segunda-feira, 30 de março de 2015

PM? Não, obrigado! Fora repressão!

Publicamos abaixo texto produzido e lançado pela Chapa 3 "UnB aberta pra quebrada" durante eleições para DCE em 2014. O texto reflete integralmente a opinião da Oposição CCI. Boa leitura!!

 

Em tempos que setores de extrema-direita vem a público querendo a volta do regime militar no Brasil, é preciso ter clareza sobre o papel desempenhado pelo militarismo, mesmo em tempos "pós-ditadura". Existe ainda hoje um continuísmo do regime que sobreviveu pela manutenção de leis durante a reformulação da Constituição de 1988 e nos subterrâneos do aparelho repressivo de Estado, a exemplo da ABIN, antigo SNI. E no plano "sensível, é a lei do cassetete e da bala de borrachada polícia o poder de sustentação do regime capitalista. Vivemos, enfim, uma ditadura velada, que mata a juventude pobre e negra nas periferias, encarcera e tortura. Na verdade, a virada da ditadura para uma democracia burguesa não passou de um transação negociada que garantiu privilégios aos militares e reacionários.


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PM? Não, obrigado! Fora repressão!

O debate da polícia no campus precisa ser enfrentado diretamente. Eis a postura da chapa 3 “UnB aberta pra quebrada” a respeito do tema. Boa leitura e aguardamos o debate!


A desigualdade de classes da sociedade funda a ganância e a violência, que se reproduz no interior das universidades. Não ocorrem roubos, sequestros e assaltos por excelência e exclusividade na UnB. Seu padrão de ocorrência, entretanto, pode seguir tendencialmente um perfil: concentração de crimes contra a propriedade nas zonas de maior concentração de renda.  E a universidade apresenta este “atrativo”, por ser ainda elitizada. O “mapa da criminalidade” da gestão da Aliança pela Liberdade confirma: a maioria da “violência” é contra propriedades, e – felizmente – não contra pessoas. Contraditoriamente, muitos adeptos da ideia de PM no campus rejeitam a presença do Detran por identificarem estes como limitantes da “liberdade” de locomoção com seus veículos particulares – um ultra egoísmo.

Reivindicar a PM no campus é enxugar gelo. Ou seja, a desigualdade de classes é produtora de delitos; e agir sobre delitos é agir contra a consequência, estendendo a causa. A polícia age, por excelência, reprimindo os delitos, especialmente crimes contra a propriedade e a ordem institucional – seja ela qual for. Manter a “ordem pública” é manter a opressão política e a exploração econômica do “homem pelo homem”, causa da violência primeira em nossa sociedade. A função da polícia, portanto, é restrita, senão nula ou contrária a própria liberdade e segurança dos indivíduos e grupos de “minoria”. Registra-se, por exemplo, que a polícia brasileira domina os ranking das mais violentas do mundo. Operam assassinatos e toda sorte de abuso de poder, especialmente nas periferias e contra seus membros identificados em outros espaços urbanos. Os recentes casos de assassinatos de Amarildo, Antônio e Cláudia são reincidentes diários.

A pequena burguesia, ou de renda média, literalmente compra a ideia do enclausuramento, pois por ele pode pagar. Quanto mais grades, muros, câmeras, catracas, seguranças particulares e policiais, em tese, menos suscetível a violência está. Se preocupa exclusivamente com seus bens ou ideal de propriedade, enquanto se desresponsabiliza da sociedade que o cerca. Mas ao virar as costas para as causas da criminalidade, se tornam co-responsáveis pelos crimes. O povo continua refém da insegurança causada pelas contradições do capitalismo – a exemplo do tráfico etc. –, mas não pode pagar por segurança nem contar com a polícia em vários casos.

As Jornadas de Junho demostraram o papel da polícia em última instância: salvar o Estado e o capitalismo contra as rebeliões populares. Toda forma de especialização para reprimir está sendo viabilizado em função dos megaeventos e megaobras, como a Copa e a hidrelétrica de Jirau. Técnicas, armamentos, “carta branca” jurídica e apelo midiático: o povo é colocado por antecipação como inimigo interno em potencial, pouco importando seus interesses. A repressão age muitas vezes a esmo, mesmo contra manifestações pacíficas. A polícia trabalha como uma herdeira da ditadura no submundo da democracia burguesa, impondo a lei do “porrete”.

Ser contra a polícia no campus não é ser contra a paz. Absolutamente, não! A proposta da criação de um batalhão universitário, por outro lado, manteria o status superior de tratamento que supostamente merece o ser “acadêmico” diferentemente dos reles mortais. Na universidade, imediatamente, precisamos reivindicar 1) um plano de ocupação dos campi, com valorização de uso dos espaços vazios (áreas recreativas, de estudo, de esporte etc.), 2) corte do mato alto, 3) projeto de calçamento, 4) reforma na iluminação, 5) ampliação do transporte, 6) treinamento da segurança para além da guarda patrimonial e 7) construção de comitês de auto-defesa (de mulheres e homossexuais, por exemplo). Mas, sobretudo, é preciso mesclar UnB e periferia, através da 8) extensão universitária e 9) do acesso livre na UnB, e não torna-las antagônicas, quase inimigas como é hoje. Negar a polícia no campus é, enfim, entender que polícia é sinônimo de guerra: são os soldados do Estado capitalista para conter seu inimigo interno, o povo. E nós declaramos guerra contra a guerra! Pois queremos a paz, justiça e liberdade para todas as quebradas! Fora PM do mundo!

Recua polícia, recua: é o poder popular que está na rua!
Por uma UnB aberta pra quebrada!

quarta-feira, 25 de março de 2015

Documentário: Calabouço 1968 - um tiro no coração do Brasil

Nesta semana que completa 47 do assassinato de Edson Luis pela ditadura civil-militar no Brasil, indicamos um excelente documentário que contribui na formação histórica do movimento estudantil brasileiro ao resgatar a memória de nossas lutas.

 
NÃO ESQUECEMOS E NÃO PERDOAMOS!
DITADURA NUNCA MAIS!
PELO FIM DO MILITARISMO!



SINOPSE
Calabouço 1968 - um tiro no coração do Brasil é um documentário sobre a morte do estudante Edson Luís no restaurante estudantil Calabouço.

Na tarde do dia 28 de março, o local estava repleto de estudantes, na maioria secundaristas, que reivindicavam a conclusão das obras do restaurante e melhorias na alimentação, quando foram reprimidos com violência pela Polícia Militar. Um tiro dado à queima roupa matou o jovem estudante Edson Luís, cujo corpo foi velado na antiga Assembleia Legislativa, que funcionava onde hoje é a atual Câmara de Vereadores, na Cinelândia, no centro do Rio.

Calabouço 1968 - Um tiro no coração do Brasil é ponto de partida para reflexões sobre todo o período da ditadura militar até a redemocratização e as manifestações de rua dos dias atuais.

O “Calabouço”, restaurante central dos estudantes, foi o cenário onde se desenrola o estopim das grandes manifestações estudantis que abalaram a ditadura instalada em abril de 1964 no Brasil.



Ficha técnica completa

Título                        Calabouço - 1968, um tiro no coração do Brasil (Original)
Ano produção           2014
Direção                    Carlos Pronzato
Estreia                      28 de Março de 2014 ( Brasil )
Duração                    59 minutos
Gênero                      Biografia, Documentário, História
Países de Origem      Brasil

domingo, 22 de março de 2015

28 de Março: Dia Nacional de Luta dos Estudantes


28 de Março:

Dia Nacional de Luta dos Estudantes



(assista ao vídeo de 2 min: 28 de Março - Dia de Luta dos Estudantes)



28 de Março é celebrado o Dia Nacional de Luta dos Estudantes. Esta data homenageia o secundarista Edson Luís de Lima Souto que em 1968 foi assassinado com tiros a queima roupa pela Polícia Militar, no Rio de Janeiro. Fora o primeiro estudante que tombou morto diante da ditadura. Ele participava de um ato no restaurante estudantil Calabouço, foco de grandes mobilizações, reivindicando melhorias na alimentação, diminuição no preço e o término das obras do local. A PM adentrou o restaurante metralhando indiscriminadamente, deixando vários feridos e outros mortos, como o estudante Benedito Frazão Dutra, que faleceu dias depois.

Velório de Edson Luís


O corpo de Edson Luís foi levado imediatamente pelos próprios companheiros para ser velado na Assembleia Legislativa, e depois por cerca de 50 mil pessoas para ser sepultado. Nem sua missa de 7º dia foi poupada, onde os militares voltaram a atacar os presentes na igreja da Candelária, deixando outros feridos. A morte de Edson Luís gerou comoção e revolta nacional. Organizaram-se nos meses seguintes combativas passeatas e greves gerais com milhares de pessoas em mais de 20 cidades em todo Brasil, às quais tiveram mais presos, feridos e outros mortos pela ditadura.

Em decorrência desta data, e em 2015 ano completando 47 anos de seu assassinato, a RECC todos os anos faz questão de manter viva a memória do camarada Edson Luís. E de todos aqueles que foram perseguidos, torturados ou assassinados enfrentando a sanguinária ditadura civil-militar da burguesia. Convocamos os estudantes do Brasil para celebrarem a data, realizando em suas escolas e cidades atividades na semana do dia 28 de Março. Não podemos permitir que apaguem nossa história e nossa luta, tal como assassinaram nossos camaradas. O esquecimento é a morte. A luta é a vida.

Em memória e justiça aos mortos pela ditadura!
Não esquecemos nem perdoamos!
O companheiro Edson Luís vive!

sexta-feira, 20 de março de 2015

Quem influencia o “apartidarismo” da Aliança pela Liberdade?

Publicamos abaixo texto produzido e lançado pela Chapa 3 "UnB aberta pra quebrada" durante eleições para DCE em 2014. O texto reflete integralmente a opinião da Oposição CCI. Boa leitura!!

Fora liberais-pragmáticos!

 

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Quem influencia o “apartidarismo” da Aliança pela Liberdade?

apl_epl 

A “Aliança pela Liberdade” se apresenta como apartidária, plural e preocupada com as demandas do dia-a-dia da universidade, ditas técnicas ou operativas. Opõem-se ao que classificam como pautas externas, vistas como ideológicas e ilegítimas. Ela se coloca, assim, como que “neutra politicamente”. Entretanto, entre os membros da “Aliança”, dentre os quais alguns fundadores, há pessoas que fazem parte da rede estudantil internacional “Estudantes pela Liberdade”. Esta rede tem como referencial teórico-ideológico o liberalismo político e econômico, a exemplo da escola austríaca de economia, posição acessível no sítio da entidade (www.epl.org.br). A rede “Estudantes pela Liberdade” possui um verdadeiro manual para organizar os estudantes e uma forte coesão teórico-ideológica, a qual não é vista nem mesmo entre determinados partidos políticos (!). Possuem forte relação com institutos acadêmico-políticos de viés liberal, a exemplo do instituto Mises, o Mises Brasil, o instituto Millenium, entre outros.

A questão é, qual motivo leva a “Aliança pela liberdade” camuflar sistematicamente sua estreita relação com grupos de igual ou maior influência que partidos políticos? O que faz um militante do grupo “Estudantes pela Liberdade”, que possui forte coesão ideológica e um projeto liberal de sociedade, atuar no interior da “Aliança” se não vê neste a possibilidade de orientar ou ter contemplado suas respectivas posições políticas?

Responde a “Aliança” que ela possui independência interna frente a referida rede internacional e seus institutos, que sua posição não segue um projeto liberal e que se pautam exclusivamente pela demanda dos estudantes da UnB etc etc. Ora, estão tentando subestimar nossa inteligência. A defesa da iniciativa privada, da terceirização, da meritocracia, do empreendedorismo é a própria posição liberal, que não é consenso entre a “pluralidade” que alegam defender. A “Aliança” se projeta na UnB aproveitando da forte recusa ao modos operandi oportunista dos partidos eleitoreiros no Brasil. Mas organizações como o Instituto Millenium não precisam disputar eleitoralmente as eleições estatais para ter influência sobre governos, empresários e o próprio movimento estudantil. O modus operandi destas organizações supracitadas se revela audacioso e desleal: orientando politicamente distintas frentes da sociedade, em cada qual aparentam possuir um projeto corporativo ao setor, porém todos estes coordenados pela “intelectualidade orgânica” liberal para forjar as bases de seu projeto global que é – como dizem – o “capitalismo selvagem”.

Os que dizem querer pensar somente a universidade imediatamente acabam por deixar “intacta” (na melhor das hipóteses) a ordem social desigual que cria, mantém e para a qual se destina a própria academia. Ideologicamente, servem ao “partido da burguesia”, por mais que se digam apartidários. Nós da chapa 3 “UnB Aberta pra Quebrada” não somos contrários à articulação entre chapas e “outros grupos” – nossas relações externas e nosso projeto são ditos abertamente. Criticamos política e metodologicamente a relação com partidos eleitorais ou quaisquer grupos defensores do status quo. Apesar da ferrenha oposição que fazemos a submissão do movimento estudantil às instâncias políticas do Estado capitalista através de seu uso eleitoral, não somos contrários à existência de organizações políticas e partidos não-eleitorais que façam uma disputa política no rumo do movimento. Antes de sermos levados por ideias fáceis e cultivadas pelo senso comum, é dever do estudante pesquisar, criticar e opinar. Este é o motivo que nos leva ao combate incessante contra o modo de produção capitalista. Estudantes do povo, agremiem-se conosco! 

“Estamos convencidos de que liberdade sem socialismo é privilégio e injustiça, e que socialismo sem liberdade é escravidão e brutalidade”. Mikhail Bakunin.

quarta-feira, 18 de março de 2015

Governador Rollemberg e Reitor Ivan Camargo (UnB) são recebidos com protesto por estudantes durante cerimônia oficial de recepção dos calouros

20150309-0014
Oposição CCI protesta contra cortes e calotes na educação realizados pelos governos distrital e federal. Ao fundo, Governador Rollemberg falava de sua “trajetória socialista na universidade” (sic)

Durante a Recepção oficial de calouros pela Reitoria da UnB, no Centro Comunitário dia 13/03/15, a Oposição CCI realizou agitação e propaganda. Militantes e apoiadores distribuíram o boletim “O GERMINAL” (nº 35) aos recém ingressos na universidade. Durante falas de membros da Reitoria e da gestão liberal-pragmática do DCE, uma faixa foi exposta contra os recentes cortes (ou “calotes”) na educação que partiram do MEC e do GDF, sob a direção de Dilma (PT/PMDB) e Rollemberg (PSB), respectivamente. O GDF mantém atrasados o pagamento de direitos dos professores da rede pública básica e o governo Dilma efetuou um corte de 7 bi anual na pasta da educação.

Protesto pela manutenção dos "permissionários" marca celebração oficial da REItoria
Protesto pela manutenção dos “permissionários” marca celebração oficial da REItoria
O momento auge ocorreu antes do pronunciamento do governador Rollemberg. Cerca de 50 estudantes tomaram a cena e realizaram um protesto contra a retirada dos comerciantes permissionários das zonas centrais do ICC, principal prédio do campus Darcy da UnB. O protesto, ainda, criticou a gestão do DCE e da Reitoria em seus conchavos e políticas pró-privatização e elitização da universidade.

O GERMINAL nº 35 - Março de 2015

 

O GERMINAL

 

Boletim da Oposição Estudantil C.C.I. – Filiada à RECC/FOB

www.oposicaocci.blogspot.com | oposicaocci@riseup.net
Ano VIII – Edição Nº 35 – Março de 2015 – Desde 2007, na luta pela Universidade Popular!


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Leia a versão em pdf. CLICANDO AQUI.


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Vida nova, novas lutas… Sejam Bem vindos!


Desejamos as boas vindas  aos calouros que entraram para a Universidade de Brasília este ano! Vocês encontrarão muita novidade pela frente, muitas portas estarão abertas e muito conhecimento acessível ao alcance de vocês!

Para muitos um sonho que se realiza, para a maioria a negação do estudo e da possibilidade de encontrar um futuro emprego mais qualificado. Vitória para quem entrou, mas nem tudo são flores do lado de cá. Este ano entramos já com paralisação dos terceirizados que não receberam do Governo estadual, e uma possível greve nacional dos técnicos e servidores administrativos da UnB.

Fora isso, nos deparamos com todas as eternas dificuldades enfrentadas pelos estudantes de baixa renda, na luta por moradia, assistência estudantil, respeito. Muitas possibilidades se abrem quando entramos para uma universidade federal, mas devemos lembrar que nossos direitos foram adquiridos através das lutas que estudantes – como Honestino Guimarães, Ieda Santos Delgado e Paulo de Tarso Celestino – e servidores desta universidade travaram antes de nós. Mas  ainda há muito o que fazer, e não podemos retroagir em nossa luta!

Convidamos todos os calouros a engajarem-se no movimento estudantil da UnB, participarem, opinarem e fazerem avançar a luta por nossos direitos e também conhecer e juntarem-se à nossa organização, a Oposição CCI aos DCE da UnB, para lutarmos por um ensino gratuito,de qualidade, universal e popular. 

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Construir os Comitês de Autodefesa de Mulheres e Defender a Luta Histórica contra o Machismo!


Comitê de Autodefesa de Mulheres da UFMS torna-se referência na luta contra o machismo: https://www.facebook.com/comiteautodefesaufms?fref=photo

Vivemos em uma sociedade de cultura machista e uma estrutura de classes, onde a classe dominante oprime a classe dominada e impõe um cotidiano de violência, desprezo, exploração e humilhação as mulheres, principalmente as trabalhadoras, negras e indígenas.

O estado – e todo o seu aparato jurídico e militar – em nada contribuem para a real emancipação da mulher, pois a legislação e as políticas de amparo são apenas alegorias do “estado democrático de direito” sem real eficácia. Mas de qual maneira as mulheres podem se armar contra esse sistema de exploração-opressão? Construindo a sua autodefesa!

Foi em 8 de Março de 1857 que mulheres operárias foram queimadas numa fábrica em Chicago, por reinvindicar além de melhores condições de trabalho e salário, a igualdade de ambos aspectos frente aos companheiros de chão de fábrica. Estas companheiras empenharam suas forças pela libertação de gênero e de sua classe e é essa herança de lutas a qual não deixaremos ser apagada!

Nacionalmente temos construído os comitês de autodefesa de maneira independentes e voltados para estudantes e funcionárias/os, partindo  da necessidade de organizar e preparar as mulheres para lutar contra a violência machista, de raça e de classe. Os comitês vem promovendo treinos para as participantes e realizando  debates diversos sobre temas correlatos. Os comitês de autodefesa nesses moldes já vem ocorrendo em diversos lugares do Brasil como na UFRRJ, UFMS, UNESP, UFG e UFC..  Esta iniciativa se faz necessária também na  UnB!

Solidariedade de classe para combater o machismo! Mulheres na linha de frente pela emancipação integral da classe trabalhadora!

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Em tempos de “arrocho” geral, a resistência coletiva é a única saída


Professores da Oposição de Resistência Classista protestam contra cortes na educação durante assembleia do Sinpro-DF (fev/2015)
Professores da Oposição de Resistência Classista (ORC/FOB) protestam contra cortes na educação durante assembleia do Sinpro-DF (fev/2015)


O ano de 2015 começou com um verdadeiro estelionato. Eleita com a promessa de “não atacar direitos trabalhistas e sociais”, o governo de Dilma (PT/PMDB) faz exatamente o oposto: dificultou acesso ao seguro desemprego, abono salarial, pensão por morte e auxílio doença (MPs 664 e 665). Venderam “tucano” por lebre!

Na educação, a demagogia do governo não poupou esforços. Logo após anunciar o (enganoso) lema “Brasil: pátria educadora”, lançou também um corte de verba, onde o Ministério mais afetado será justamente o da Educação. A previsão é de cortar R$ 7 bilhões de seu orçamento anual. Este “ajuste fiscal” já gera impactos negativos.

Desde janeiro o MEC suspendeu o repasse de 30% da verba às universidades. Em diversas instituições, e também na UnB, bolsas de estudo e permanência foram atrasadas, oferta de vagas nos programas de assistência estudantil não acompanharam o aumento da demanda e trabalhadores terceirizados sofrem com o atraso de salários e ameaça de demissão.

Para piorar, o aumento do custo de vida sobe absurdamente. O aumento da luz, da gasolina, do supermercado, do aluguel anulam o pífio aumento do salário mínimo de 8,8%. No DF, o aumento da conta de água é a mais caro em 10 anos. E o governo Rollemberg (PSB) ainda ameaça aumento de tarifa no transporte.

Com medo de que os danos da crise capitalista cheguem no Brasil, os governos jogam a conta nas costas dos trabalhadores e estudantes. Mas esta conta não é nossa! E nós não vamos pagá-la! Aos estudantes trabalhadores, filhos de trabalhadores e que dependem dos programas de permanência, tempos de “vagas magras” se anunciam! Na universidade e nas ruas, só nos resta resistir e lutar!

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A “REI”toria de Ivan Camargo: uma pedra no caminho…


Ocupação da Reitoria da UnB em 2014. Todos os partidos e grupos reformistas debandaram. A ocupação foi mantida por estudantes e grupos independentes e combativos e que alcançaram o arquivamento dos processos administrativos!

A UnB é dirigida pela equipe de Ivan Camargo desde 2012. Sua gestão vem sendo alvo constante de conflitos com os estudantes e terceirizados. Vamos recapitular alguns episódios:
  1. No início de 2013, aprovou as “Regras de Convivência” que colocou na ilegalidade a realização autônomas de festas e eventos acadêmicos pelos estudantes;
  2. No 2º semestre de 2013, Ivan Camargo solicitou reintegração de posse da sala BT 260 ocupada por estudantes que reivindicavam assistência, efetivado pela Polícia Federal;
  3. Ainda em 2013, reativou do Conselho Diretor da FUB, órgão por onde passou os esquemas de corrupção do ex-reitor Timothy Mulholland que só caiu após a ocupação da reitoria em 2008;
  4. Durante sua gestão, centenas de trabalhadores(as) terceirizados foram demitidos ou perseguidos politicamente. Terceirizadas foram demitidas ilegalmente pelas empresas por estarem grávidas, sob a conivência da Reitoria;
  5. No 1º/2014, o Restaurante Universitário aumentou de R$ 5 para R$ 10 o valor da refeição à comunidade externa. Em paralelo, abriu uma seção “gourmet”, discriminando os usuários mais pobres;
  6. Também em 2014, Ivan Camargo abriu processo administrativo e ameaçou com processo civil e criminal 8 estudantes que participaram de “catracaços” no RU. Ao ocuparem a reitoria para arquivar os processos, os estudantes – que saíram vitoriosos – sofreram ameaça de reintegração de posse e corte de energia;
Estes episódios indicam o que foi e o que será a gestão Ivan Camargo: autoritária, repressora, elitista e privatista! Chega de “lero-lero”, daqui pra frente é só ação direta!

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O que é a Oposição CCI?


A Oposição Combativa, Classista e Independente ao DCE-UnB surge em 2007. Ela não se opõe a uma gestão de DCE em particular, mas ao parlamentarismo estudantil como um todo. A CCI é uma organização de base com o objetivo de lutar pelas demandas básicas dos estudantes. A longo prazo lutamos pela construção de uma Universidade Popular, onde o povo tenha acesso livre e o conhecimento produzido seja voltado aos interesses do mesmo. Para isso acreditamos que é necessário reorganizar o Movimento Estudantil sob as bandeiras da ação direta, da unidade com os trabalhadores e de um programa anti-governista. Possuindo militantes em diversos cursos, nos organizamos nacionalmente através da RECC (Rede Estudantil Classista e Combativa) e do FOB (Fórum de Oposições pela Base).

Lutar para estudar, estudar para lutar!


segunda-feira, 17 de novembro de 2014

[evento] Questão de gênero: emancipação e autodefesa das mulheres



O evento "Questão de gênero: emancipação e autodefesa das mulheres" pretende debater o inquietante elo entre o imediato e o histórico na questão da emancipação feminina. Para tanto, convidamos representantes da UnB e da UFMS para mediar este debate. Trata-se de assunto polêmico, no que vale o esforço de pensarmos as ações individuais e coletivas do "hoje" e do "amanhã", as relações nos ambientes públicos e privados, de homens e de mulheres, enfim, na sociedade. Como atuar nos âmbitos micro e macro para a superação, vista e sentida ainda hoje, da assimetria de gênero? Quais são e como pensam as diferentes vertentes do feminismo a este respeito? Mas com pretensão de superar o debate meramente teórico, o Evento debaterá as recentes experiências dos Comitês de Autodefesa das Mulheres construidos e em construção em várias cidades brasileiras. Tratam-se de experiências para formar politicamente e realizar seções práticas de autodefesa das mulheres. Pensando a proteção no dia-a-dia e em protestos coletivos, os Comitês realizam treinamento da impostura de voz, bem como o fortalecimento moral e psicológico de jovens e trabalhadoras. Mas então, como os Comitês de Autodefesa podem se transformar em mecanismos de emancipação das mulheres? Venham debater conosco!

Dia: 25 de novembro (terça)
Horário: 12h - 14h
Local: Auditório do IH (Subsolo do ICC Norte, UnB - Campus Darcy Ribeiro)


* Ao fim do debate, haverá uma breve oficina de Autodefesa para as interessadas.


quinta-feira, 3 de julho de 2014

Hoje mais do que nunca, construir o braço feminista do sindicalismo revolucionário!

Este texto é uma contribuição do estudante Edson Guimarães, militante da Oposição CCI ao DCE-UnB, para o debate amplo e coletivo sobre luta pela libertação da mulher.



Hoje mais do que nunca, construir o braço feminista do sindicalismo revolucionário!
 



Edson Guimarães, militante da Oposição CCI*
 

“A luta de classes, fato histórico e não a afirmação teórica,
é refletida no nível do feminismo. As mulheres, como os homens,
são reacionárias, centristas ou revolucionárias. Elas não
podem, portanto, travar a mesma batalha juntas.”
Mariátegui, Reivindicações Feministas.

A construção do feminismo classista no Brasil hoje é um tema explosivo que vem gerando em diversas frentes de luta questionamentos, repulsa ou fortalecimento de um polo de mulheres combativas. Frente a uma sociedade fortemente marcada pelo conservadorismo patriarcal e pela mercantilização crescente do trabalho e do corpo da mulher, a luta feminista classista se demonstra uma necessidade inadiável. Apesar disso, tal construção bate de frente a um movimento feminista pequeno-burguês hegemônico e terá de se afirmar em uma dura convicção frente a uma “maioria” afundada em confusões teóricas, práticas e oportunistas, sob a pena de vencer ou se arruinar no pântano da luta fraticida (homens x mulheres) e/ou reformista.   

Para nós este é um debate central hoje não só na UnB como no Brasil. Atualmente dentro da esquerda e principalmente dentro de círculos universitários é comum escutarmos a defesa da importância do movimento de gênero, assim como do movimento de classe. Isto é fundamental e básico, pois o feminismo e a liberdade sexual assim como a igualdade social são elementos essenciais para qualquer organização revolucionária. Apesar disso, são costumeiramente tratados de forma separada. Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa. Pautas de classe (“salariais”) e pautas de gênero (“liberdade corporal”).

Em nossa visão está na raiz dessa separação a concepção pequeno-burguesa de feminismo e do determinismo econômico que secundariza as opressões. Não adianta falarmos da sua transversalidade se ela não é pensada e colocada em prática. As deformações surgem dessa separação e o pós-modernismo e o marxismo reformista reproduzem este problema. A esquerda oportunista que elegeu o operário industrial como o único guia da revolução no Brasil, enxerga nos movimentos de gênero, assim como no movimento estudantil e camponês, setores pequeno-burgueses dispostos a apoiar o movimento revolucionário. Dessa forma pré-concebem a característica supostamente pequeno-burguesa (ou policlassista) do movimento de gênero e a potencializam, destinam-se assim a ser movimentos de apoio, e apenas isso, pois não é considerada a possibilidade se constituírem como autênticos movimentos de classe.

Dessa forma não se questiona a prática desses movimentos “de apoio”, simplesmente se adequa aos seus vícios pequeno-burgueses, considerados como inerentes a estes. A prática dos “Beijaços”, por exemplo, puxadas pela ANEL são defendidas enquanto ações anti-homofóbicas “inquestionáveis” apenas até os limites do movimento estudantil, já que no movimento sindical da CSP-CONLUTAS onde predomina a prática “séria” da classe, estas práticas não possuem nenhum eco, nem são incentivadas pelo mesmo partido, PSTU. Há uma clara descontinuidade nas políticas de classe e adequação a demandas pequeno-burguesas no ME e ao mesmo tempo burocratização da esfera sindical, que sob o discurso da seriedade descarta até a ação direta de classe, como um “desvio de juventude”. 

Já o pós-modernismo chega a resultados semelhantes, mas por outras vias. A sua critica as meta-narrativas, grandes teorias de explicação da realidade (a exemplo o próprio marxismo), levou a afirmação da particularidade como único critério do real, abandonando a idéia de um movimento unificado ou universal, para defender a idéia de micro-revoluções particulares. Essa influência conduziu os movimentos de gênero, negro, etc, a se fragmentarem e a se transformarem reféns das lutas reformistas, corporativistas, apenas por políticas públicas específicas sem vislumbrar a própria revolução social e o questionamento da ordem geral capitalista e sua superação (elemento fundamental para o anarquismo).

A concepção de uma das principais figuras públicas do MPL-DF representa bem essa concepção autonomista pós-moderna. Em entrevista a revista Darcy Ribeiro N°6, na matéria a “Voz dos Independentes” ela afirma: “Ninguém quer derrubar o Estado, a mudança pode ocorrer por meio de outras estruturas, de uma revolução cotidiana”. Assim, continua o particular negando o geral e o geral negando o particular, gerando diversas formas de reformismos.

O resultado prático é a negação da transversalidade, ou seja, a negação do um feminismo classista. Para contrapor estes problemas é preciso ter em mente duas ideias chaves: 1° que toda particularidade traz em si um germe de universalidade e 2° que a materialidade da classe comporta as particularidades econômicas, políticas e culturais, indissociáveis, e se estende muito além do operariado industrial atingindo todos aqueles que vivem do seu próprio trabalho. Neste sentido o movimento de mulheres trabalhadoras e suas pautas, ainda que particular em relação ao conceito de mulher em geral (abstrato), é o único capaz de levar suas pautas até as últimas consequências e de fato emancipar a mulher em geral (concreto), da mesma forma que apenas o movimento da classe trabalhadora visa libertar a humanidade em geral, e não o fará sem o movimento classista de Gênero e de Raça. O que isso significa?

Significa que o momento atual nos exige pensar nas pautas transversais que sintetizem ao mesmo tempo a condição da mulher e da trabalhadora. As creches públicas, direito ao aborto e hospitais 100% públicos e gratuitos, licença maternidade, igualdade e aumento salarial, política de contraceptivos gratuitos, direito a auto-defesa, educação sexual nas escolas públicas, vacinação gratuita, fim da violência nas periferias e espaços de trabalho\estudo, etc. Pautas que hoje são esquecidas ou muito difusas na Marcha das Vadias. Mas por que? Por que isso não interessa materialmente a um setor de mulheres que pelo fato de serem privilegiadas, por serem gerentes, patroas ou mesmo por possuírem boas rendas podem desfrutar de serviços privados e elitizados. O próprio capitalismo (e isso inclui mulheres capitalistas) se beneficia estruturalmente do machismo super-explorando as mulheres, e isto também é um fato. Por isso o feminismo classista é uma necessidade, pois só ele levará esta luta frente.

Dessa forma o particularismo (pós-moderno) e o economicismo (marxista-reformista) isolam o feminismo. Um é colocado no pedestal como única particularidade legítima, o outro como particularidade secundária. O corporativismo e a visão pequeno-burguesa dessa forma são reforçados. E não pelas vontades individuais, mas pela dinâmica do movimento que ao negar a centralidade de classe e do materialismo na prática (ainda que as vezes seja exaltado em palavras), leva o movimento a se centrar no campo do discurso, da jurisdição, do subjetivismo, se concentrando no denominador comum das “mulheres em geral” (inclusive a burguesa) se afastando e na maioria das vezes ocultando os interesses inconciliáveis das trabalhadoras.

Um exemplo disso é: de onde vem a concepção de feminismo da Marcha das Vadias, sua pautas, seus métodos e base social? Sua base social e de formulação ideológica são muito concretas, universitária e pequeno-burguesa (literalmente em muitos casos donas de estabelecimentos, exploradoras de trabalhadores). E a negligência da marcha das vadias a pautas das mulheres pobres e negras não é muito diferente da negligência que grande parte dos setores “feministas” da UnB, por exemplo, deram a demissão das trabalhadoras terceirizadas grávidas no final de 2013, ou as estudantes expulsas recorrentemente da Casa do Estudante também por gravidez (sem creches e direitos), que nunca tiveram uma campanha séria na Universidade de Brasília, a não ser pela luta travada pela Oposição CCI, ainda que limitada.  

A condição de classe, portanto é o que permite a transversalidade, unindo homens, mulheres, negros, brancos, indígenas, LGBT’s, entre outros por uma bandeira comum: a luta contra a exploração e a dominação, da qual todas as opressões são influenciadas e potencializadas, quer queira quer não. A forma de se quebrar o isolamento e o reformismo são unificar e ao mesmo tempo formular pautas e métodos específicos. Unificar sob duas perspectivas: a) Unir organizações feministas, étnicas, sindicais e estudantis, numa Central de Classe Sindicalista Revolucionária (que é o que defende a RECC); b) Unir a condição de classe com a condição de gênero.

A diferenciação dos métodos também é uma trincheira de classe, pois enquanto para a mulher burguesa o mundo ilustrado, da jurisdição ou da linguagem universitária, é seu campo por excelência de “combate” e privilégio, onde suas demandas são em parte atendidas e garantidas, já para as mulheres trabalhadoras este mundo não passa de ficção, só as greves, as manifestação de rua, ocupações, podem garantir a conquista das reivindicações concretas. Não adianta, portanto lutar apenas pelas leis (legalização do aborto, por exemplo), é necessário a reivindicação do sistema público e gratuito de saúde, e seguir na luta pela transformação radical da base material da sociedade.

A luta contra as opressões devem assim ser pauta de toda classe travando um combate cultural interno e estrutural para fora. É necessário para isso separar o conceito de contradição do de antagonismo. Mulheres e homens trabalhadores vivem uma contradição cultural (nem por isso menos material) que não será superada pela destruição de um dos lados, mas sim com a luta pela igualdade, a autocritica e a disseminação de uma cultura e prática libertadora. A exploração de classe é um antagonismo (irreconciliável), que busca a destruição da burguesia, se desenvolvendo para um combate frontal, uma guerra física, dada que estão baseadas em relações de propriedade, interesses e posições econômicas (que inclusive fortalecem o machismo).

O protagonismo da mulher de forma geral é então entendido por nós, não como o de qualquer mulher, mais o da mulher trabalhadora, de seu programa e de seu método. A ideia da representatividade simbólica da “mulher em geral” é diferente de nossa perspectiva de protagonismo. Primeiramente por que o objetivo é garantir o protagonismo feminino na luta pela revolução e não na representatividade dentro das instituições burguesas (parlamento, diretoria de empresas, polícias). Segundo, um avanço não se dá pela simples ascensão de uma mulher ou oprimido ao poder, ou pelo monopólio da fala e do espaço, e sim do conteúdo de seu programa e de seus métodos (o feminismo classista), e isso pode ser feito por mulheres e homens conjuntamente, mas nunca sem as primeiras. Isto é tão dramático que o capitalismo neoliberal vem se utilizando recorrentemente do discurso e da representação simbólica dos oprimidos (vide Lula o Operário, Dilma a Mulher e o Obama o Negro), para perpetuar a própria opressão sobre essas “minorias”, farsa que a esquerda e setores autonomistas muitas vezes reproduzem na sua ação cotidiana, de forma inocente ou oportunista para a perpetuação de seu próprio poder (como visto na ação dos governistas na greve das IFES de 2012).

 Por fim, aponto que é a questão material (entendido em seu sentido amplo e não apenas econômico) que permite tirarmos da marginalidade do “discurso inclusivo”, da ideologia neoliberal, a exploração e o machismo escamoteado nas ações patronais, instituições e nas causas sociais que levam o povo a se embrutecer e a se oprimir mutuamente. Dessa forma, o feminismo classista é a perspectiva transversal e nosso objetivo deve ser no plano geral unificar e não dividir homens e mulheres. É necessário dar continuidade a esta construção e aprofundá-la, desenvolvendo uma verdadeira ruptura com o feminismo burguês e atacar a farsa do discurso da “inclusão”. 

Viva as mulheres anarquistas que deram suas vidas a libertação das mulheres e do povo trabalhador! Resgatar sua história e exemplo!
 Viva Lucy Gonzales Parsons, líder operária negra!
Viva Louise Michel, líder das barricadas da Comuna de Paris!
Viva Fanya Baron, exemplo de abnegação e luta!
Viva Espertirina Martins lutadora do movimento operário brasileiro!

quinta-feira, 5 de junho de 2014

Organizar a luta por direitos e construir a Greve Geral!


Toda solidariedade aos estudantes processados injustamente na UnB!


Cartas de um estudante processado e perseguido politicamente pela Reitoria

Divulgamos abaixo duas cartas enviadas pelo estudante Leon, um dos oito processados pela Reitoria de Ivan Camargo por participar em um catracaço no Restaurante Universitário no ano passado. Nós da Oposição CCI repudiamos essa perseguição política dentro da UnB e daremos nossa solidariedade militante para por fim a esses processos absurdos! Somos tod@s Catraqueir@s!


CARTA À REUNIÃO CONTRA A PERSEGUIÇÃO POLÍTICA NA UNB (Realizada no Centro Acadêmico de Sociologia, em 27/05)

"Camaradas de luta,

Não pude me fazer presente hoje na reunião pois agora estou no trabalho, mas gostaria de expor algumas reflexões. Comecemos pelo óbvio: a reitoria está nesse momento criminalizando a luta por direitos dentro da UnB seguindo o exemplo de reitorias e governos no país inteiro, e aguardou  fim das eleições do DCE para isso. Os processos contra alguns estudantes participantes dos catracaços no RU realizados ano passado (2013), possuem como único objetivo "cortar algumas cabeças" para amedrontar o resto do movimento estudantil que ainda não se vendeu ao governo e à reitoria. 

Por trás do discurso de manutenção da "ordem e da legalidade" o que vemos são interesses políticos e empresariais em prol das empresas terceirizadas que hoje tomam conta por completo (inclusive em sua gestão!) do nosso Restaurante Universitário. A defesa de uma suposta legalidade cai por terra quando vemos que todos os dias trabalhadoras terceirizadas tem seus direitos negados, são demitidos injustamente, tem seus salários e direitos atrasados, bem como a comunidade universitária que agora está sendo expulsa pelo preço abusivo (10,00 reais) e pela superlotação do restaurante. Além disso, ao invés de expandir o RU, ou pelo menos abrir todas os refeitórios, a "empresa gestora" utiliza a mesma lógica do transporte: quanto mais cheio melhor, ou seja, quanto mais caótico melhor, e eis que surge a solução eficiente, gourmet e para poucos privilegiados! Além disso, a reitoria vê a gratuidade para os alunos pobres como uma política de "cala a boca". Afinal, quando esses mesmos estudantes buscaram ampliar seus direitos o que aconteceu? perseguição, criminalização e processos absurdos contra os estudantes.

Camaradas, estamos nessa luta juntos por direitos aos estudantes pobres e trabalhadores, e não devemos temer os ataques de qualquer autoridade. Nossos vizinhos da UFG estão enfrentando prisões políticos sérias por parte do governo de Goiás. Greves estão sendo judicializadas e reprimidas pelo país. Mas a cada dia, mais e mais pessoas saem às ruas, se organizam, e vão aos mais diversos protestos. Portanto, devemos reconhecer a nossa luta na UnB como parte desse processo nacional de lutas que ameaça estremecer as bases desiguais e autoritárias do nosso país e, portanto, também da nossa universidade. Avancemos, sem medo e unidos! A nossas formas de luta são legítimas e necessárias! Abaixo os processos políticos e a repressão aos estudantes da UnB!Somos todos catraqueiros! 

Forte abraço a todas e todos os bravos lutadores!

Leon, mais um processado político."


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CARTA À ASSEMBLEIA INDEPENDENTE DOS ESTUDANTES (05/06)

"Camaradas de luta,

Mais uma vez serei impedido, por conta do trabalho, de participar desse importante momento, a Assembleia independente. Porém, assim como fiz na reunião no CASO, gostaria de refletir sobre algumas temas. Nesse momento, a uma semana do primeiro jogo da Copa, devemos ser responsáveis com as lutas que pipocam pelo país inteiro, e pensar seriamente na mobilização dentro da UnB. Queremos fazer uma grande luta, e iremos com certeza, mas nem todos os caminho levam a Roma, precisamos nos orientar.

Primeiramente, os protestos desde junho de 2013 demonstram que na luta por direitos não se pede permissão para "senhor ninguém". As representações meramente oficiais, as entidades que viraram órgãos burocráticos, foram e serão atropeladas: partidos, sindicatos, DCEs. Depositar esperança nelas é o caminho para a pior das derrotas. Por isso que hoje é correto ser independente do DCE e suas instancias. Isso não é ser sectário ou pregar divisões e picuinhas. O DCE a alguns anos se tornou um órgão meramente oficial, sem impacto na organização coletiva dos estudantes. O DCE virou absurdamente um propagador do individualismo! Nesse momento, ser independente do DCE é ser responsável com nossa luta, da qual eles não são. Ser independente do DCE é priorizar a ação prática ao invés das formalidades e burocracias. O mesmo vale para a UNE e seus conselhos apodrecidos. Porém, isso não significa negar possíveis reuniões com a reitoria ou a necessária atuação jurídica, mas saber que as possibilidades de vitória estão nas ruas. A nossa capacidade de mobilização é que vai decidir a vitória ou a derrota, e não o número de UnB-DOC's ou reuniões de enrolação.    

Por último, gostaria de dizer que não existe uma "identidade de perseguido" onde apenas os próprios sabem o melhor para si. Estamos tratando com um fato político objetivo: a perseguição a alguns estudantes que atingiu todos os movimentos de luta na UnB. Para esse fato político existem diferentes opiniões políticas, ou seja, a verdadeira questão não é a autoridade moral do perseguido, mas as proposta que farão nosso movimento avançar. Quando dizemos que a repressão a um é uma repressão a todos devemos levar isso até as últimas consequências. Já presenciei muitas vezes essa concepção que dá legitimidade exclusiva a alguns "atingidos" e ela só levou ao esvaziamento da luta, só levou a fragmentação: os legítimos e os ilegítimos. A luta não é apenas pela retirada dos processos, é contra a repressão política na UnB, e isso envolve diversos setores. Esse, na minha humilde concepção, é o único meio de massificar nossa luta. 

Camaradas, nesse momento precisamos estar unidos e organizados, precisamos saber distinguir nossos amigos e inimigos. Permitir que se persiga um manifestante hoje, seja na UnB, na UFG, nas favelas, ou nas greves rebeldes, é preparar o terreno para o despotismo e a Tirania, levadas a cabo tanto pelos governos de direita quanto pelos governos do PT. Vamos nos cobrir de solidariedade, vamos nos esquentar de fraternidade verdadeira, e que isso alimente nossa ação para arrancar nossos direitos. Chega de pedir e mendigar. É hora de tomar o que é nosso. 

Forte abraço a todas e todos,

Leon, mais um processado político."

quarta-feira, 7 de maio de 2014

Eleições DCE: para combater os liberais e a pelegada, apoie e vote chapa 3 - UnB aberta pra quebrada

A Oposição CCI realizou um chamado público para construção de chapa para eleições do DCE e neste processo formalizamos a Chapa 3 - UnB aberta pra quebrada! Diante da paralisia do movimento estudantil em se forjar sujeito de suas ações e da política pró-mercadológica e meritocrática da gestão Aliança pela Liberdade, não haveria outro caminho a não ser lhe opor um programa da esquerda combativa. A Jornada de Junho e o espírito de combatividade popular visto desde o ano passado, principalmente entre a juventude, nos obriga a trazer este mesmo espírito para a universidade, organizando a revolta em nosso local de estudo. Chamamos todos os estudantes da UnB, apoiadores e simpatizantes da Oposição CCI, a conhecerem nosso programa de chapa e tomar partido nestas eleições. E o mais importante, continuar lutando conosco no dia-a-dia, pois movimento estudantil é muito mais que eleições de DCE!


segunda-feira, 7 de abril de 2014

Formação de chapa para eleições do DCE-UnB

Reuniões para discussão do programa e organização de chapa:
>> 08/04 (ter) - 12h
>> 10/04 (qui) - 18h
>> 14/04 (seg) - 18h
>> 16/04 (qua) - 12h
Local: Mezanino do ICC Norte

Os últimos dois anos foram marcados pelo burocratismo e apatia política do DCE nas mãos da direita liberal - Aliança pela Liberdade (do capital, diga-se de passagem). Nos anos anteriores, as gestões do PT e antes do PSTU e PSOL tiveram responsabilidade por iniciar a sedimentação dos debates rebaixados e senso comum através de reivindicações pragmáticas e atuações burocráticas nos conselhos superiores. A política da Oposição CCI sempre foi encarar as eleições de DCE ou mesmo de CAs como táticos, e não estratégicos, pois é possível construir um movimento estudantil a despeito das estruturas de entidades, avançando pela base - é o que fazemos a sete anos. Mantemos esta política. No entanto, compreendemos que este ano é crucial atuarmos nas eleições de DCE para realizar uma contra-propaganda da direita, do governo e dos reformistas em geral. Uma contra-propaganda baseada na organização por cursos em vista a construção positiva de uma universidade a serviço dos trabalhadores. Por este motivo, convocamos especialmente os estudantes-trabalhadores e vinculados aos programas de assistência estudantil, os moradores da periferias do DF e do Entorno, os camaradas que ousaram sair às ruas nas Jornadas de Junho: vamos organizar pela base um movimento estudantil aliado às causas populares e de combate contra as injustiças do Estado e capitalismo! Este ano temos o dever de trazer a revolta popular contra a copa e a farsa eleitoral ao nosso local de estudo e fazê-la generalizar por todo DF e Entorno. 

Compareça às reuniões de formação de chapa!
Traga sua experiência, proposições políticas e disposição para lutar!
Organizar um movimento contra a direita e a pelegada!
Construir a greve geral contra a copa do mundo!


quinta-feira, 3 de abril de 2014

DITADURA NUNCA MAIS!

Abaixo a ditadura de ontem e de hoje! O governo do PT/PCdoB/PMDB repete nas entranhas das instituições o regime de terrorismo do Estado ditatorial de 1964! Beneficia o empresário no parlamento e mata o pobre nas favelas e campos! Não nos renderemos: ditadura nunca mais!


Protesto nas ruas e tomada da Administração Regional do Paranoá/DF marcam o 28 de Março no Distrito Federal!







 


                No dia 28 de março, dia nacional de luta dos estudantes, ocorreu no Paranoá (periferia do Distrito Federal) uma manifestação em defesa do Transporte e da Educação pública. A manifestação reuniu estudantes do colégio Darcy Ribeiro, do Centro de Ensino Médio 01, do Centro de Ensino Fundamental 02, da Universidade de Brasília e de trabalhadores em geral. A manifestação que foi organizada pelo Comitê de Luta Popular do Paranoá e Itapoã, organização independente de moradores e estudantes da comunidade, também contou com a e apoio direto da Rede Estudantil Classista e Combativa (RECC) e presença do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) e de militantes do Movimento Passe Livre (MPL).

O trabalho de agitação e organização nas Bases


                Cerca de duas semanas antes da manifestação, os estudantes do Darcy Ribeiro já estavam se organizando para o 28 de Março, foram feitas panfletagens, colagem de cartazes, e especialmente um vídeo-debate que reuniu cerca de 20 estudantes da escola onde houve um debate acerca da história do movimento estudantil, a luta contra a Ditadura, o assassinato de Edson Luís, bem como da atual repressão e das tarefas dos movimentos estudantis e populares. Os estudantes do CEM 01, apesar de terem se envolvido posteriormente, já estavam travando uma luta pela reforma das cadeiras da escola, que estavam destruída ou inexistentes. A verdade é que as escolas estão sucateadas, sem o repasse de verbas do PDAF, sem quadras esportivas cobertas, enfim, o que não falta são motivos pra lutar.

                Como preparação para a manifestação, foram recolhidas mais de 600 assinaturas para um abaixo-assinado a ser entregue na Administração Regional do Paranoá em que o Comitê de Luta Popular fazia 5 reivindicações: 1) Ampliação das linhas e frota de ônibus do Paranoá, Itapoã, especialmente da área rural; 2) Passe Livre Estudantil sem restrição de linhas e dias; 3) Reforma e cobertura das quadras esportivas das escolas; 4) Repasse imediato da verba pública às escolas (o PDAF); 5) Ampliação do espaço físico, acervo e horário de atendimento da Biblioteca Pública do Paranoá. Não era um ato somente estudantil, as reivindicações tocavam também em pautas históricas da comunidade.

                Já na UnB, os estudantes organizados na Oposição Combativa, Classista e Independente ao DCE (CCI) fizeram também durante todo o mês de março um forte trabalho de agitação e propaganda, com colagens de cartazes, panfletagem, debates, pichações, etc. Também em várias cidades da periferia foram realizados trabalhos de propaganda, como nas escolas do Gama, Recanto das Emas, Planaltina. E tudo isso propagando o 28 de Março, pela "Greve Geral Contra a Copa", por memória e justiça aos mortos e torturados na Ditadura, bem como por um novo movimento estudantil combativo.

A manifestação: ocupação das ruas e tomada inesperada da Administração


                A manifestação se concentrou na praça central do Paranoá, a 13h da tarde. Lá foram chegando os estudantes das escolas, da UnB e trabalhadores que apoiam a causa. Foram feito piquetes nas estradas e saídas das escolas. A manifestação saiu então pelas ruas do Paranoá fechando todas as vias. A polícia militar, que já se encontrava desde cedo rondando as escolas e a praça, bem que tentou "furar" a manifestação para abrir uma via, mas sua tentativa foi frustrada frente a determinação combativa dos estudantes.

                Além de um ato reivindicativo, a manifestação foi uma verdadeira agitação contra a Copa do mundo da FIFA e contra a repressão militarista da Ditadura até os dias atuais. Além disso, a muito tempo que a população do Paranoá não participava ou presenciava uma manifestação no próprio bairro. Milhares de panfletos foram distribuídos aos trabalhadores e àqueles que passavam ou esperavam o ônibus, e o povo retribuiu com grande entusiasmo e dando uma caloroso apoio à luta.

                Chegando à Administração os manifestantes forçaram a entrada na grade e na porta de entrada, conseguindo sem grandes dificuldades abrir caminho entre burocratas e seguranças. O que impressionou foi a fúria do chefe de gabinete, Guilherme, que desferiu socos e pontapés contra a justa ocupação mas não conseguiu conter nem de perto a entrada. No interior do prédio os manifestantes entregaram o abaixo-assinado com as reivindicações e protocolaram na Administração. Esta se comprometeu publicamente a dar uma resposta em no máximo uma semana, que será publicada no site da Administração. Os manifestantes saíram do prédio cantando gritos de ordem cientes de que aquele era apenas um primeiro passo de muitas lutas que ainda terão que ser travadas até a conquista definitiva das reivindicações. Ao final foi feita uma roda de avaliação com alguns dos presentes.


As tarefas atuais dos estudantes do povo


                Apesar de toda preparação prévia, da agitação no dia do protesto, a baixa adesão é um reflexo da tradição governista (especialmnte do PT) impregnada nos movimentos do Paranoá e que a 4 anos vê suas lideranças participando do Governo do DF (e a uma década do Governo Federal!), esquecendo a organização de base e hoje todos lotados nos cargos de administração. Isso impôs uma grande paralisia para as lutas da comunidade, reduzindo a atuação dos setores ditos de "esquerda" a questões meramente culturais (e sem o devido enfrentamento com o Estado inclusive nessas questões). Além disso, ainda temos a UBES que só aparece para colocar ônibus na porta das escolas e levar os estudantes como massa de manobra pra esplanada, nunca teve real interesse em mobilização, pois é pau-mandada do governo, defendendo inclusive a Copa do Mundo da FIFA! Portanto, existe uma herança e uma tradição à qual devemos renunciar: a tradição petista. Ela só traz ilusões e desorganiza os estudantes e o povo. Porém, a pouca quantidade foi contrabalanceada com a alta qualidade. Mostramos que povo unido é povo forte e tem capacidade para se fazer ser atendido e ouvido.

             A manifestação nos ensinou que se com 50 ou 60 estudantes podemos impactar o governo e incomodá-los, nossa meta é mesmo mobilizar e organizar centenas e milhares de estudantes e trabalhadores, pois somos a maioria e unidos somos fortes! Devemos, portanto, reconstruir um novo movimento de massas que seja combativo, classista e independente, é a única forma de avançar ao mesmo tempo em honramos verdadeiramente os mártires revolucionários que morreram nas Ditadura!
 
EDSON LUÍS? PRESENTE!

POR TRANSPORTE E EDUCAÇÃO A SERVIÇO DO POVO!

ABAIXO A UNE E UBES GOVERNISTAS!

AVANTE O MOVIMENTO ESTUDANTIL CLASSISTA E COMBATIVO!