que "realmente interferem no cotidiano dos estudantes". Isso se agravaria ainda mais, nos dizem ainda, em decorrência de partidos políticos que se utilizam do movimento estudantil e suas entidades para defender seus próprios fins, e não os dos estudantes.



Não obstante esse discurso, um dos ex-membros da Aliança pela Liberdade durante o último ano é hoje candidato a deputado federal pelo ultra-burguês e megacorrupto DEM (partido esse que representa o que há de mais nefasto no nosso país, cobrindo um vasto arco de reacionarismo desde ACM até nosso falecido governador Arruda, passando por Kátia Abreu e sua fascínora bancada ruralista), e vale da sua experiência como conselheiro estudantil no Consuni para "aprimorar seu currículo" de candidato - aprimoramento esse custeado pelos votos recebidos pela Aliança pela Liberdade em 2009. Somado a isso, a chapa 5 guarda relações amistosas com o DCE da UFRGS, controlado por membros do PP, um deles inclusive cadidato também a deputado estadual no RS. Como se vê, há uma flagrante contradição entre o discurso "anti-partidário" e a prática da chapa.



A chapa ainda se diz "apolítica", interessada somente nos interesses dos estudantes. Isso é um engodo que chega a ser ofensivo. A chapa, na realidade, é formada por liberais muito cientes de suas visões políticas e de mundo. São claramente contrários à existência da universidade pública, de qualquer forma de direitos sociais que vão de encontro às "inexoráveis leis do mercado", acham que questões socias e a luta de classes devem ser tratadas como caso de polícia. Não expressam isso claramente nas eleicões porque sabem que serão apeados dos conselhos pelos estudantes. Escondem suas visões burguesas dentro de falso um discurso de "pragmatismo, eficiência e neutralidade." Esquecem, no entanto, que não se pode ser netruo em um trem em movimento.



A Oposição CCI e a Chapa 2 – Unidade Estudantil Classista como alternativa aos estudantes combativos


Neste processo eleitoral nós da Oposição CCI tomamos a iniciativa de formar uma chapa que pudesse se apresentar aos estudantes como alternativa política ao reformismo e, organizacionalmente, ao aparatismo. O reformismo é a linha política que privilegia o legalismo e não a ação direta, apostando nos parlamentares para alcançar reivindicações e que por vezes se tornam fim em si mesmas. O aparatismo é caracterizado pela atividade dos partidos eleitoreiros que enxergam nos órgãos de representação dos estudantes (como DCE’s, CA’s, Grêmios) um fim quase em si mesmo, de modo que o trabalho e o estágio de organização de base dos estudantes importam menos do que os cargos de direção que se possa ter. Vale tudo na disputa pelo aparato. Esta é, inclusive, uma política que corrobora com a velha prática de utilizar posições de importância no Movimento Estudantil para ter visibilidade política para candidaturas às eleições burguesas (deputados, senadores, governadores e presidente); quer dizer, a universidade e o DCE se tornam uma “escola” e um trampolim para os gestores do Estado capitalista. Rechaçamos veementemente ambas as concepções e práticas no seio do Movimento Estudantil.


Construímos a Chapa 2 – Unidade Estudantil Classista juntamente com companheiros do MEPR e estudantes independentes. Esta aliança tática foi fundamental para evidenciarmos um programa Classista, onde a luta dos estudantes seja ligada a dos trabalhadores, tanto da UnB como do resto da cidade e do campo, única forma de obtermos conquistas mais globais; Combativo, que privilegie a ação direta como método desta luta, ou seja, que organizemos a força coletiva dos estudantes para exigir dos governos e reitoria nossas demandas para um ensino de qualidade e que sirva ao povo, e; Democrático, onde as orientações para a luta venham desde as instâncias de base, como assembléias de curso e geral, até as instâncias centrais, ou seja, onde a maioria dos estudantes possa participar e decidir.



O caráter tático desta aliança firmada esteve submetido às nossas concepções programáticas centrais: destruir a UNE e o governismo no movimento estudantil, assim como denunciar suas Reformas Neoliberais, apresentando os princípios que devem guiar nossa reorganização de massas. No entanto, julgamos como negativo a não apresentação clara da Rede Estudantil Classista e Combativa – RECC* como este instrumento de aglutinação e reorganização estudantil, nem a tarefa de construção de uma Central de Classe*, arma estratégica do proletariado contra as ofensivas da burguesia, tendo em vista as concepções equivocadas que os companheiros do MEPR possuem sobre o Movimento Estudantil e o papel deste na Luta de Classes no Brasil.



No entanto, a chapa 2 cumpriu outras tarefas intransponíveis, sendo a única alternativa política que: 1) não foi formada por partidos eleitorais e que rechaçava as eleições burguesas por identificá-la como um circo para iludir o povo e manter a ordem social tal como está, e; 2) como único grupo que apontava que, para lutarmos contra a precarizante e privatista Reforma Universitária que o Banco Mundial “orienta” ao Governo Neoliberal de Lula, o único meio é pela ruptura completa com a degenerada UNE e pela construção da organização classista, combativa e independente dos estudantes.



Nestes quesitos, todas as outras Chapas vacilavam. A Chapa 1, dos governistas do PT e UJS, além de defenderem a traidora UNE, não são capazes de admitir os efeitos nefastos que o REUNI (parte da Reforma Universitária) trás às IFES do Brasil, mas apontando que é possível disputa-lo.O que não souberam explicar em nenhum debate foi o modo como pretendem disputar um decreto presidencial e suas metas basilares, que são imutáveis e que justamente caracterizam o decreto: é óbvio para todos que não possuem tal disposição de alterar o grosso do decreto REUNI do Lula! A Chapa 3, dos para-governistas do PSTU e PSOL, no debate realizado no campi de Ceilândia, afirmaram, também débil e categoricamente, que “é sim possível disputar a Reforma Universitária” (sic). Além, é claro, de não obterem acordo sobre a negação da UNE, onde correntes do PSOL possuem atuação e cargos, mas que o PSTU abriu mão de seu programa para consolidar a Chapa: certamente romper com a UNE governista é um ponto não estratégico para os oportunistas do PSTU, já que é negociável. A Chapa do PCO, 4, quando indagada sobre sua ligação com a UNE no debate no Gama, acertou quando disse que tal entidade é “indisputável” mas depois, contraditoriamente, disse que atuavam na entidade justamente para “disputa-la”: nada mais incoerente!



As eleições passam, mas a luta nunca parou!



A Oposição CCI não se constitui como um grupo de oposição meramente eleitoral. Somos uma Oposição de Base e pretendemos impulsionar a reorganização do Movimento Estudantil de baixo para cima, e não ao contrário, com uma política e estrutura classista e independente. Apesar da Chapa que compomos, Unidade Estudantil Classista, ter obtido poucos votos em relação ao total – 121, 3,2% do todo –, estes devem ser votos qualitativos e de camaradas que certamente esperamos encontrar nas linhas de frente da luta por uma universidade que sirva às causas do povo!

Da mesma forma, passada as eleições, a Oposição CCI se compromete com todos aqueles estudantes que reconheceram a importância e justeza deste programa que apresentamos e que votaram na Chapa 2, assim como todos os demais estudantes-trabalhadores da universidade e aqueles que sinceramente defendem a causa dos explorados: é exclusivamente com os estudantes do povo e com a classe trabalhadora que nos comprometemos. Convocamos todos estes para cerrarem fileiras conosco na luta por uma universidade popular. Nem um passo atrás: Unam-se a Oposição Combativa, Classista e Independente!



FORA FUNDAÇÕES E BURGUESIA PARASITAS DA UNB!

NEM ENEM, NEM VESTIBULAR: ACESSO LIVRE JÁ!

LUTAR PARA ESTUDAR: ESTUDAR PARA LUTAR!


__________

*A defesa da RECC e da Central de Classe podem ser mais bem compreendidas nas teses que sustentamos: "Por um Movimento Estudantil Classista e Combativo" e "Por uma Central de Classe", ambas disponíveis no sítio da Oposição CCI: http://oposicaocci.blogspot.com/search/label/Teses


Resultado numérico das eleições para DCE e RD da UnB


DCE - Diretório Central dos Estudantes Honestino Guimarães:

(Clique para ampliar)


RD's - Representante Discente (aos Conselhos Superiores, Burocráticos e Anti-Democráticos, da UnB):

(Clique para ampliar)

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Eleição na UnB para DCE

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Chapa 2 - Unidade Estudantil Classista, lança seu sítio para propaganda. Confiram o Programa de Luta e outras matérias.




POR UMA EDUCAÇÃO A SERVIÇO DAS CAUSAS DO POVO!
ABRIR AS PORTAS DA UNIVERSIDADE PARA A CLASSE TRABALHADORA!


domingo, 18 de julho de 2010

Manifesto da RECC ao XXX ENEPe

Construir um ENEPe classista e combativo


Entre os dias 17 a 24 de Julho, ocorrerá em Brasília - UnB, o 30º Encontro Nacional de Estudantes de Pedagogia (ENEPe). O encontro se dará em uma conjuntura desfavorável e limitada, pois torna-se necessária cada vez mais uma discussão séria e aprofundada sobre os rumos do curso de pedagogia, bem como de toda a educação brasileira.



A Reforma Universitária de Lula/PT, a precarização do Ensino Público e o curso de Pedagogia

Nos últimos anos, a reforma universitária vem se ampliando progressivamente, danificando e pondo em risco uma educação pública de qualidade, e com a entrada do ministro Haddad a precarização intensificou-se nos diversos níveis de ensino.


Podemos constatar os efeitos perversos do projeto privatizante dos petistas para a educação, por exemplo, no intensivo aumento de faculdades privadas, que representam hoje mais de 75% das matrículas feitas no ensino superior (INEP 2008). Vemos as conseqüências nitidamente em nosso curso, onde se abrem diversos cursos de baixa qualidade, com menos de 3 anos em instituições sem estruturas. O plano de governo que consta todos esses ataques à educação é o famigerado PDE (Plano de Desenvolvimento Educacional), o “PAC” da educação, que em seu primeiro momento lançou o REUNI, PROUNI e ENADE, e agora nos ataca com o elitista Novo Enem, e o projeto que visa transformar o ensino médio em algo tecnicista e voltado para os interesses do capital, o Ensino Médio “Inovador” (EMI).


Pertencentemente a esse processo de precarização crescente, vemos o aumento de cursos de pedagogia a distância. É necessário deixar claro que a utilização de novas tecnologias é salutar para o processo de ensino e aprendizagem. Mas a questão a se colocar é como o governo se utiliza desses projetos. No caso da UAB (Universidade Aberta do Brasil) fica claro que o governo Lula/PT utilizar-se de novas tecnologias apenas para baratear os custos da educação.


Um curso universitário é composto por um tripé, ensino, pesquisa e extensão, e a maioria desses cursos, de rede privada ou semi-presencial, que vem se proliferando nos últimos anos, não compõem este tripé, descaracterizando os cursos universitários, transformando os cursos em verdadeiros “escolões”. E infelizmente, apesar da sua relevância social, o curso campeão em universidades pagas e cursos a distância é o curso de pedagogia.



Regulamentação da profissão de pedagogo

Estamos passando agora também por um processo de regulamentação da profissão do pedagogo, que já está tramitando na câmara federal sem nenhum debate nas bases da comunidade acadêmica. A regulamentação em outros cursos causou diversos problemas, como a criação de conselhos fiscais que cobram impostos e não trazem nenhum beneficio. No caso do nosso curso, com essa regulamentação, abre-se a possibilidade de acabar com os educadores populares, exigindo diploma de quem não tem ao invés de se criarem mais cursos de graduação.


Encontros de área e a luta dos estudantes de pedagogia

O curso de pedagogia é composto em sua maioria por mulheres de origem proletária, que muitas vezes trabalham, estudam e sustentam uma casa, tendo em diversos casos uma jornada diária dupla ou até mesmo tripla. A maioria das faculdades não tem creches, nem berçários que venham a atender as necessidades das estudantes que são também mães. Esse é o perfil do estudante de pedagogia, estudante do povo, que como tal deve primar que o encontro possa discutir as necessidades dos estudantes da classe trabalhadora, o que passa pelas discussões também acerca da assistência estudantil.


Em 2010 ocorrerão por todo o Brasil encontros nacionais de estudantes de diversos cursos, conhecidos como encontro de área, esses encontros são extremamente importantes na perspectiva de organizar os estudantes por suas problemáticas de curso. Muito mais do que discutir questões acadêmicas, o encontro tem como objetivo organizar os estudantes por suas especificidades de curso, mas também debater a importância do seu curso para a sociedade.

Mas infelizmente a grande maioria dos encontros por área, refletindo a triste realidade do movimento estudantil nacional, acabou por se tornar grandes espaços festivos completamente despolitizados. Tudo o que quer uma juventude atrelada ao governo (UNE). Essa entidade já recebeu mais de 10 milhões do governo Lula/PT, e cumpre o vergonhoso papel de defensor das reformas neoliberais do governo dentro do Movimento Estudantil, servindo como uma verdadeira correia de transmissão dos interesses do governo e contra os estudantes.

É necessário que o ENEPe seja um encontro que vise armar os estudantes de pedagogia para todas as problemáticas acima mencionados, combatendo as reformas neoliberais do governo Lula/PT para a educação, bem como a formação de um pedagogo comprometido com a classe trabalhadora e auxiliar em toda a organização da luta de classes. Organizando encontros em caráter de congresso, que possam ser deliberativos a partir da base e que tenham espaços democráticos de discussão como defesa de teses.



Construir uma Plenária de estudantes combativos


Nós da Rede Estudantil Classista e Combativa (RECC), entendemos que no capitalismo a sociedade é dividida em classes, entre exploradores e explorados, trabalhadores e burgueses. Entendemos que nessa sociedade não há meio termo. E os estudantes que são uma fração da classe trabalhadora, como os estudantes de pedagogia, devem defender os interesses da classe trabalhadora, estando com ela nas lutas e por suas reivindicações históricas. O estudantado de pedagogia tem assim um compromisso com a luta de classes.


Nesse sentido convocamos a todos os estudantes de pedagogia, comprometidos com a causa do povo, a participarem de uma plenária da RECC no ENEPe, para organizamos os estudantes combativos em um pólo que possa lutar contra a influência do governismo da UNE no movimento estudantil, suas reformas neoliberais, bem como a influência do para-governismo (PSOL/PSTU) que destrói a luta da classe com uma política eleitoreira e reformista.



POR UMA EDUCAÇÃO A SERVIÇO DA CLASSE TRABALHADORA! POR UMA PEDAGOGIA QUE SIRVA AO POVO!
CONSTRUIR NA PEDAGOGIA UM MOVIMENTO ESTUDANTIL CLASSISTA E COMBATIVO PELA BASE! ROMPER COM O GOVERNISMO E COM O OPORTUNISMO! ABAIXO A UNE TRAIDORA DOS ESTUDANTES! VIVA A LUTA DOS ESTUDANTES E TRABALHADORES!

domingo, 11 de julho de 2010

Oposição CCI, MEPR e Independentes convocam:

O período de eleição para DCE é um momento valoroso para o Movimento Estudantil, uma vez que favorece o embate de idéias, as avaliação das práticas e experiências realizadas pelos diversos grupos e suas perspectivas e concepções. Este embate é importante para os estudantes perceberem "quem é quem" e despertarem não somente o censo crítico mas, na nossa opinião o mais fundamental transmitir, que é a ciência de que aquele que não luta organizado com os estudantes e trabalhadores que vivemos dia-a-dia cede espaço para as ofensivas do estado e do capital, como a Reforma Universitária Neolibereal do Governo Lula e o processo de privatização através das fundações e terceirizações. Conclamamos então aqueles estudantes, convencidos da centralidade do nosso papel de garantirmos uma universidade que sirva ao povo, não só a participarem conosco deste processo eleitoral, mas permanecerem organizados em suas bases e em constante processo de politização e luta combativa!



3º Rodada aberta de debates para formação de chapa classista às eleições para DCE da Unb

Quinta-Feira: 15 de julho
12h no Ceubinho
(a reunião será no mezanino acima)

***

ABAIXO O GOVERNISMO E A UNE PELEGA E TRAIDORA!
FORA FUNDAÇÕES! FORA BURGUESIA DA UNB!
REORGANIZAR OS ESTUDANTES PELA BASE!
POR UMA UNIVERSIDADE A SERVIÇO DOS TRABALHADORES!
OUSAR LUTAR!!! OUSAR VENCER!!!

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Oposição CCI convoca:


2º Rodada de Debate sobre Formação de Chapa Classista às Eleições do DCE-UnB 2010



Dia 06 de julho (terça-feira)
12h no Mezanino Norte do Ceubinho




***


REORGANIZAR O MOVIMENTO ESTUDANTIL PELA BASE!
CONTRA O APARATISMO, A BUROCRACIA E O PARLAMENTARISMO ESTUDANTIL!
VITÓRIA AOS ESTUDANTES DO POVO!


sexta-feira, 25 de junho de 2010

Oposição CCI convoca:

Discussão de formação de chapa
às eleições para DCE-UnB:

Dia 29/06 (terça-feira)
12h no Ceubinho (em frente ao DCE)




Durante os últimos anos houve nas universidades federais e estaduais, e em especial na UnB, um ressurgimento relativo do movimento estudantil, tendo como marca simbólica a ocupação da reitoria da USP em 2007. As várias ocupações de reitorias que se seguiram por todo o Brasil, muitas das quais ensaiando um programa reivindicativo anti-governista, deram continuidade a esse processo. Por mais que o resultado de parte dessas lutas tenha proporcionado a conquista de alguns pontos de pauta dos estudantes (como a saída de administrações superiores corruptas e privatistas), a esmagadora parte das demandas estudantis classistas permaneceu desatendida. Assistimos nesse período o fortalecimento das Fundações Privadas ditas de apoio, o início da implementação do REUNI (cuja precarização da universidade já se faz sentir aos estudantes dos campi Ceilância, Gama e Planaltina), o esvaziamento do debate sobre a democratização dos colegiados e orgãos superiores da universidade, a assistência estudantil manter-se pífia em face da real necessidade dos estudantes pobres e, mais recentemente, o violentíssimo ataque do governo contra a universidade com corte salarial de funcionários e professores da UnB.


Nós da Oposição Classista Combativa e Independente à atual gestão do DCE compreendemos que parte das derrotas e do acanhamento das lutas no período pregresso se deram em decorrência da hegemonia do governismo, para-governismo, parlamentarismo estudantil e do policlassismo na linha política e programática das mesmas. Tendo em vista a eleição para gestão do DCE da UnB que se aproxima, convocamos os estudantes desejosos de construir um caminho de lutas baseado no classismo e na ação direta estudantil a participarem de uma reunião de possível formação de chapa para concorrer à eleição do DCE, cujos eixos centrais deverão ser pautados no seguinte programa reivindicativo e organizacional:




- Nem Enem nem Vestibular, acesso livre já!
- Fora polícia do campus!
- Fora Fundações Privadas!
- Pela ampliação de uma verdadeira Assistência Estudantil!
- Pelo Passe Livre Estudantil Irrestrito!
- URP para todos!
- Contra a tercerização e precarização do trabalho na universidade!
- Pela conclusão das obras nos novos campi!
- Abaixo a UNE pelega!
- Reconstruir o Movimento Estudantil Classista e Combativo!
- Nenhuma ilusão na democracia burguesa: Pela Ação Direta Estudantil!

quinta-feira, 17 de junho de 2010

O germinal - nº16, Junho de 2010

Algumas lições da greve

Nos últimos dois meses, a UnB viveu um período de greve unificada entre professores, funcionários e estudantes, tendo como pauta central a luta contra o corte salarial de 26% (relativos à URP) dos trabalhadores. É fundamental para a clareza de todos que o corte da URP está inserido em uma estratégia neoliberal do Governo Lula/PT de precarização do trabalho e da universidade pública. Sendo assim, as políticas de corte salarial se articulam com outros projetos, tal como o REUNI, as fundações privadas etc. As provas disso são a retirada da URP em outras universidades públicas do país e o fato de que na UnB os salários dos trabalhadores que entraram depois de 2008 (com o Reuni) são os mais ameaçados desde o começo.

Tal ataque violento aos trabalhadores iniciou um processo de mobilização que, apesar de ter tido uma grande adesão em determinado momento, teve como características políticas durante todo o processo: o corporativismo e o legalismo levado a cabo pelas direções governistas do DCE e Sintfub e a direitista da ADUnB. Essa linha levou o movimento grevista a ficar refém da legalidade burguesa, apostando em atos midiáticos de pressão parlamentar e teve como resultados notórios: o fim da greve dos professores (10/05) sem uma garantia concreta da URP; o fim da greve estudantil (18/05); a aprovação do calendário no CEPE - Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão (20/05) e o enfraquecimento da greve dos funcionários.

As ações combativas e a hegemonia governista

O início da greve, no entanto, foi marcado pelo anseio combativo da base estudantil expresso na Assembléia Geral com cerca de 400 estudantes que deflagrou greve, defendendo o “Fim das Fundações Privadas”, “Fora Cursos Pagos”, assim como o método de piquetes (mesmo com o DCE/PT defendendo posição contrária nas assembléias do ano passado). A tentativa de ocupação do CCBB e a ocupação do CONAE também foram marcantes no início da greve. Estava claro, porém, que as direções pelegas não levariam a ação direta até as últimas conseqüências e inclusive a sabotariam. Um exemplo disso foi o trote “solidário” e remunerado (sic) do DCE marcado para o mesmo dia de uma das manifestações unificadas. É importante ressaltar que a combatividade desenvolvida pela base no início da greve não foi capaz de re-configurar uma nova direção ao movimento, o que manteve a hegemonia política da “frente unida” da burocracia governista e thimotysta.

Paulatinamente foi se organizando por parte da burocracia governista, tanto a sindical quanto a estudantil, o boicote da luta e se reconduzindo a greve para o afastamento da combatividade. Dois erros fundamentais dessa política foram: 1º) A defesa de uma suposta “contradição interna” no Governo Federal entre Lula/PT e o Ministério do Planejamento. Esta falsa suposição, uma vez que o Governo agia sob uma política unitária (como ficará claro nas declarações de Lula, citadas a seguir), pretendeu blindar o Governismo e obscurecer seu verdadeiro caráter neoliberal e antipopular*. Com a estratégia de “explorar/disputar” tais “contradições” (sic), as táticas adotadas foram atos midiáticos e pacifistas, ao invés de construir mecanismos efetivos de pressão. E a tática parlamentarista do PSTU foi também de “desgastar” o governo através da mídia; 2º) A defesa legalista da continuidade da luta através da justiça burguesa, tal como expresso na fala do diretor do Sintfub, Mauro Mendes: “a luta agora é no STF” (Fonte: SECOM), conduziu a um recuo ainda maior da ação direta grevista, tendo tal amansamento da greve o objetivo de não prejudicar a tática de ação judicial. Como sempre, tal linha legalista se voltou contra os próprios trabalhadores, imobilizando os grevistas que confiavam na mesma justiça burguesa, pois contribuiu para dividir professores e funcionários quando concedeu liminar favorável a URP somente aos primeiros, ameaçou colocar a greve na ilegalidade etc.

O corporativismo e o legalismo derrotam a greve unificada

Com opção traidora da maior parte dos professores de saírem do movimento unificado, a greve dos estudantes e dos funcionários sofreu um forte impacto negativo. A oposição CCI tinha a clareza que, caso não houvesse uma radicalização, por parte dos setores ainda em greve, a greve estudantil não passaria de uma formalidade, já que os estudantes estavam sofrendo assédio moral por parte dos professores que estavam dando testes, faltas etc. Do mesmo modo, a greve dos servidores ficaria extremamente enfraquecida com o retorno à normalidade das atividades acadêmicas e com o isolamento de uma greve que começou unificada.

No dia 13 de maio foi deliberada em assembléia estudantil a continuidade da greve e a não aprovação do calendário acadêmico no CEPE (Conselho de Ensino Pesquisa e Extensão), já que este prejudicaria as greves, em especial a dos estudantes, e as atividades acadêmicas em geral, tendo em vista o fechamento do R.U, biblioteca, secretarias etc. Os estudantes, após esta assembléia, desceram em manifestação para a reunião do CEPE, onde a maior parte dos estudantes e servidores presentes implodiram o CEPE, com vistas a efetivar a deliberação da assembléia. Tal ação combativa foi acompanhada pelos gritos histéricos do governismo e da direita clamando pela “civilidade”, pela “responsabilidade” e pela “democracia na universidade” (sic). Nós da Oposição CCI afirmamos que não temos compromisso nenhum com a lógica parlamentarista de conciliação de classe, traidora e oportunista da diretoria do DCE e sua base de apoio reacionária e pequeno-burguesa, afirmamos que a democracia burguesa não passa de uma fachada, assim como os apodrecidos conselhos “70-15-15” da burocracia universitária.

A prática é o critério da verdade

É exatamente nesse final de greve que se pode ver mais claramente o caráter conciliador das direções governistas, que caminham articuladas com o Governo Lula/PT levando as greves e suas pautas reivindicativas para a derrota, sendo peça chave para o Governo aplicar a reestruturação produtiva do capitalismo e o ataque aos trabalhadores. Foram exatamente nesses últimos dias da greve que o peleguismo foi mais funesto: O DCE/PT, na assembléia que decretou o fim da greve estudantil, fazendo coro contra as ações combativas dos estudantes com o setor mais podre e reacionário auto-intitulado “Aliança pela Liberdade”, aprovou uma deliberação contra a implosão do CEPE (que se realizaria dia 20/05) e pelo “convencimento” dos conselheiros reacionários, afim de que estes não aprovassem o “calendário”. Tal fato foi denunciado pela Oposição CCI como uma verdadeira traição na luta em defesa da URP. Nesta reunião do CEPE, como havíamos alertado, o calendário acadêmico foi realmente aprovado, inclusive com os votos estudantis favoráveis da “Aliança pela Liberdade” (desrespeitando o posicionamento da assembléia!). Isto demonstrou que o discurso do “diálogo/civilidade” não traz vitórias concretas para os trabalhadores e estudantes. Ao confiar nas vias burocrático-institucionais, a proposta dos estudantes foi completamente atropelada pelos conselheiros reacionários. Mesmo o abaixo-assinado, proposto pelos governistas para "sensibilizar" o conselho, de nada adiantou, e a ameaça da perda salarial dos servidores permanece ainda mais forte.

Reorganizar o Movimento Estudantil e Sindical

Apesar da derrota da greve e da vitória do governismo, o processo de greve, assim como todo processo de luta proletária, deve ser concretamente analisado pelos militantes sinceros. É extraindo as lições corretas das lutas, vitoriosas ou derrotadas, que acumularemos experiência e forjaremos as condições reais para as vitórias futuras! Para tal, concebemos como tarefa estratégica dos estudantes proletários a criação e fortalecimento das oposições estudantis, que não devem ter como objetivo principal “conquistar os aparatos e direções”, mas sim se constituir como embriões do processo de reorganização da luta, da base para cima. A Rede Estudantil Classista e Combativa - RECC se pretende a este objetivo, já articulando a nível nacional tais oposições, assim como defende e busca construir alianças com entidades e oposições sindicais classistas e combativas, se organizando em um Movimento de Oposições Sindical-Popular-Estudantil, para combater o governismo neoliberal e o reformismo, tanto de esquerda como de direita.

Nós da Oposição CCI só temos compromisso com o terreno da luta de classe. É nela que nos encontramos e nos comprometemos a desenvolvê-la até as últimas conseqüências, defendendo os interesses imediatos e históricos da classe proletária. Convocamos todos os estudantes a se juntarem na Oposição Combativa, Classista e Independente ao DCE-UnB!

ABAIXO O GOVERNISMO!
FORA FUNDAÇÕES! FORA BURGUESIA DA UNB!
VIVA O MOVIMENTO ESTUDANTIL-PROLETÁRIO!
NEM ENEM, NEM VESTIBULAR: ACESSO LIVRE JÁ!

* As declarações do Governo Lula/PT no dia 10 de maio de 2010 deixam claro o caráter neoliberal de tal governo quando afirma que deve-se descontar os dias parados dos servidores públicos em greve, não ceder às reivindicações e se possível declarar ilegais as greves, já que “ministro e dirigente ‘não é sindicalista", disse Lula. (Fonte:http://www.gazetadopovo.com.br/vidapublica/conteudo.phtml?tl=1&id=1001528&tit=Lula-pede-que-ministros-endurecam-com-servidores-em-greve)

quinta-feira, 27 de maio de 2010

COLETIVO DE GEOGRAFIA “TERRITÓRIO LIVRE”

"Saber pensar o espaço, para saber nele se organizar, para saber nele combater... Afinal, nem toda região montanhosa e arborizada é Sierra Maestra." Yves Lacoste, geógrafo francês.

O quadro atual do ensino superior brasileiro é alarmante. A Reforma Universitária do Governo Lula/PT demonstra que mesmo sendo aplicada de forma fragmentada faz parte de um todo articulado, aprofundando o processo de apropriação capitalista das Instituições de Ensino Superior. Tal afirmação tem sua comprovação no caráter de programas como o Prouni, que transfere as recursos públicos para o empresariado das faculdades privadas; o recente repasse de $ 1 bi do BNDES para as “privadas”; a Lei de Inovação Tecnológica que transforma a universidade em espaço de produção de ciência para empresas; a proliferação das fundações privadas e cursos pagos; o REUNI que visa a precarização da educação e do trabalho nas Universidades Públicas com o aumento de vagas sem infra-estrutura e professores/ funcionários suficientes. A Luta em Defesa dos Trabalhos de Campo na geografia se torna fundamental, portanto, dentro de uma luta maior contra precarização da educação e CONTRA O REUNI.

Nosso coletivo e o CAGEA:

O Coletivo “TERRITÓRIO LIVRE” tem como objetivo primeiro estar iniciando um processo de mudança do nosso curso e principalmente do Movimento Estudantil de Geografia (MEGEO). É preciso mudar a concepção de Centro Acadêmico (CA) que atualmente possuem alguns estudantes, principalmente alguns “veteranos”, que acreditam ser o CA um lugar onde as pessoas individualmente (ou com um grupo de amigos) possam se apropriar do CA para realizar atividades particulares acima dos interesses que envolvem o curso e os estudantes de geografia de forma geral. Nós do Coletivo “TERRITÓRIO LIVRE” queremos um CA pra lutar!

Ao contrário de uma visão apolítica que acredita na neutralidade, nós acreditamos que uma entidade como o CA está sempre caminhando em uma direção, porém, essa direção deve ser democraticamente eleita, através do voto com disputa de chapas, onde obviamente, as assembléias gerais de curso tem caráter fundamental para o andamento da luta como órgão de deliberação máximo; para aumentar a participação devem ser criados Grupos de Trabalho (GT’s) abertos a qualquer estudantes interessado em tocar as atividades do CAGEA. É necessário que o CAGEA saia do apoliticismo e da “porra-louquisse”, e isso só se dará combatendo a influência ideológica da burguesia dentro universidade, que paralisa as lutas e a organização coletiva dos estudantes.

Nós do Coletivo “Território Livre” defendemos um CAGEA que:

- Seja aliado da luta da classe trabalhadores do campo e da cidade, defendendo o CLASSISMO no caráter de nossas lutas ou na produção da ciência produzida no curso de Geografia;

- Aposte nos métodos de Ação Direta, tais como ocupações de órgãos públicos, fechamentos de ruas, paralisações unificadas com os trabalhadores (tal como na USP) que caminhem para uma greve geral da educação. Acreditamos que ao invés dos acordos de cúpula e parlamentaristas (privilegiados pelos partidos reformistas) , a ação direta combativa é o único método que garantirá nossas pautas reivindicativas imediatas e históricas.

- Seja independente perante o Estado burguês e seus diversos governos, independente da burguesia e dos partidos políticos. Atualmente, com o advento do “petismo” vimos às maiores organizações estudantis e sindicais (UNE, CUT) virarem “correias de transmissão” das políticas neoliberais do Governo Lula, portanto é necessário aprender com a experiência, negando o parlamentarismo eleitoreiro e lutando pela independência das entidades de base.

Convocamos todos os calouros e demais estudantes de geografia a estarem cerrando fileiras conosco nessa batalha pela revitalização de um CAGEA classista e combativo, com democracia e luta. Fazemos esse chamado principalmente aos calouro por acreditar que atualmente no nosso curso existe uma luta do velho contra o novo, onde os calouros querendo participar e lutar são impelidos pelos veteranos reacionários a mesma dinâmica pequeno-burguesa de apatia e apoliticismo. Unam-se ao TERRITÓRIO LIVRE!

O Movimento Estudantil Nacional de Geografia

Atualmente no ME brasileiro existe o que se chama de “movimentos de área”, que agrupam os estudantes de determinado curso, no nosso caso o de Geografia. Mas o que se vê é que, longe de serem espaços para organizar as lutas dos estudantes, tais espaços dos Movimentos de Área como os Encontros Nacionais são verdadeiras colônias de férias pequeno-burguesas, onde desde a base se cria um clima festivo, de esvaziamento dos debates e das disputas políticas, onde os participantes não estão representando as bases organizadas e sim participam aqueles com tempo, dinheiro e vontade de “curtir a viagem”. O ENEG e o ME de Geografia se inserem em tais críticas, e a burocratização e a desorganização vão se aprofundando.

O Coletivo “TERRITÓRIO LIVRE” defende a necessidade também da (re)organização nacional do MEGEO. É necessário que o CAGEA saia do isolamento e se articule com um movimento combativo nacional de estudantes de geografia. Para iniciar tal processo de reorganização, nós defendemos como pontos fundamentais: a) A realização de um congresso de base nacional, com delegados eleitos em assembléia, para reestruturarmos nossa organização; b) A articulação de um movimento de oposição de GEA que tenha um programa classista e combativo e capacidade de organizar e combater a burocracia no movimento.

Geografia e Luta de Classes

Acreditamos que a luta por um Universidade Popular e a serviço da classe trabalhadora, do campo e da cidade, perpassa também pela luta acadêmica por uma ciência também a serviço do trabalhadores, e enquanto Geógrafos, por uma Ciência Geográfica Crítica e Revolucionária, que esteja lado a lado nos enfrentamentos do proletariado, produzindo uma Geografia verdadeiramente comprometida com a CAUSA DO POVO.

Atualmente, existe na universidade uma ideologia burguesa muito forte, que negando a verdade da luta de classes e o método materialista para análise da realidade confunde muitos estudantes com um ultra-relativismo teórico-político, fazendo com que se defenda o “fim das classes sociais“ e supostamente se colocando acima delas, em uma ilha de neutralidade e pluralidade, enquanto nosso povo morre de fome e na luta diária por uma vida melhor e mais digna. Mudar a realidade significa luta e combate, tal neutralidade e pluralismo não é nada mais que um posicionamento reacionário para manter as coisas tal como estão.

Os trabalhos de campo bem orientados teoricamente tem uma importância chave no ensino de Geografia, pois aproxima os estudantes da realidade de seu povo e do cenário da luta de classes, saindo do ambiente academicista e da ideologia burguesa colocados na universidade. São fundamentais para a garantia da qualidade do ensino e do tripé ensino-pesquisa- extensão, que há alguns anos as políticas neoliberais vêm destruindo através da Reforma Universitária, onde são criados curso de geografia sem a mínima estrutura, são cortados os ônibus e materiais dos que tinham anteriormente, etc.


Por uma Ciência Geográfica crítica e a serviço da causa do povo!

VIVA A AÇÃO DIRETA DOS ESTUDANTES E TRABALHADORES!

Junte-se ao Coletivo de Estudantes de Geografia TERRITÓRIO LIVRE!



“(...) a geografia, através da análise dialética do arranjo espacial, serve para desvendar máscaras sociais, vale dizer, para desvendar as relações de classes que produzem esse arranjo. É nossa opinião que por detrás de todo arranjo espacial estão relações sociais, que nas condições históricas do presente são relações de classes.” Ruy Moreira

quinta-feira, 6 de maio de 2010

O Germinal – Nº 15, Abril de 2010

Avançar a Greve Geral contra o Governo!


A Greve Unificada da UnB, iniciada no dia 9 de março pelos professores, já passa de um mês de duração. A assembléia realizada pelo movimento estudantil (no dia 16/03) que aprovou a participação na greve e que contou com cerca de 400 estudantes, confirmou a defesa dos posicionamentos que a Oposição CCI vinha fazendo desde o final de 2009: deflagração de greve estudantil e defesa da unificação, com pautas estudantis e com piquetes/ ação direta (ver boletim germinal nº 13 de novembro de 2009). A greve, pelo caráter agressivo do corte salarial (26%), conta com boa adesão de professores e servidores do quadro.

Apesar disso, o movimento grevista apresenta no seu interior uma série de problemáticas que se colocam como obstáculos ao avanço da luta atual. Os organismos de direção do movimento tal como a ADUNB (Thimotistas) , o DCE (PT-UNE) e o Sintfub (PT-CUT), hegemonizados claramente por forças políticas legalistas e governistas vem levando o movimento a confusão, defendendo aná lise errônea de que há uma contradição no Estado, entre o Ministério do Planejamento e o Governo Lula/Dilma, e que a tática para obter a URP em ano eleitoral é apostar na exigência de que Lula/Dilma defendam os trabalhadores da UnB.
Como já havíamos denunciado no boletim nº 13 a retirada da URP (gratificação salarial de professores e servidores instituída em 89) que já foi nacional e atualmente tem na UnB um de seus últimos bastiões, faz parte de um ataque global implementado na educação brasileira. Como veremos esses ataques tem ampla dimensão:


O Papel Burguês do PT (Lula e Dilma):



A intransigência e atraso do Governo Federal/Ministé rio do Planejamento em não pagar a URP demonstram o caráter estratégico de sua política de precarização do trabalho e da universidade pública. Esta e outras medidas fazem parte da Reforma Trabalhista Neoliberal que vem sendo implementada pelo Governo do PT conjuntamente á burguesia brasileira. Tem o objetivo de adequar o Brasil ao modelo imperialista de flexibilização trabalhista e competitividade internacional.

O Projeto de Lei 549/2009, é exemplo disso, já aprovado no senado federal visa congelar os salários dos servidores por 10 anos e reduzir drasticamente os custos públicos. Além disso, tramita na Câmara e no Senado Federal o PLP 248 e a PEC 341/09, medidas que instituem a demissão sem direito à ampla defesa no serviço público e a “regulamentação” do direito de greve.

Deste modo as recentes declarações do presidente Lula pelo pagamento da URP, não devem ser encaradas como uma faceta bondosa a ser aplaudida e sim como resultado de nossa luta. Não devemos aplaudir o patrão por conceder o que é nosso por direito. Aliás, pelo que vem se desdobrando nos trâmites da AGU (Advocacia Geral da União), os trabalhadores parecem estar sendo enrolados outra vez. Deste modo, a análise de que para vencermos a batalha da URP temos que apostar numa suposta “contradição” no governo, é uma formulação produzida pelos setores petistas do (Sintfub e DCE) que além de se apoiar em uma tática eleitoreira/ oportunista ela obscurece a natureza burguesa do Governo de Lula e seus ataques aos trabalhadores do campo e da cidade.


As Conseqüências do Reformismo na Greve da UnB:


No movimento estudantil, o DCE leva uma prática de sabotagem da greve não encaminhando seriamente as tarefas principais da greve (como iniciação de piquetes, panfletagens, divulgação de assembléias etc.) E no movimento sindical, vemos o corporativismo se revelar na secundarização realizada pela diretoria do Sintifub e Adunb à luta dos terceirizados e contratados, ocasionando no fato de que a maior parte dos trabalhadores de serviços da UnB, que são terceirizados, continua trabalhando, já que não foram incorporados à greve.

Apesar de uma pressão da base pela radicalização do movimento, causada pela ineficácia da espera legal ao STF, as diretorias continuam apostando em atos comportados: em carreatas organizadas pela polícia, juntamente com parlamentares do PT, métodos judiciais e principalmente apostando na mídia burguesa para “pressionar” os órgãos públicos. Este último método se apresenta extremamente problemático, pois além de não representar uma pressão real, coloca o movimento refém do jogo burguês legalista, defendido pela mídia, que paralisa o avanço da luta combativa dos trabalhadores, levando-nos a derrota.

A linha estratégica governista das direções foi explicitada no ato na CONAE (Conferência Nacional de Educação), no dia 29/03, que contou com uma saudável ação combativa de ocupação da sala de eventos do Ulisses Guimarães. Mas na qual os pronunciamentos traidores dos diretores sindicais se colocaram a apoiar esta mesma conferência “tripartite” (governo, empresários e trabalhadores) , que vem legitimando vários ataques a educação, como a implementação do Novo ENEMbular.

Fica claro durante esse período de greve que a estratégia eleitoral da direção do DCE/PT e sua política de freio e boicote para as lutas materiais (tal como a greve unificada na UnB) faz parte de sua linha reformista que reforça o paralelismo na luta. Esta política paralelista se da com o reforço de “lutas” de cunho democrático-burguê s/nacional- desenvolvimentis ta (“Fora Arruda/Ética na política”, “Petróleo é nosso”, etc.) ao mesmo tempo em que desestabiliza e enfraquece as lutas e econômicas/materiais . Isso faz com que os trabalhadores não acumulem força na base e os deixa refém das lutas legalistas para apoio de legendas eleitorais, como o PT. Para além da verborragia vazia do DCE defendendo a “massificação” e “radicalização” da greve (sic), fica claro aos estudantes sinceros que seus reais compromissos com o Governo e com a política burguesa impossibilitam que tal direção encaminhe a luta para a vitória. Muito maior do que a fala comprometida e apodrecida dos diretores do DCE, a realidade nos mostra que a greve estudantil está sendo boicotada. O paralelismo reformista sujeita as lutas materiais/econô micas ao corporativismo, ao pacifismo e a derrota.

Construir uma greve geral na educação:


Deste modo, ao contrário das diretorias que pretendem fragmentar e parcializar as lutas, visando não fazer um enfretamento estratégico com o Governo Lula e os pacotes educacionais capitalistas, a Oposição CCI aponta que para os estudantes e trabalhadores da educação superarem a atual condição meramente reativa da luta, e passarmos a uma contra-ofensiva ao governo e ao empresariado, é necessário que unifiquemos a luta da URP à luta contra o PL 549/2009, contra a terceirização e as fundações privadas nas universidades. Visando a construção de uma greve geral na educação e no serviço público, acumulando forças através de um combativo movimento nacional de oposição sindical, popular e estudantil.

Para a continuidade e ampliação da luta na UnB é necessário termos claro que a polarização é entre os Trabalhadores x Estado (Lula e MPOG) e Empresariado, por isso devemos acumular nossas forças mantendo a greve e não acreditando em promessas dos poderosos. Queremos medidas concretas!
Não aos ataques da Burguesia e de Lula ao ensino! Construir a Greve Geral na Educação!


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Por que não queremos a polícia na UnB

Foi no dia 10 de outubro de 1973 que o estudante de Geologia da UnB e líder estudantil, Honestino Guimarães, foi morto e “desapareceu” nas mãos dos militares brasileiros. Fatos como esses e muitos outros, como o assassinato do estudante secundarista Edson Luís em 28 de março de 68, marcam com sangue a história do movimento estudantil no Brasil. Uma história de longo combate aos ataques a educação e de luta de vida ou morte contra a polícia do Estado Brasileiro a serviço das elites nacionais e internacionais.

Esses foram militantes heróicos a qual devemos relembrar a todo o momento sua bravura na luta do povo. Uma de suas grandes bandeiras foi exatamente a luta pela expulsão da repressão burguesa nos campus das universidades brasileiras, que conseguiu relativa vitória com o veto a entrada da PM nos campus a partir dos anos 80. Estes estudantes e trabalhadores estavam cientes do papel que a polícia cumpre na sociedade capitalista e na luta de classes: a repressão, o assassinato aos trabalhadores e estudantes (nas favelas, no campo, nas greves e nas escolas), e a defesa de um Estado corrupto dos grandes proprietários.

Apesar disso, atualmente vemos grupelhos da direita (o que já era esperado) e da dita “esquerda” exigirem a polícia militar no campus da UnB. A diretoria do DCE/PT é um dos maiores pilares desta política, que no segundo semestre de 2009 apoiaram a proposta de participação do DCE no comitê de segurança pública do GDF e a presença da PM no campus. Desta forma, sujam a história do movimento estudantil, que lutou por independência na organização dos estudantes e trabalhadores. Mais timidamente, vemos os para-governistas/ reformistas do PSTU defendendo os sindicatos de policiais.

Os movimentos de ocupação de reitoria ocorridos no Brasil inteiro durante os anos de 2007 e 2008, tem muito a nos ensinar sobre a repressão policial. A perseguição política, o jubilamento, o espancamento e a prisão de estudantes feitos pela PM ou Polícia Federal foram a resposta dada a luta combativa e justa dos estudantes. A recente luta na USP em junho de 2009, contra as demissões e contra a parceria privada de curso a distância na universidade, confrontou brutalmente o choque dentro dos limites do campus.

Nós defendemos que a questão de segurança deve ser garantida pelos próprios estudantes e trabalhadores da universidade e através de um conjunto de reivindicações: a) Melhor iluminação do campus e dos caminhos que ligam a L2, b) maior contratação de funcionários na UnB, c) que os CA’s, espaço de luta dos estudantes, expulsem os traficantes e condenem o uso de drogas ilícitas nas dependências físicas do mesmo e d) que o movimento estudantil e sindical criem espaços próprios de discussão, julgamento e execução de medidas de segurança.
A política do DCE é a política burguesa, pois defendem implicitamente que os problemas estruturais da educação estão resolvidos, bastam ser disputados aqui e ali os programas postos, dado que o seu partido (PT) ocupa o cargo central do Estado. Mas os problemas da educação estão longe de ser solucionados, e reservam aos estudantes proletários uma dura e violenta batalha pela derrubada do domínio burguês sobre a universidade. Ser contra a polícia no campus universitário é não conciliar com o inimigo de classe, é lutar contra a repressão ao Movimento Estudantil e Sindical, é tomar partido na luta de classes em defesa do povo pobre e trabalhador.

Fora Polícia Militar da UnB! Fora DCE Burguês! Pro uma universidade sob controle dos trabalhadores!