domingo, 24 de maio de 2015

Greve nas federais: quais as lições do movimento nacional de 2012?


ORC/FOB agitam  professores da rede básica pela democratização do sindicato e pela construção da greve geral (fev/15)

Diante da possibilidade de um novo movimento grevista nas universidades federais e em outros ramos de trabalho, é preciso o esforço de analisar greves passadas e delas tirar as lições para as lutas que se avizinham. Leia abaixo as posições e analises da Oposição CCI e da RECC sobre a greve nacional de 2012:

Oposição CCI protesta contra cortes na educação
As políticas de arrocho do governo federal e dos governos estaduais e distrital estão sacrificando os serviços públicos ainda mais e cortando direitos, penalizando sobretudo os trabalhadores terceirizados e os estudantes mais pobres que dependem das políticas de permanência. A construção da luta neste momento precisa levar em conta suas demandas como uma demanda coletiva na sociedade.

As greves não podem se fechar nas pautas corporativas das categorias, sob pena de isolamento. E o momento é de união. União das pautas e união as organizações nos locais de estudos, trabalho e moradia! Somente assim se edifica uma verdadeira GREVE GERAL contra as políticas de ajuste dos governos!

Ir ao combate sem temer!
Ousar lutar, ousar vencer!

terça-feira, 19 de maio de 2015

Boicotar o Congresso da UNE! Fora governismo do Movimento Estudantil!


 A UNE está prestes a realizar seu 54º Congresso. Será mais um Congresso de fachada, com cartas marcadas do início ao fim. A UJS (juventude do PCdoB) sairá novamente com a presidência e todos cargos majoritários. Tem sido assim por cerca de duas décadas, ininterruptamente. Fraudam eleições nas universidades, fraudam atas, tratam estudante como boiada para votar em suas propostas, sabotam os grupos diferentes, fazem do Congresso palanque de parlamentares e do governo e por aí vai.

Os Congressos da UNE são dependentes financeiramente do Estado, seja via verbas parlamentares, ministeriais ou de empresas públicas. Desafiamos a UNE a manter sua estrutura e realizar um único Congresso que seja sem verba dos cofres públicos! A UNE é sustentada por fora, e não pelos estudantes! Tal dependência e burocratização tem seu preço, e não se expressa apenas nos Congressos - que são, quase sempre, despolitizados e festivos. É o preço do aparelhamento político!

No dia-a-dia da entidade, sua política é refém das do governo, chegando a realizar campanha para o PT nas eleições de Estado. Não vemos a UNE realizando uma manifestação que possa mexer na imagem do governo petista. Ao contrário, é sempre solícita a defendê-lo, e junto defende seus pacotes de maldades e políticas neoliberais para o ensino! A UNE NÃO LUTARÁ: contra os cortes na educação e contra o ajuste fiscal, por exemplo!

O desserviço da UNE é tamanho para os estudantes, que os próprios grupos que se dizem "oposição" a direção majoritária não conseguem tocar por dentro da UNE lutas que vá de encontro à política governista, tendo eles mesmo que realizá-las em paralelas. Ainda assim, estes grupos insistem em legitimar a entidade, num sonho longínquo de - um dia, quem sabe - ganhar a direção da entidade. Trocar a "direção", resolve o problema? Acreditamos que não!

Enquanto isso, milhares de estudantes e centenas de coletivos independentes estão espalhados pelo Brasil sem uma capacidade de coesão e unidade. É preciso romper este localismo e avançar na construção de um movimento nacional de oposições e coletivos estudantis de base, organizado por local de estudo: de baixo para cima! Para isso, devemos iniciar o trabalho na reconstrução e união dos Centros Acadêmicos e no fortalecimento da democracia do movimento nas universidades (via assembleias de base) e na combatividade das lutas!

A UNE não presta para a luta dos estudantes. Perdeu toda sua independência política e financeira, se vendendo ao governos e empresas: atua de cima para baixo! Por isso, não legitime esta entidade falida. Na sua universidade, NÃO vote no Congresso da UNE! Politize o boicote! Politize a luta contra o governismo no movimento estudantil! Derrotar a UNE na base!

Reconstruir um movimento nacional de oposições!
Construir a greve geral contra os cortes do governo Dilma (PT-PMDB)! 

* * *

Para acessar mais materiais sobre a política da UNE, leia:

sexta-feira, 24 de abril de 2015

Acesso livre? Fim do vestibular? Que bicho é esse!?

  


domingo, 7 de novembro de 2010
 
domingo, 7 de agosto de 2011
 
quinta-feira, 21 de abril de 2011

segunda-feira, 13 de abril de 2015

Universidade pública e a sorrateira privatização

 

Publicamos abaixo texto produzido e lançado pela Chapa 3 "UnB aberta pra quebrada" durante eleições para DCE em 2014. O texto reflete integralmente a opinião da Oposição CCI. Em tempos de cortes na educação, políticas de austeridade e gastos sociais, é bom ficarmos atentos para as formas de privtização do ensino público. Boa leitura!!



Universidade pública e a sorrateira privatização


Ocorreu nesta terça-feira (06) o terceiro debate entre chapas para DCE. Entre tantos destaques, um nos chamou atenção. Ao ser indagada sobre o tema, a chapa 4 “Manifesta” (PT, PSOL, PSTU, Honestinas e adjacentes) foi categórica: “nós não somos contra financiamento privado da universidade pública nem contra empresas juniores“. No afã de ganhar votos, nem mesmo se deu conta de que sua roupagem deveria ser de uma chapa de esquerda – segundo ela própria, “O projeto alternativo à Aliança“. Mas se esqueceram do “bêabá” político: quem defende a privatização da universidade é a direita! Assim, sinalizam que a grande “oposição de esquerda” a Aliança não representa mais do que mudanças cosméticas no DCE. Redigimos a posição da chapa 3 “Unb aberta pra quebrada” sobre financiamento privado, fundações de apoio e empresas juniores para que não sobre dúvidas aos estudantes o que é de fato um projeto de universidade popular (e não privatizada!).


Hoje, muitos administradores, professores e estudantes reconhecem a iniciativa privada como solução dos problemas da pesquisa universitária. Reclamam da burocracia nas licitações e contingência de recursos. Mas não se fala que a proliferação das fundações privadas ditas de apoio coincide com a desobrigação do Estado de financiar e manter seus serviços públicos, a exemplo do ensino superior. Esta estratégia ganha corpo no fim da década de 80 e se desenvolve na década de 90 até os dias atuais, quando a maioria das fundações são cadastradas nos ministérios.

É a partir da contenção do financiamento das instituições públicas de ensino superior (corte de gastos para pagamento do superávit primário, por exemplo) que as fundações privadas surgem como “salvadoras da pátria”. Quer dizer, uma ação mesclada do Estado que, ao se desresponsabilizar do obrigatório sustento das universidades, as entrega de mãos beijadas à iniciativa privada, atropelando a função pública dessas instituições entregando suas estruturas a exploração privada. Ou seja, o poder político cria o “vácuo” e o poder econômico “surge” como única alternativa. Mas nada disso é natural ou imutável. É fato que a função publica da universidade e das suas respectivas sub instituições são alvo de precarizações para sua posterior substituição.

No caso das fundações privadas ditas de apoio, com a Finatec na UnB, estas acumulam uma série de problemas: se utilizam do corpo docente, espaço físico e credibilidade das instituições para desenvolverem pesquisas que, ao fim, reservarão o direito de propriedade intelectual para si (patentes); embora ilegal, há inúmeros casos de geração de lucro; ao concederem remuneração extra para professores, estes criam vínculo corporativo e defendem as fundações para fins particulares, esvaziando as reivindicações coletivas da categoria; ofertam cursos pagos nas instituições, mesmo sendo inconstitucional; captam recursos públicos e fazem sua gestão dispensando licitação, o que permite graves casos de desvio de finalidades ou subcontratação de atividades que não atendem as exigências; minoram recursos públicos que poderiam ser repassados à própria universidade.

Em suma, a mercantilização do conhecimento promovida pelas fundações privadas ditas de apoio compromete a liberdade acadêmica. Ela direciona a formatação de cursos, currículos, pesquisa e do corpo docente e administrativo, para atender aos interesses do mercado em detrimento dos anseios da maioria da sociedade.

Alguns setores, entre a “esquerda” e a “direita”, na ilusão de dominar a sanha empresarial, defendem o “controle social” das Fundações – composição de 50% + 1 na direção das mesmas pelo corpo universitário. Esta medida acredita poder moralizar e controlar o exercício das fundações. Na prática, porém, os aludidos “controladores” não podem sacrificar a engrenagem das fundações, sendo eles mesmo desmoralizados pela prática empresarial. Este controle social não passa de um “cosmético de esquerda”.

Por isso o movimento estudantil e sindical deve lutar articuladamente para viabilizar 1) a ampliação do recursos públicos geridos diretamente pela nossa fundação pública – a FUB, 2) bem como a democratização de sua gestão; 3) pressionar pela melhoria do serviço público, com contratação e treinamento de pessoal, dando celeridade para atender demandas de recursos para pesquisas; 4) cancelar os vínculos com fundações e empresas privadas, resgatando todo patrimônio (intelectual e físico) obtido as custas da UnB; 5) travar um forte combate ideológico contra o empreendedorismo, exemplificado pelas empresas juniores, defendendo as consultorias populares nos cursos como alternativa para a aplicação da ciência, técnicas e conhecimento. Nem fundações, nem empresas privadas são filantrópicas: seu objetivo é privatizar os potenciais da universidade. E as empresas juniores reproduzem esta ideologia pro-mercadológica. A universidade, porém, deve atender ao povo trabalhador, e não aos interesses mercantis. Fora parasitas!

Fora fundações e burguesia da UnB!
Por uma universidade popular, a serviço da classe trabalhadora!

quarta-feira, 8 de abril de 2015

Pelo combate ao liberal-pragmatismo da gestão do DCE! DCE é pra lutar!

É sempre bom relembrar: atuação em 2011 da Chapa 7 “Democracia e Ação Direta”
Eleições do DCE de 2011!!! Logotipo da “Chapa 7″

Em 2011, a Oposição Estudantil C.C.I.  se engajou na “Chapa Democracia e Ação Direta” para eleições do DCE. Desde antes, e de lá para cá, continuamos lutando cotidianamente, mesmo aqueles que se formaram na UnB hoje atuam no movimento sindical ou popular. Acreditamos que os ensinamentos daquele momento permanecem válidos ainda hoje, devemos reaprender. Sobretudo pois foi o ano que marcou a primeira vitória do grupo liberal-pragmático Aliança Pela Liberdade, que destruiu o movimento estudantil na UnB. Assim, vale a pena retomar o que foi dito na época. E continuar hoje o combater programático-organizativo pela democracia, classismo e combatividade no movimento:

Corporativismo, apoliticismo e apartidarismo


Muito se argumenta, durante o período eleitoral do DCE, que parte expressiva do movimento estudantil centra sua atenção em assuntos externos à universidade, alheios às mais prementes demandas estudantis e aos interesses particulares da universidade. O distanciamento entre as demandas pragmáticas e as pautas do movimento se agravaria, costumam dizer, pela intromissão de partidos políticos que instrumentalizariam o movimento estudantil para realizar seus fins particulares.


Por trás de tal visão, reside um profundo corporativismo acerca da natureza e limites da luta estudantil. Não é possível, no entanto, separar problemas da educação de uma realidade social mais ampla, que produz as condições, os meios e os fins do sistema educacional. Não há visão mais ingênua do que crer que as contradições da UnB não correspondem a uma expressão particular das contradições sociais às quais estamos submetidos. Desse modo, por trás de problemas aparentemente triviais existe uma longa cadeia de conflitos sociais que determinam o modelo educacional existente. Engajar-se nesses conflitos significa, de igual modo, engajar-se pela defesa da educação pública.
Vistos de um panorama mais amplo, portanto, não há um conflito entre as lutas “externas” e demandas específicas e pragmáticas. Não se engaja em lutas mais amplas em detrimento das lutas setoriais – pelo contrário, são nas lutas mais gerais que se realizam de forma plena, universal, nossas lutas contra a precarização cotidiana com a qual convivemos.

Contra o apartidarismo, podemos dizer que não se faz política no vácuo. Mesmo estudantes que crêem se engajar de modo apartidário acabam, no curso prático de suas atuações, por endossar uma visão política-ideológica qualquer, encontre ela referência partidária ou não. A existência de correntes políticas organizadas não esvazia o movimento, como costuma dizer, mas sim o enriquece – é por meio do conflito entre visões divergentes que se dá o processo dialético de construção de uma atuação política mais ampla e efetiva. Parte da aversão dos estudantes por partidos se dá não pela existência dos partidos em si, mas pela atuação destes, em especial na subordinação dos interesses do movimento aos fins eleitorais burgueses que almejam. Nós da Chapa Democracia e Ação Direta repudiamos veementemente a submissão do M.E. às instâncias políticas do Estado capitalista através de seu uso eleitoral, mas não somos contrários à existência de organizações políticas e partidos não-eleitorais que façam uma disputa política no rumo do movimento.

A Ação Direta


O método de luta compatível com um programa classista e combativo é a Ação Direta. O que pretendemos dizer com Ação Direta? Sucintamente significa tomar o destino nas suas próprias mãos, não o delegando a terceiros. Na luta de classes, a Ação Direta diz respeito a atuações política da classe trabalhadora exercida através da democracia proletária e não sendo mediada pelo parlamentarismo “democrático” do Estado capitalista.

É por meio do seu protagonismo que estudantes e trabalhadores são capazes de transformar sua própria realidade e a sociedade que os circundam. Isso não significa que a Ação Direta seja um fim em si mesmo, mas sim que é um método privilegiado de luta, que exerce a solidariedade entre os oprimidos e que rompe com os limites da ação política imposto pelo Estado.

Dentro da UnB, um dos meios utilizados pela Reitoria para desmobilizar os estudantes, quando apresentamos determinada reivindicação, é através de mesas/comissões de enrolação ou audiências públicas. Estas buscam conciliar posições contrárias e na maioria das vezes as demandas estudantis simplesmnete não são atendidades. A última gestão governista do DCE foi também uma das principais patrocinadoras destes meios burocráticos que não trazem avanço para as lutas. Os estudantes da FCE quando ocuparam a Reitoria mostraram o poder da Ação Direta.

Democratização do ensino superior e luta de longo prazo


Se o movimento estudantil pretende romper o corporativismo e ver-se enquanto agente de transformações sociais mais amplas terá que necessariamente articular suas pautas mais imediatas com uma visão geral sobre o modelo de educação que pretende construir. E não há outro sentido que o curso das lutas estudantis deve tomar que não seja o da democratização do ensino superior.

O Movimento Estudantil deve visualizar, em cada uma de suas lutas específicas, um encadeamento prático e lógico que leva a um crescimento qualitativo e quantitativo de sua atuação em direção à universalização do ensino superior público. Isso não significa que um DCE pode implementar o fim do vestibular em uma data específica, mas sim que pode dar um encaminhamento de suas lutas nessa direção. É o devir do movimento estudantil da nossa geração se engajar nessa tarefa histórica. Caso nós não o façamos, estaremos andando em círculos, subtraindo do M.E. qualquer capacidade transformadora revolucionária.

Atualmente o ensino superior no Brasil exclui a grande maioria da juventude brasileira, onde apenas cerca de 15% dos jovens entre 17 e 24 anos estão nas universidades e faculdades (privadas ou públicas). Ou seja, a grande massa do povo trabalhador e seus filhos que sustentam através de seu trabalho e impostos a nação brasileira estão excluídos desta esfera de ensino. Em nossa visão o ensino superior não deve ser um privilégio e sim um direito e deveria ser democratizado através do fim do vestibular, já que cotas são positivas, porém limitadas. Outros países como a Argentina mostram que esta realidade é possível.

Não podemos também nos imobilizar em virtude de problemas técnicos referentes ao fim do vestibular. Precisamos confluir nossas diversas lutas no sentido do fim do vestibular. As condições técnicas e orçamentárias que tornarão isso possível não nos são possíveis saber de antemão; elas apenas serão factíveis no desenlace das nossas mobilizações.

Nossa proposta de luta se refere a uma estratégia de longo prazo que não pode ser implementada imediatamente. Propomos um norte que guie nossas lutas cotidianas. Contra todos aqueles absorvidos no pântano do comodismo, da “briga por esmolas”, e do “imediatismo pragmático”, respondemos: nosso caminho é longo, árduo e duro – mas é o caminho da luta, e não o da resignação.

sexta-feira, 3 de abril de 2015

POR UM NOVO MOVIMENTO ESTUDANTIL: Construir as Oposições nos locais de estudo

 

POR UM NOVO MOVIMENTO ESTUDANTIL: Construir as Oposições nos locais de estudo


O período de eleição de um Grêmio Estudantil, Centro Acadêmico (CA) ou Diretório Central dos Estudantes (DCE) é quase sempre acompanhado por certo entusiasmo das chapas e maior interesse político dos estudantes. Apesar disso, diferente do que muitos pensam e fazem, a construção do Movimento Estudantil (ME) não se resume ao período eleitoral e nem tem neste seu momento mais importante. Pretendemos com este artigo discutir alguns equívocos, vícios e politicagem que impregnam o ME e sugerir a importância daquilo que chamamos de “Política de Oposição” para a construção de um novo ME.

A Política Eleitoreira


A política eleitoreira é uma velha conhecida do povo. Em resumo, é o vale-tudo para se vencer determinadas eleições. Bastante praticada nas eleições estatais, ela também é reproduzida no interior do Movimento Estudantil, sobretudo pelos próprios partidos eleitorais – mas não somente e nem necessariamente. A política eleitoreira pode ser definida também como um “parlamentarismo estudantil”, e leva sempre a um fim imediato: uma entidade estudantil fraca e superestrutural, que não atende aos interesses da luta coletiva.

Visto a “olho nu”, a principal característica dos grupos e militantes que praticam a política eleitoreira é a contradição entre seu entusiasmo “político” nos períodos eleitorais e seu “sumiço” no restante do ano. Durante eleição, acordam cedo e aparecem colando cartazes, distribuindo panfletos ou passando em salas pra ganhar nosso voto, mas difícil é vê-los com o mesmo entusiasmo antes das eleições, e pior, às vezes nem mesmo os vemos depois de vencê-las. Também assumem característica burocrática, quer dizer, só os vemos “lutar” na internet, nas mesas de negociação ou nos ofícios entregue junto às autoridades.

Alguns grupos eleitoreiros tentam se autojustificar. São aqueles que falam quase que tão somente em “crise de direção” ou de nossa “representação” em outros espaços. O problema é que acabam confundindo direção com diretoria e representação com participação. Para nós, diretoria e representação significam apenas cargos oficiais de determinada entidade e suas opiniões, votos ou assinaturas em outros espaços; direção e participação significam o sentido do movimento real para onde caminha o conjunto de estudantes daquela entidade, é portanto ação e vontade democrática e coletiva.

Mas os parlamentaristas agem como se, ao vencerem as eleições de uma entidade, estivessem solucionando o movimento real dos estudantes. E querem este “aparato” a todo custo. Assim, nos iludem para se iludir que estão avançando politicamente, na melhor das hipóteses; e na pior, nos iludem de má fé para poderem dar projeção política aos seus interesses exclusivos, com a possibilidade de sentarem em mesas de negociações com autoridades de nossas escolas ou dos governos, para acumularem assinaturas em panfletos, para ter votos em entidades falidas (como a UBES, UNE e ANPG), ou para autolegitimarem outras entidades forçosamente criadas (como a ANEL). Fazem da crise de direção mera “crise de diretoria”. Não passam de “aparatistas”.

A Política de Oposição


A Política de Oposição levada à frente pela RECC condena estas práticas. A primeira diferença é sua ação permanente, quer dizer, sua incidência no dia a dia do local de estudo e não somente um esforço concentrado nos períodos eleitorais. Assim, um grupo de Oposição não se reduz a uma “chapa de oposição”, pois isto reforçaria a política eleitoreira. Nos opomos não a uma gestão específica, mas à concepção parlamentarista de Movimento Estudantil.

Construímos uma Oposição para criar um foco de referência e aglutinação combativa dos estudantes que queiram reorganizar o ME de baixo para cima. Isso também significa ir acabando com o estranhamento dos estudantes ao próprio ME. A Política de Oposição se define, portanto, como um trabalho de base, de formiguinha, de buscar uma organização estudantil solidificada em cada local de estudo. Deixar a prática de fazer “pelos estudantes” para fazer “com os estudantes”.

Ainda assim, as eleições podem e devem ser disputadas, mas não como uma estratégia permanente e sim como ação tática. E como toda tática, é uma opção flexível à conjuntura. A estratégia maior que orienta nossa tática é o fim da subordinação da educação ao mercado, e, portanto o fim do capitalismo e seu Estado. É necessária uma sólida organização de massas para este enfrentamento. Uma Oposição pode, fora da diretoria de uma entidade, provocar esta direção de luta, mas não se esquece de que deve resolver outra crise que nenhuma diretoria em si resolve – a crise de organização, pois as formas de interação coletiva e os métodos de luta têm peso decisivo para nossas vitórias.

O novo nasce da negação


Para construir um novo ME, precisamos rejeitar as práticas eleitoreiras e parlamentaristas em seu interior. Já basta de protodeputados usando nossas entidades como trampolins eleitorais para suas carreiras políticas. Já basta de miniburocratas que usam estrutura, verba e assinatura das nossas entidades para se autolegitimarem, alheios à vontade da base. Isto não é Movimento Estudantil. A massa estudantil precisa lutar contra a precarização do nosso ensino e a consequente precarização de nossa força de trabalho. Precisamos derrotar o projeto capitalista que lucra sobre a educação e explora nosso trabalho e para tanto precisamos de uma luta classista e combativa, através da união e organização pela base. Por isso convocamos todos os estudantes do povo a construírem a RECC através das Oposições por local de estudo!

Nem UNE governista e nem ANEL burocrática!
Reconstruir o Movimento Estudantil Nacional através das Oposições Por Local de Estudo!

segunda-feira, 30 de março de 2015

PM? Não, obrigado! Fora repressão!

Publicamos abaixo texto produzido e lançado pela Chapa 3 "UnB aberta pra quebrada" durante eleições para DCE em 2014. O texto reflete integralmente a opinião da Oposição CCI. Boa leitura!!

 

Em tempos que setores de extrema-direita vem a público querendo a volta do regime militar no Brasil, é preciso ter clareza sobre o papel desempenhado pelo militarismo, mesmo em tempos "pós-ditadura". Existe ainda hoje um continuísmo do regime que sobreviveu pela manutenção de leis durante a reformulação da Constituição de 1988 e nos subterrâneos do aparelho repressivo de Estado, a exemplo da ABIN, antigo SNI. E no plano "sensível, é a lei do cassetete e da bala de borrachada polícia o poder de sustentação do regime capitalista. Vivemos, enfim, uma ditadura velada, que mata a juventude pobre e negra nas periferias, encarcera e tortura. Na verdade, a virada da ditadura para uma democracia burguesa não passou de um transação negociada que garantiu privilégios aos militares e reacionários.


* * *

PM? Não, obrigado! Fora repressão!

O debate da polícia no campus precisa ser enfrentado diretamente. Eis a postura da chapa 3 “UnB aberta pra quebrada” a respeito do tema. Boa leitura e aguardamos o debate!


A desigualdade de classes da sociedade funda a ganância e a violência, que se reproduz no interior das universidades. Não ocorrem roubos, sequestros e assaltos por excelência e exclusividade na UnB. Seu padrão de ocorrência, entretanto, pode seguir tendencialmente um perfil: concentração de crimes contra a propriedade nas zonas de maior concentração de renda.  E a universidade apresenta este “atrativo”, por ser ainda elitizada. O “mapa da criminalidade” da gestão da Aliança pela Liberdade confirma: a maioria da “violência” é contra propriedades, e – felizmente – não contra pessoas. Contraditoriamente, muitos adeptos da ideia de PM no campus rejeitam a presença do Detran por identificarem estes como limitantes da “liberdade” de locomoção com seus veículos particulares – um ultra egoísmo.

Reivindicar a PM no campus é enxugar gelo. Ou seja, a desigualdade de classes é produtora de delitos; e agir sobre delitos é agir contra a consequência, estendendo a causa. A polícia age, por excelência, reprimindo os delitos, especialmente crimes contra a propriedade e a ordem institucional – seja ela qual for. Manter a “ordem pública” é manter a opressão política e a exploração econômica do “homem pelo homem”, causa da violência primeira em nossa sociedade. A função da polícia, portanto, é restrita, senão nula ou contrária a própria liberdade e segurança dos indivíduos e grupos de “minoria”. Registra-se, por exemplo, que a polícia brasileira domina os ranking das mais violentas do mundo. Operam assassinatos e toda sorte de abuso de poder, especialmente nas periferias e contra seus membros identificados em outros espaços urbanos. Os recentes casos de assassinatos de Amarildo, Antônio e Cláudia são reincidentes diários.

A pequena burguesia, ou de renda média, literalmente compra a ideia do enclausuramento, pois por ele pode pagar. Quanto mais grades, muros, câmeras, catracas, seguranças particulares e policiais, em tese, menos suscetível a violência está. Se preocupa exclusivamente com seus bens ou ideal de propriedade, enquanto se desresponsabiliza da sociedade que o cerca. Mas ao virar as costas para as causas da criminalidade, se tornam co-responsáveis pelos crimes. O povo continua refém da insegurança causada pelas contradições do capitalismo – a exemplo do tráfico etc. –, mas não pode pagar por segurança nem contar com a polícia em vários casos.

As Jornadas de Junho demostraram o papel da polícia em última instância: salvar o Estado e o capitalismo contra as rebeliões populares. Toda forma de especialização para reprimir está sendo viabilizado em função dos megaeventos e megaobras, como a Copa e a hidrelétrica de Jirau. Técnicas, armamentos, “carta branca” jurídica e apelo midiático: o povo é colocado por antecipação como inimigo interno em potencial, pouco importando seus interesses. A repressão age muitas vezes a esmo, mesmo contra manifestações pacíficas. A polícia trabalha como uma herdeira da ditadura no submundo da democracia burguesa, impondo a lei do “porrete”.

Ser contra a polícia no campus não é ser contra a paz. Absolutamente, não! A proposta da criação de um batalhão universitário, por outro lado, manteria o status superior de tratamento que supostamente merece o ser “acadêmico” diferentemente dos reles mortais. Na universidade, imediatamente, precisamos reivindicar 1) um plano de ocupação dos campi, com valorização de uso dos espaços vazios (áreas recreativas, de estudo, de esporte etc.), 2) corte do mato alto, 3) projeto de calçamento, 4) reforma na iluminação, 5) ampliação do transporte, 6) treinamento da segurança para além da guarda patrimonial e 7) construção de comitês de auto-defesa (de mulheres e homossexuais, por exemplo). Mas, sobretudo, é preciso mesclar UnB e periferia, através da 8) extensão universitária e 9) do acesso livre na UnB, e não torna-las antagônicas, quase inimigas como é hoje. Negar a polícia no campus é, enfim, entender que polícia é sinônimo de guerra: são os soldados do Estado capitalista para conter seu inimigo interno, o povo. E nós declaramos guerra contra a guerra! Pois queremos a paz, justiça e liberdade para todas as quebradas! Fora PM do mundo!

Recua polícia, recua: é o poder popular que está na rua!
Por uma UnB aberta pra quebrada!

quarta-feira, 25 de março de 2015

Documentário: Calabouço 1968 - um tiro no coração do Brasil

Nesta semana que completa 47 do assassinato de Edson Luis pela ditadura civil-militar no Brasil, indicamos um excelente documentário que contribui na formação histórica do movimento estudantil brasileiro ao resgatar a memória de nossas lutas.

 
NÃO ESQUECEMOS E NÃO PERDOAMOS!
DITADURA NUNCA MAIS!
PELO FIM DO MILITARISMO!



SINOPSE
Calabouço 1968 - um tiro no coração do Brasil é um documentário sobre a morte do estudante Edson Luís no restaurante estudantil Calabouço.

Na tarde do dia 28 de março, o local estava repleto de estudantes, na maioria secundaristas, que reivindicavam a conclusão das obras do restaurante e melhorias na alimentação, quando foram reprimidos com violência pela Polícia Militar. Um tiro dado à queima roupa matou o jovem estudante Edson Luís, cujo corpo foi velado na antiga Assembleia Legislativa, que funcionava onde hoje é a atual Câmara de Vereadores, na Cinelândia, no centro do Rio.

Calabouço 1968 - Um tiro no coração do Brasil é ponto de partida para reflexões sobre todo o período da ditadura militar até a redemocratização e as manifestações de rua dos dias atuais.

O “Calabouço”, restaurante central dos estudantes, foi o cenário onde se desenrola o estopim das grandes manifestações estudantis que abalaram a ditadura instalada em abril de 1964 no Brasil.



Ficha técnica completa

Título                        Calabouço - 1968, um tiro no coração do Brasil (Original)
Ano produção           2014
Direção                    Carlos Pronzato
Estreia                      28 de Março de 2014 ( Brasil )
Duração                    59 minutos
Gênero                      Biografia, Documentário, História
Países de Origem      Brasil

domingo, 22 de março de 2015

28 de Março: Dia Nacional de Luta dos Estudantes


28 de Março:

Dia Nacional de Luta dos Estudantes



(assista ao vídeo de 2 min: 28 de Março - Dia de Luta dos Estudantes)



28 de Março é celebrado o Dia Nacional de Luta dos Estudantes. Esta data homenageia o secundarista Edson Luís de Lima Souto que em 1968 foi assassinado com tiros a queima roupa pela Polícia Militar, no Rio de Janeiro. Fora o primeiro estudante que tombou morto diante da ditadura. Ele participava de um ato no restaurante estudantil Calabouço, foco de grandes mobilizações, reivindicando melhorias na alimentação, diminuição no preço e o término das obras do local. A PM adentrou o restaurante metralhando indiscriminadamente, deixando vários feridos e outros mortos, como o estudante Benedito Frazão Dutra, que faleceu dias depois.

Velório de Edson Luís


O corpo de Edson Luís foi levado imediatamente pelos próprios companheiros para ser velado na Assembleia Legislativa, e depois por cerca de 50 mil pessoas para ser sepultado. Nem sua missa de 7º dia foi poupada, onde os militares voltaram a atacar os presentes na igreja da Candelária, deixando outros feridos. A morte de Edson Luís gerou comoção e revolta nacional. Organizaram-se nos meses seguintes combativas passeatas e greves gerais com milhares de pessoas em mais de 20 cidades em todo Brasil, às quais tiveram mais presos, feridos e outros mortos pela ditadura.

Em decorrência desta data, e em 2015 ano completando 47 anos de seu assassinato, a RECC todos os anos faz questão de manter viva a memória do camarada Edson Luís. E de todos aqueles que foram perseguidos, torturados ou assassinados enfrentando a sanguinária ditadura civil-militar da burguesia. Convocamos os estudantes do Brasil para celebrarem a data, realizando em suas escolas e cidades atividades na semana do dia 28 de Março. Não podemos permitir que apaguem nossa história e nossa luta, tal como assassinaram nossos camaradas. O esquecimento é a morte. A luta é a vida.

Em memória e justiça aos mortos pela ditadura!
Não esquecemos nem perdoamos!
O companheiro Edson Luís vive!

sexta-feira, 20 de março de 2015

Quem influencia o “apartidarismo” da Aliança pela Liberdade?

Publicamos abaixo texto produzido e lançado pela Chapa 3 "UnB aberta pra quebrada" durante eleições para DCE em 2014. O texto reflete integralmente a opinião da Oposição CCI. Boa leitura!!

Fora liberais-pragmáticos!

 

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Quem influencia o “apartidarismo” da Aliança pela Liberdade?

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A “Aliança pela Liberdade” se apresenta como apartidária, plural e preocupada com as demandas do dia-a-dia da universidade, ditas técnicas ou operativas. Opõem-se ao que classificam como pautas externas, vistas como ideológicas e ilegítimas. Ela se coloca, assim, como que “neutra politicamente”. Entretanto, entre os membros da “Aliança”, dentre os quais alguns fundadores, há pessoas que fazem parte da rede estudantil internacional “Estudantes pela Liberdade”. Esta rede tem como referencial teórico-ideológico o liberalismo político e econômico, a exemplo da escola austríaca de economia, posição acessível no sítio da entidade (www.epl.org.br). A rede “Estudantes pela Liberdade” possui um verdadeiro manual para organizar os estudantes e uma forte coesão teórico-ideológica, a qual não é vista nem mesmo entre determinados partidos políticos (!). Possuem forte relação com institutos acadêmico-políticos de viés liberal, a exemplo do instituto Mises, o Mises Brasil, o instituto Millenium, entre outros.

A questão é, qual motivo leva a “Aliança pela liberdade” camuflar sistematicamente sua estreita relação com grupos de igual ou maior influência que partidos políticos? O que faz um militante do grupo “Estudantes pela Liberdade”, que possui forte coesão ideológica e um projeto liberal de sociedade, atuar no interior da “Aliança” se não vê neste a possibilidade de orientar ou ter contemplado suas respectivas posições políticas?

Responde a “Aliança” que ela possui independência interna frente a referida rede internacional e seus institutos, que sua posição não segue um projeto liberal e que se pautam exclusivamente pela demanda dos estudantes da UnB etc etc. Ora, estão tentando subestimar nossa inteligência. A defesa da iniciativa privada, da terceirização, da meritocracia, do empreendedorismo é a própria posição liberal, que não é consenso entre a “pluralidade” que alegam defender. A “Aliança” se projeta na UnB aproveitando da forte recusa ao modos operandi oportunista dos partidos eleitoreiros no Brasil. Mas organizações como o Instituto Millenium não precisam disputar eleitoralmente as eleições estatais para ter influência sobre governos, empresários e o próprio movimento estudantil. O modus operandi destas organizações supracitadas se revela audacioso e desleal: orientando politicamente distintas frentes da sociedade, em cada qual aparentam possuir um projeto corporativo ao setor, porém todos estes coordenados pela “intelectualidade orgânica” liberal para forjar as bases de seu projeto global que é – como dizem – o “capitalismo selvagem”.

Os que dizem querer pensar somente a universidade imediatamente acabam por deixar “intacta” (na melhor das hipóteses) a ordem social desigual que cria, mantém e para a qual se destina a própria academia. Ideologicamente, servem ao “partido da burguesia”, por mais que se digam apartidários. Nós da chapa 3 “UnB Aberta pra Quebrada” não somos contrários à articulação entre chapas e “outros grupos” – nossas relações externas e nosso projeto são ditos abertamente. Criticamos política e metodologicamente a relação com partidos eleitorais ou quaisquer grupos defensores do status quo. Apesar da ferrenha oposição que fazemos a submissão do movimento estudantil às instâncias políticas do Estado capitalista através de seu uso eleitoral, não somos contrários à existência de organizações políticas e partidos não-eleitorais que façam uma disputa política no rumo do movimento. Antes de sermos levados por ideias fáceis e cultivadas pelo senso comum, é dever do estudante pesquisar, criticar e opinar. Este é o motivo que nos leva ao combate incessante contra o modo de produção capitalista. Estudantes do povo, agremiem-se conosco! 

“Estamos convencidos de que liberdade sem socialismo é privilégio e injustiça, e que socialismo sem liberdade é escravidão e brutalidade”. Mikhail Bakunin.

quarta-feira, 18 de março de 2015

Governador Rollemberg e Reitor Ivan Camargo (UnB) são recebidos com protesto por estudantes durante cerimônia oficial de recepção dos calouros

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Oposição CCI protesta contra cortes e calotes na educação realizados pelos governos distrital e federal. Ao fundo, Governador Rollemberg falava de sua “trajetória socialista na universidade” (sic)

Durante a Recepção oficial de calouros pela Reitoria da UnB, no Centro Comunitário dia 13/03/15, a Oposição CCI realizou agitação e propaganda. Militantes e apoiadores distribuíram o boletim “O GERMINAL” (nº 35) aos recém ingressos na universidade. Durante falas de membros da Reitoria e da gestão liberal-pragmática do DCE, uma faixa foi exposta contra os recentes cortes (ou “calotes”) na educação que partiram do MEC e do GDF, sob a direção de Dilma (PT/PMDB) e Rollemberg (PSB), respectivamente. O GDF mantém atrasados o pagamento de direitos dos professores da rede pública básica e o governo Dilma efetuou um corte de 7 bi anual na pasta da educação.

Protesto pela manutenção dos "permissionários" marca celebração oficial da REItoria
Protesto pela manutenção dos “permissionários” marca celebração oficial da REItoria
O momento auge ocorreu antes do pronunciamento do governador Rollemberg. Cerca de 50 estudantes tomaram a cena e realizaram um protesto contra a retirada dos comerciantes permissionários das zonas centrais do ICC, principal prédio do campus Darcy da UnB. O protesto, ainda, criticou a gestão do DCE e da Reitoria em seus conchavos e políticas pró-privatização e elitização da universidade.

O GERMINAL nº 35 - Março de 2015

 

O GERMINAL

 

Boletim da Oposição Estudantil C.C.I. – Filiada à RECC/FOB

www.oposicaocci.blogspot.com | oposicaocci@riseup.net
Ano VIII – Edição Nº 35 – Março de 2015 – Desde 2007, na luta pela Universidade Popular!


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Leia a versão em pdf. CLICANDO AQUI.


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Vida nova, novas lutas… Sejam Bem vindos!


Desejamos as boas vindas  aos calouros que entraram para a Universidade de Brasília este ano! Vocês encontrarão muita novidade pela frente, muitas portas estarão abertas e muito conhecimento acessível ao alcance de vocês!

Para muitos um sonho que se realiza, para a maioria a negação do estudo e da possibilidade de encontrar um futuro emprego mais qualificado. Vitória para quem entrou, mas nem tudo são flores do lado de cá. Este ano entramos já com paralisação dos terceirizados que não receberam do Governo estadual, e uma possível greve nacional dos técnicos e servidores administrativos da UnB.

Fora isso, nos deparamos com todas as eternas dificuldades enfrentadas pelos estudantes de baixa renda, na luta por moradia, assistência estudantil, respeito. Muitas possibilidades se abrem quando entramos para uma universidade federal, mas devemos lembrar que nossos direitos foram adquiridos através das lutas que estudantes – como Honestino Guimarães, Ieda Santos Delgado e Paulo de Tarso Celestino – e servidores desta universidade travaram antes de nós. Mas  ainda há muito o que fazer, e não podemos retroagir em nossa luta!

Convidamos todos os calouros a engajarem-se no movimento estudantil da UnB, participarem, opinarem e fazerem avançar a luta por nossos direitos e também conhecer e juntarem-se à nossa organização, a Oposição CCI aos DCE da UnB, para lutarmos por um ensino gratuito,de qualidade, universal e popular. 

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Construir os Comitês de Autodefesa de Mulheres e Defender a Luta Histórica contra o Machismo!


Comitê de Autodefesa de Mulheres da UFMS torna-se referência na luta contra o machismo: https://www.facebook.com/comiteautodefesaufms?fref=photo

Vivemos em uma sociedade de cultura machista e uma estrutura de classes, onde a classe dominante oprime a classe dominada e impõe um cotidiano de violência, desprezo, exploração e humilhação as mulheres, principalmente as trabalhadoras, negras e indígenas.

O estado – e todo o seu aparato jurídico e militar – em nada contribuem para a real emancipação da mulher, pois a legislação e as políticas de amparo são apenas alegorias do “estado democrático de direito” sem real eficácia. Mas de qual maneira as mulheres podem se armar contra esse sistema de exploração-opressão? Construindo a sua autodefesa!

Foi em 8 de Março de 1857 que mulheres operárias foram queimadas numa fábrica em Chicago, por reinvindicar além de melhores condições de trabalho e salário, a igualdade de ambos aspectos frente aos companheiros de chão de fábrica. Estas companheiras empenharam suas forças pela libertação de gênero e de sua classe e é essa herança de lutas a qual não deixaremos ser apagada!

Nacionalmente temos construído os comitês de autodefesa de maneira independentes e voltados para estudantes e funcionárias/os, partindo  da necessidade de organizar e preparar as mulheres para lutar contra a violência machista, de raça e de classe. Os comitês vem promovendo treinos para as participantes e realizando  debates diversos sobre temas correlatos. Os comitês de autodefesa nesses moldes já vem ocorrendo em diversos lugares do Brasil como na UFRRJ, UFMS, UNESP, UFG e UFC..  Esta iniciativa se faz necessária também na  UnB!

Solidariedade de classe para combater o machismo! Mulheres na linha de frente pela emancipação integral da classe trabalhadora!

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Em tempos de “arrocho” geral, a resistência coletiva é a única saída


Professores da Oposição de Resistência Classista protestam contra cortes na educação durante assembleia do Sinpro-DF (fev/2015)
Professores da Oposição de Resistência Classista (ORC/FOB) protestam contra cortes na educação durante assembleia do Sinpro-DF (fev/2015)


O ano de 2015 começou com um verdadeiro estelionato. Eleita com a promessa de “não atacar direitos trabalhistas e sociais”, o governo de Dilma (PT/PMDB) faz exatamente o oposto: dificultou acesso ao seguro desemprego, abono salarial, pensão por morte e auxílio doença (MPs 664 e 665). Venderam “tucano” por lebre!

Na educação, a demagogia do governo não poupou esforços. Logo após anunciar o (enganoso) lema “Brasil: pátria educadora”, lançou também um corte de verba, onde o Ministério mais afetado será justamente o da Educação. A previsão é de cortar R$ 7 bilhões de seu orçamento anual. Este “ajuste fiscal” já gera impactos negativos.

Desde janeiro o MEC suspendeu o repasse de 30% da verba às universidades. Em diversas instituições, e também na UnB, bolsas de estudo e permanência foram atrasadas, oferta de vagas nos programas de assistência estudantil não acompanharam o aumento da demanda e trabalhadores terceirizados sofrem com o atraso de salários e ameaça de demissão.

Para piorar, o aumento do custo de vida sobe absurdamente. O aumento da luz, da gasolina, do supermercado, do aluguel anulam o pífio aumento do salário mínimo de 8,8%. No DF, o aumento da conta de água é a mais caro em 10 anos. E o governo Rollemberg (PSB) ainda ameaça aumento de tarifa no transporte.

Com medo de que os danos da crise capitalista cheguem no Brasil, os governos jogam a conta nas costas dos trabalhadores e estudantes. Mas esta conta não é nossa! E nós não vamos pagá-la! Aos estudantes trabalhadores, filhos de trabalhadores e que dependem dos programas de permanência, tempos de “vagas magras” se anunciam! Na universidade e nas ruas, só nos resta resistir e lutar!

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A “REI”toria de Ivan Camargo: uma pedra no caminho…


Ocupação da Reitoria da UnB em 2014. Todos os partidos e grupos reformistas debandaram. A ocupação foi mantida por estudantes e grupos independentes e combativos e que alcançaram o arquivamento dos processos administrativos!

A UnB é dirigida pela equipe de Ivan Camargo desde 2012. Sua gestão vem sendo alvo constante de conflitos com os estudantes e terceirizados. Vamos recapitular alguns episódios:
  1. No início de 2013, aprovou as “Regras de Convivência” que colocou na ilegalidade a realização autônomas de festas e eventos acadêmicos pelos estudantes;
  2. No 2º semestre de 2013, Ivan Camargo solicitou reintegração de posse da sala BT 260 ocupada por estudantes que reivindicavam assistência, efetivado pela Polícia Federal;
  3. Ainda em 2013, reativou do Conselho Diretor da FUB, órgão por onde passou os esquemas de corrupção do ex-reitor Timothy Mulholland que só caiu após a ocupação da reitoria em 2008;
  4. Durante sua gestão, centenas de trabalhadores(as) terceirizados foram demitidos ou perseguidos politicamente. Terceirizadas foram demitidas ilegalmente pelas empresas por estarem grávidas, sob a conivência da Reitoria;
  5. No 1º/2014, o Restaurante Universitário aumentou de R$ 5 para R$ 10 o valor da refeição à comunidade externa. Em paralelo, abriu uma seção “gourmet”, discriminando os usuários mais pobres;
  6. Também em 2014, Ivan Camargo abriu processo administrativo e ameaçou com processo civil e criminal 8 estudantes que participaram de “catracaços” no RU. Ao ocuparem a reitoria para arquivar os processos, os estudantes – que saíram vitoriosos – sofreram ameaça de reintegração de posse e corte de energia;
Estes episódios indicam o que foi e o que será a gestão Ivan Camargo: autoritária, repressora, elitista e privatista! Chega de “lero-lero”, daqui pra frente é só ação direta!

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O que é a Oposição CCI?


A Oposição Combativa, Classista e Independente ao DCE-UnB surge em 2007. Ela não se opõe a uma gestão de DCE em particular, mas ao parlamentarismo estudantil como um todo. A CCI é uma organização de base com o objetivo de lutar pelas demandas básicas dos estudantes. A longo prazo lutamos pela construção de uma Universidade Popular, onde o povo tenha acesso livre e o conhecimento produzido seja voltado aos interesses do mesmo. Para isso acreditamos que é necessário reorganizar o Movimento Estudantil sob as bandeiras da ação direta, da unidade com os trabalhadores e de um programa anti-governista. Possuindo militantes em diversos cursos, nos organizamos nacionalmente através da RECC (Rede Estudantil Classista e Combativa) e do FOB (Fórum de Oposições pela Base).

Lutar para estudar, estudar para lutar!


segunda-feira, 17 de novembro de 2014

[evento] Questão de gênero: emancipação e autodefesa das mulheres



O evento "Questão de gênero: emancipação e autodefesa das mulheres" pretende debater o inquietante elo entre o imediato e o histórico na questão da emancipação feminina. Para tanto, convidamos representantes da UnB e da UFMS para mediar este debate. Trata-se de assunto polêmico, no que vale o esforço de pensarmos as ações individuais e coletivas do "hoje" e do "amanhã", as relações nos ambientes públicos e privados, de homens e de mulheres, enfim, na sociedade. Como atuar nos âmbitos micro e macro para a superação, vista e sentida ainda hoje, da assimetria de gênero? Quais são e como pensam as diferentes vertentes do feminismo a este respeito? Mas com pretensão de superar o debate meramente teórico, o Evento debaterá as recentes experiências dos Comitês de Autodefesa das Mulheres construidos e em construção em várias cidades brasileiras. Tratam-se de experiências para formar politicamente e realizar seções práticas de autodefesa das mulheres. Pensando a proteção no dia-a-dia e em protestos coletivos, os Comitês realizam treinamento da impostura de voz, bem como o fortalecimento moral e psicológico de jovens e trabalhadoras. Mas então, como os Comitês de Autodefesa podem se transformar em mecanismos de emancipação das mulheres? Venham debater conosco!

Dia: 25 de novembro (terça)
Horário: 12h - 14h
Local: Auditório do IH (Subsolo do ICC Norte, UnB - Campus Darcy Ribeiro)


* Ao fim do debate, haverá uma breve oficina de Autodefesa para as interessadas.


quinta-feira, 3 de julho de 2014

Hoje mais do que nunca, construir o braço feminista do sindicalismo revolucionário!

Este texto é uma contribuição do estudante Edson Guimarães, militante da Oposição CCI ao DCE-UnB, para o debate amplo e coletivo sobre luta pela libertação da mulher.



Hoje mais do que nunca, construir o braço feminista do sindicalismo revolucionário!
 



Edson Guimarães, militante da Oposição CCI*
 

“A luta de classes, fato histórico e não a afirmação teórica,
é refletida no nível do feminismo. As mulheres, como os homens,
são reacionárias, centristas ou revolucionárias. Elas não
podem, portanto, travar a mesma batalha juntas.”
Mariátegui, Reivindicações Feministas.

A construção do feminismo classista no Brasil hoje é um tema explosivo que vem gerando em diversas frentes de luta questionamentos, repulsa ou fortalecimento de um polo de mulheres combativas. Frente a uma sociedade fortemente marcada pelo conservadorismo patriarcal e pela mercantilização crescente do trabalho e do corpo da mulher, a luta feminista classista se demonstra uma necessidade inadiável. Apesar disso, tal construção bate de frente a um movimento feminista pequeno-burguês hegemônico e terá de se afirmar em uma dura convicção frente a uma “maioria” afundada em confusões teóricas, práticas e oportunistas, sob a pena de vencer ou se arruinar no pântano da luta fraticida (homens x mulheres) e/ou reformista.   

Para nós este é um debate central hoje não só na UnB como no Brasil. Atualmente dentro da esquerda e principalmente dentro de círculos universitários é comum escutarmos a defesa da importância do movimento de gênero, assim como do movimento de classe. Isto é fundamental e básico, pois o feminismo e a liberdade sexual assim como a igualdade social são elementos essenciais para qualquer organização revolucionária. Apesar disso, são costumeiramente tratados de forma separada. Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa. Pautas de classe (“salariais”) e pautas de gênero (“liberdade corporal”).

Em nossa visão está na raiz dessa separação a concepção pequeno-burguesa de feminismo e do determinismo econômico que secundariza as opressões. Não adianta falarmos da sua transversalidade se ela não é pensada e colocada em prática. As deformações surgem dessa separação e o pós-modernismo e o marxismo reformista reproduzem este problema. A esquerda oportunista que elegeu o operário industrial como o único guia da revolução no Brasil, enxerga nos movimentos de gênero, assim como no movimento estudantil e camponês, setores pequeno-burgueses dispostos a apoiar o movimento revolucionário. Dessa forma pré-concebem a característica supostamente pequeno-burguesa (ou policlassista) do movimento de gênero e a potencializam, destinam-se assim a ser movimentos de apoio, e apenas isso, pois não é considerada a possibilidade se constituírem como autênticos movimentos de classe.

Dessa forma não se questiona a prática desses movimentos “de apoio”, simplesmente se adequa aos seus vícios pequeno-burgueses, considerados como inerentes a estes. A prática dos “Beijaços”, por exemplo, puxadas pela ANEL são defendidas enquanto ações anti-homofóbicas “inquestionáveis” apenas até os limites do movimento estudantil, já que no movimento sindical da CSP-CONLUTAS onde predomina a prática “séria” da classe, estas práticas não possuem nenhum eco, nem são incentivadas pelo mesmo partido, PSTU. Há uma clara descontinuidade nas políticas de classe e adequação a demandas pequeno-burguesas no ME e ao mesmo tempo burocratização da esfera sindical, que sob o discurso da seriedade descarta até a ação direta de classe, como um “desvio de juventude”. 

Já o pós-modernismo chega a resultados semelhantes, mas por outras vias. A sua critica as meta-narrativas, grandes teorias de explicação da realidade (a exemplo o próprio marxismo), levou a afirmação da particularidade como único critério do real, abandonando a idéia de um movimento unificado ou universal, para defender a idéia de micro-revoluções particulares. Essa influência conduziu os movimentos de gênero, negro, etc, a se fragmentarem e a se transformarem reféns das lutas reformistas, corporativistas, apenas por políticas públicas específicas sem vislumbrar a própria revolução social e o questionamento da ordem geral capitalista e sua superação (elemento fundamental para o anarquismo).

A concepção de uma das principais figuras públicas do MPL-DF representa bem essa concepção autonomista pós-moderna. Em entrevista a revista Darcy Ribeiro N°6, na matéria a “Voz dos Independentes” ela afirma: “Ninguém quer derrubar o Estado, a mudança pode ocorrer por meio de outras estruturas, de uma revolução cotidiana”. Assim, continua o particular negando o geral e o geral negando o particular, gerando diversas formas de reformismos.

O resultado prático é a negação da transversalidade, ou seja, a negação do um feminismo classista. Para contrapor estes problemas é preciso ter em mente duas ideias chaves: 1° que toda particularidade traz em si um germe de universalidade e 2° que a materialidade da classe comporta as particularidades econômicas, políticas e culturais, indissociáveis, e se estende muito além do operariado industrial atingindo todos aqueles que vivem do seu próprio trabalho. Neste sentido o movimento de mulheres trabalhadoras e suas pautas, ainda que particular em relação ao conceito de mulher em geral (abstrato), é o único capaz de levar suas pautas até as últimas consequências e de fato emancipar a mulher em geral (concreto), da mesma forma que apenas o movimento da classe trabalhadora visa libertar a humanidade em geral, e não o fará sem o movimento classista de Gênero e de Raça. O que isso significa?

Significa que o momento atual nos exige pensar nas pautas transversais que sintetizem ao mesmo tempo a condição da mulher e da trabalhadora. As creches públicas, direito ao aborto e hospitais 100% públicos e gratuitos, licença maternidade, igualdade e aumento salarial, política de contraceptivos gratuitos, direito a auto-defesa, educação sexual nas escolas públicas, vacinação gratuita, fim da violência nas periferias e espaços de trabalho\estudo, etc. Pautas que hoje são esquecidas ou muito difusas na Marcha das Vadias. Mas por que? Por que isso não interessa materialmente a um setor de mulheres que pelo fato de serem privilegiadas, por serem gerentes, patroas ou mesmo por possuírem boas rendas podem desfrutar de serviços privados e elitizados. O próprio capitalismo (e isso inclui mulheres capitalistas) se beneficia estruturalmente do machismo super-explorando as mulheres, e isto também é um fato. Por isso o feminismo classista é uma necessidade, pois só ele levará esta luta frente.

Dessa forma o particularismo (pós-moderno) e o economicismo (marxista-reformista) isolam o feminismo. Um é colocado no pedestal como única particularidade legítima, o outro como particularidade secundária. O corporativismo e a visão pequeno-burguesa dessa forma são reforçados. E não pelas vontades individuais, mas pela dinâmica do movimento que ao negar a centralidade de classe e do materialismo na prática (ainda que as vezes seja exaltado em palavras), leva o movimento a se centrar no campo do discurso, da jurisdição, do subjetivismo, se concentrando no denominador comum das “mulheres em geral” (inclusive a burguesa) se afastando e na maioria das vezes ocultando os interesses inconciliáveis das trabalhadoras.

Um exemplo disso é: de onde vem a concepção de feminismo da Marcha das Vadias, sua pautas, seus métodos e base social? Sua base social e de formulação ideológica são muito concretas, universitária e pequeno-burguesa (literalmente em muitos casos donas de estabelecimentos, exploradoras de trabalhadores). E a negligência da marcha das vadias a pautas das mulheres pobres e negras não é muito diferente da negligência que grande parte dos setores “feministas” da UnB, por exemplo, deram a demissão das trabalhadoras terceirizadas grávidas no final de 2013, ou as estudantes expulsas recorrentemente da Casa do Estudante também por gravidez (sem creches e direitos), que nunca tiveram uma campanha séria na Universidade de Brasília, a não ser pela luta travada pela Oposição CCI, ainda que limitada.  

A condição de classe, portanto é o que permite a transversalidade, unindo homens, mulheres, negros, brancos, indígenas, LGBT’s, entre outros por uma bandeira comum: a luta contra a exploração e a dominação, da qual todas as opressões são influenciadas e potencializadas, quer queira quer não. A forma de se quebrar o isolamento e o reformismo são unificar e ao mesmo tempo formular pautas e métodos específicos. Unificar sob duas perspectivas: a) Unir organizações feministas, étnicas, sindicais e estudantis, numa Central de Classe Sindicalista Revolucionária (que é o que defende a RECC); b) Unir a condição de classe com a condição de gênero.

A diferenciação dos métodos também é uma trincheira de classe, pois enquanto para a mulher burguesa o mundo ilustrado, da jurisdição ou da linguagem universitária, é seu campo por excelência de “combate” e privilégio, onde suas demandas são em parte atendidas e garantidas, já para as mulheres trabalhadoras este mundo não passa de ficção, só as greves, as manifestação de rua, ocupações, podem garantir a conquista das reivindicações concretas. Não adianta, portanto lutar apenas pelas leis (legalização do aborto, por exemplo), é necessário a reivindicação do sistema público e gratuito de saúde, e seguir na luta pela transformação radical da base material da sociedade.

A luta contra as opressões devem assim ser pauta de toda classe travando um combate cultural interno e estrutural para fora. É necessário para isso separar o conceito de contradição do de antagonismo. Mulheres e homens trabalhadores vivem uma contradição cultural (nem por isso menos material) que não será superada pela destruição de um dos lados, mas sim com a luta pela igualdade, a autocritica e a disseminação de uma cultura e prática libertadora. A exploração de classe é um antagonismo (irreconciliável), que busca a destruição da burguesia, se desenvolvendo para um combate frontal, uma guerra física, dada que estão baseadas em relações de propriedade, interesses e posições econômicas (que inclusive fortalecem o machismo).

O protagonismo da mulher de forma geral é então entendido por nós, não como o de qualquer mulher, mais o da mulher trabalhadora, de seu programa e de seu método. A ideia da representatividade simbólica da “mulher em geral” é diferente de nossa perspectiva de protagonismo. Primeiramente por que o objetivo é garantir o protagonismo feminino na luta pela revolução e não na representatividade dentro das instituições burguesas (parlamento, diretoria de empresas, polícias). Segundo, um avanço não se dá pela simples ascensão de uma mulher ou oprimido ao poder, ou pelo monopólio da fala e do espaço, e sim do conteúdo de seu programa e de seus métodos (o feminismo classista), e isso pode ser feito por mulheres e homens conjuntamente, mas nunca sem as primeiras. Isto é tão dramático que o capitalismo neoliberal vem se utilizando recorrentemente do discurso e da representação simbólica dos oprimidos (vide Lula o Operário, Dilma a Mulher e o Obama o Negro), para perpetuar a própria opressão sobre essas “minorias”, farsa que a esquerda e setores autonomistas muitas vezes reproduzem na sua ação cotidiana, de forma inocente ou oportunista para a perpetuação de seu próprio poder (como visto na ação dos governistas na greve das IFES de 2012).

 Por fim, aponto que é a questão material (entendido em seu sentido amplo e não apenas econômico) que permite tirarmos da marginalidade do “discurso inclusivo”, da ideologia neoliberal, a exploração e o machismo escamoteado nas ações patronais, instituições e nas causas sociais que levam o povo a se embrutecer e a se oprimir mutuamente. Dessa forma, o feminismo classista é a perspectiva transversal e nosso objetivo deve ser no plano geral unificar e não dividir homens e mulheres. É necessário dar continuidade a esta construção e aprofundá-la, desenvolvendo uma verdadeira ruptura com o feminismo burguês e atacar a farsa do discurso da “inclusão”. 

Viva as mulheres anarquistas que deram suas vidas a libertação das mulheres e do povo trabalhador! Resgatar sua história e exemplo!
 Viva Lucy Gonzales Parsons, líder operária negra!
Viva Louise Michel, líder das barricadas da Comuna de Paris!
Viva Fanya Baron, exemplo de abnegação e luta!
Viva Espertirina Martins lutadora do movimento operário brasileiro!